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Para OMS, sistema de saúde do Brasil está conseguindo lidar com a pandemia

Diretor da entidade analisou situação do País após ser questionado sobre declaração de Bolsonaro, que pediu para apoiadores filmarem leitos de UTI

12 jun 2020
13h50
atualizado às 15h38
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o sistema de saúde do Brasil está conseguindo lidar com a pandemia do novo coronavírus. O diretor do programa de emergências da entidade, Michael Ryan, alertou para o aumento sustentado do número de casos no País, mas destacou que não há indícios de um esgotamento nos leitos de UTI disponíveis.

"Poucos Estados têm mais de 80% de ocupação de leitos. É claro que o Brasil está sofrendo uma pressão em suas UTIs, mas os dados nos mostram que não há um colapso do sistema. Damos os parabéns aos profissionais de saúde que continuam trabalhando em todos os lugares. Há áreas onde a concentração de casos é maior, como no Amazonas. Mas, de forma geral, o sistema está conseguindo lidar com a pandemia, apesar do aumento sustentado do número de casos", afirmou Ryan.

O diretor analisou a situação do sistema de saúde do Brasil após ser questionado sobre uma declaração desta quinta-feira, 11, de Jair Bolsonaro. O presidente sugeriu que seus apoiadores entrassem em hospitais públicos para filmar os leitos de UTI e mostrar se eles realmente estão ocupados. Apesar da pergunta, Ryan não fez comentários diretos sobre Bolsonaro.

O Brasil tem 41.058 mortes e 805.649 casos confirmados do novo coronavírus, em dados atualizados na noite desta quinta pelo consórcio de veículos de imprensa, formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL.

Embora tenha feito comentário positivo sobre o sistema brasileiro, o diretor ligou o alerta para o cenário futuro da pandemia no País. Para Ryan, é necessário ampliar o suporte aos hospitais e às unidades de saúde para garantir o auxílio adequado a todos os infectados pela covid-19.

"Os números estão crescendo, são altos. A situação no Brasil é preocupante, com todas as 27 unidades federativas afetadas pela doença. Não sabemos como o sistema de saúde vai conseguir manter esse atendimento. Ele vai precisar de apoio", disse.

Também nesta sexta, 12, a vice-diretora-geral da OMS, a brasileira Mariângela Simão, afirmou que o Brasil está entre os quatro países que mais preocupam a entidade, ao lado de Estados Unidos, Rússia e Índia. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Mariângela ressaltou a necessidade de estar preparado para uma segunda onda, mas descartou a possibilidade de o País ser o epicentro da doença, pois há vários focos espalhados pelo mundo. "Não é justo dizer isso. Mas com certeza é um alvo de preocupação, por aumento de casos, infraestrutura da saúde e o lamentável crescimento de óbitos", explicou.

Risco para gestantes

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou cuidado especial com mulheres, crianças e adolescentes. Ele disse que os efeitos indiretos da pandemia nesses grupos podem ser maiores do que os números de mortes diretamente ligados ao vírus.

"À medida que a covid-19 acelera em países de baixa e média renda, a OMS está preocupada com os impactos em pessoas que já têm dificuldades de acessar os sistemas de saúde. Como a pandemia colpasou sistemas de saúde em vários lugares, mulheres podem ter um risco maior de morrer por complicações no parto. O vírus está apenas começando, e irá continuar seu trajeto de destruição de vidas e de subsistência. Precisamos combatê-lo juntos".

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Estadão
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