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MG muda informe e diz não tratar paciente como suspeita de coronavírus

Secretaria Estadual da Saúde afirma seguir agora recomendação do ministério; segundo o governo brasileiro, não há possíveis infecções registradas no Brasil

22 jan 2020
15h55
atualizado em 23/1/2020 às 16h11
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SÃO PAULO - A Secretaria Estadual da Saúde de Minas Gerais publicou um informe nesta quinta-feira, 23, no qual afirma que a paciente de 35 anos antes sinalizada como caso suspeito de coronavírus não atende às orientações oficiais do Ministério da Saúde. O estado clínico da paciente é considerado estável e a alta hospitalar está sendo avaliada para monitoramento em domicílio.

"A notificação se deu porque a paciente esteve em um evento internacional na China, teve contato com pessoas de diversos locais do mundo, com vários dias de duração e apresentava sintomas respiratórios", justifica o governo mineiro. "Quando a paciente procurou atendimento no município de Belo Horizonte, a SES-MG ainda não dispunha do protocolo do Ministério da Saúde, com orientações sobre esses casos."

A paciente retornou recentemente da China, que concentra a maioria dos mais de 600 casos e ao menos 18 mortes relacionados ao coronavírus. Ela chegou a ser colocada em isolamento para evitar a "disseminação de uma possível nova doença, ainda desconhecida" e passou pela coleta de amostras laboratoriais para fazer exames de vírus respiratórios.

"A FUNED (Fundação Ezequiel Dias) está realizando exames para Influenza e para outros vírus respiratórios, que já são os exames de protocolo, de rotina para todos os casos de síndrome respiratória. A amostra da paciente já foi encaminhada para a Fiocruz, no Rio de Janeiro. A SES irá discutir e avaliar com o Ministério da Saúde e a Fiocruz se vai realizar ou não o exame para o novo coronavírus", diz nota.

Logo após o anúncio do governo de MG, o Ministério da Saúde divulgou uma nota afirmando que o caso de Belo Horizonte não é considerado suspeito de coronavírus pois "não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em vista que o paciente esteve em Xangai, onde não há, até o momento, transmissão ativa do vírus. De acordo com a definição atual da OMS, só há transmissão ativa do vírus na província de Wuhan".

O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta que o Brasil entrou em alerta de nível 1 para o risco de transmissão para coronavírus. Apasta descartou, no entanto, a existência decasos suspeitos no País.

O caso de BH

Apesar de não apresentar qualquer sinal indicativo de gravidade clínica, a paciente foi conduzida rapidamente para o Hospital Estadual de Menezes (HEM) para observação cuidadosa em ambiente hospitalar. O centro médico é referência para "doenças infectocontagiosas, emergências em saúde pública e atenção aos agravos de interesse sanitário".

Conforme informações que foram repassadas pela paciente à vigilância epidemiológica de BH, ela não esteve na região de Wuhan, epicentro do surto, nem teve contato com pessoa sintomática na China.

Os exames capazes de confirmar ou descartar a hipótese diagnóstica estão em andamento em laboratórios de referência, de acordo com a secretaria. Os sintomas da nova infecção são febre e fadiga, acompanhados de tosse seca e, em muitos casos, de dispneia (dificuldade de respirar).

Governo federal já notificou portos, aeroportos e fronteiras

O governo federal já notificou a área de portos, aeroportos e fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para as medidas de prevenção à entrada do coronavírus no País. A área de Vigilância Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde também foram notificadas para seguir as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)./COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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Estadão
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