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Novembro Azul: público transgênero demanda atenção e cuidados específicos; entenda

Organizações ressaltam a importância da prevenção contra diversos problemas de saúde entre homens e mulheres trans

24 nov 2021 12h12
| atualizado em 28/11/2021 às 15h05
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É preciso falar sobre Novembro Azul Transgênero
É preciso falar sobre Novembro Azul Transgênero
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

O Novembro Azul é um movimento internacional, criado para alertar as pessoas do sexo masculino sobre a importância de manter cuidados específicos com a saúde. Principalmente com relação ao câncer de próstata, tumor comum entre homens com mais de 40 anos e que faz, aproximadamente, 15 mil vítimas fatais por ano, apenas no Brasil - dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer). No entanto, existe uma grande parcela da população que ainda não recebe a atenção necessária quando o assunto é prevenção de doenças: o público transgênero.

As informações oficiais sobre a população trans, no Brasil, são escassas. Porém, segundo uma estimativa da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), cerca de 2% de todos os brasileiros integram a categoria trans. Isso significa que o grupo representa mais de 4 milhões de pessoas em nosso país.

O problema é que, de acordo com a Dra. Elaine Costa, médica da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e supervisora da Divisão de Endocrinologia do Hospital das Clínicas, o sistema de saúde brasileiro ainda não está totalmente preparado para atender as necessidades da população trans. Sendo assim, ela acredita que a campanha Novembro Azul poderia ser mais inclusiva e abrir portas para políticas públicas específicas aos transgêneros, que demandam cuidados diferentes de homens e mulheres cisgêneros.

Cuidados específicos para homens e mulheres trans

"Uma das etapas do processo de adequação ao gênero é a hormonioterapia. Os homens trans, por exemplo, devem fazer acompanhamento laboratorial por meio de exames de sangue, densitometria óssea e monitoramento de doenças metabólicas, hematológicas e cardiovasculares que podem estar associadas ao uso do hormônio masculino", alerta a especialista, referindo-se às pessoas que já passaram por todo o processo da adequação de gênero.

Já para quem ainda não fez a histerectomia (retirada do útero), ooforectomia (retirada dos ovários) e mastectomia (retirada das mamas), também é preciso ter cuidados específicos com a saúde. A realização periódica de exame transvaginal e mamografia, por exemplo, são indispensáveis para a prevenção de diversos tipos de câncer ginecológicos.

Com relação às mulheres trans, é preciso lembrar que elas também possuem próstata e devem ter os mesmos cuidados para evitar o desenvolvimento de câncer. Mas, além de todos esses exames laboratoriais, ainda é necessário ter uma atenção específica diante da saúde mental do público transgênero.

"As pessoas que passam por redesignação de sexo precisam de um atendimento multidisciplinar, pois enfrentam um processo complexo que exige acompanhamento psicológico e clínico periódicos, já que passam por procedimentos radicais e tratamentos com diversos efeitos adversos, além de ter de lidar muitas vezes com o preconceito", explica Dra. Elaine.

Falta de estrutura e capacitação médica

Como podemos perceber, o processo para adequação de gênero necessita de um acompanhamento especial, para evitar o desenvolvimento de patologias mais graves, distúrbios mentais e desequilíbrios hormonais. No entanto, apenas em 2019 a OMS (Organização Mundial de Saúde) desconsiderou a transexualidade como uma doença mental e passou a tratá-la como incongruência de gênero. Essa demora reflete diretamente na falta de capacitação dos profissionais de saúde para atender às necessidades específicas da população trans.

No Brasil, por exemplo, existem apenas cinco centros de referência para a cirurgia de redesignação de sexo. Eles ficam nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Goiânia e Recife. Por lá, jovens e adultos em fase de transição também conseguem obter consultas e acompanhamento médico especializado. No entanto, com apenas essas unidades de saúde, não é possível atender toda a comunidade trans que vive por aqui.

De acordo com a Dra. Elaine Costa, o primeiro passo para reverter esse quadro é oferecer atendimento multidisciplinar, com profissionais de saúde qualificados. No caso da rede particular, os planos também precisam disponibilizar cobertura para todos os procedimentos clínicos e cirúrgicos necessários.

Fontes: Dra. Elaine Costa, médica da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e supervisora da Divisão de Endocrinologia do Hospital das Clínicas; ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais); posicionamento conjunto da SBEM, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.

Saúde em Dia
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