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Primeiro a receber vacina de Oxford, infectologista diz que mesmo imunizado manterá distanciamento

Estevão Portela fez parte de um grupo de dez trabalhadores da Fiocruz imunizados, escolhidos por estarem na linha de frente do atendimento a pacientes do Centro Hospitalar da instituição

24 jan 2021
05h10
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Infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Estevão Portela foi a primeira pessoa no Brasil a receber a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca com a Universidade de Oxford. Neste sábado, 23, ele fez parte de um grupo de dez trabalhadores da Fiocruz imunizados, escolhidos por estarem na linha de frente do atendimento a pacientes do Centro Hospitalar da instituição.

Ao Estadão/Broadcast, após a cerimônia de distribuição pelo Brasil de um lote de dois milhões de vacinas importadas da Índia, Portela falou da importância de a população ser imunizada e, ainda assim, manter os procedimentos de segurança. "É um momento ainda de compreensão do que vai acontecer com o processo de vacinação", afirmou. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

O que representa para a Fiocruz a liberação da primeira leva de vacina de Oxford?

Todos nós que nos vacinamos fazemos parte de um enorme esforço coletivo de deter esse vírus. Finalmente temos ferramentas, temos vacina. Cada pessoa vacinada fecha uma porta para o vírus. Uma pessoa vacinada acaba protegendo mais uma pessoa à frente, salvando mais uma vida. Tenho muito orgulho de pertencer à instituição (Fiocruz), de pertencer ao SUS (Sistema Único de Saúde). A gente sabe que fora das nossas instituições de pesquisa, fora do SUS a gente não encontraria essa ferramenta. Não fossem eles, não haveria essa ferramenta.

Se a vacina tivesse outra origem, se não fosse a da Astrazeneca/Universidade de Oxford, o senhor tomaria?

Com certeza. É importante que a gente tenha vários produtos, porque cada um, eventualmente, vai atender um tipo de demanda, um tipo de pessoa. Há uma necessidade muito grande de vacinar um número muito grande de pessoas com características diferentes. É bom que existam várias vacinas.

O senhor pegou covid?

Sim. Tive covid confirmada no fim do ano, em novembro e dezembro. Foi um quadro leve. Mas a gente tem a preocupação de fazer parte de uma corrente, de não levar a infecção adiante. Cada pessoa tem que entender o seu papel. Daí a importância de manter a máscara, de evitar aglomerações, de manter o distanciamento, além da vacina.

Como vai ser seu dia a dia após a vacinação?

Vou continuar mantendo as práticas de proteção. É um momento ainda de compreensão do que vai acontecer com o processo de vacinação. Mas, evidentemente, neste momento é importante manter as ferramentas que já têm eficiência comprovada, que realmente têm impacto, principalmente, o distanciamento, a lavagem das mãos e o uso de máscara.

Enquanto toda população não tiver sido vacinada todo procedimento de segurança deve ser mantido?

A vacina previne formas graves, mas não previne completamente a transmissibilidade. Então, é preciso que neste momento não haja ruídos, que a gente se mantenha aderente às formas de prevenção, não só à vacina.

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Estadão
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