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Líderes políticos precisam mobilizar sociedade para combater coronavírus, diz OMS

Organização Mundial da Saúde ressalta que lideranças políticas devem ser capazes de orientar comunidades e estimular a adoção de posturas corretas contra o vírus

25 mar 2020
15h41
atualizado às 16h56
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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira, 25, que os políticos precisam liderar suas comunidades e mobilizá-las para frear o avanço da pandemia do coronavírus. Ele também enfatizou que a batalha contra o coronavírus é papel de todos os cidadãos.

"A liderança política é chave e precisa ser capaz de mobilizar comunidades para assumirem suas partes e fazerem as coisas corretas para suprimir e controlar essa pandemia", afirmou Tedros após ser questionado sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro, na terça, quando criticou o fechamento de escolas, a paralisação do comércio e o isolamento social em Estados como São Paulo. "O governo inteiro deve estar envolvido. O vírus não vai ser parado apenas pelo setor de saúde".

De acordo com os dados mais recentes da OMS, o coronavírus já contaminou 413.367 pessoas e causou 18.433 mortes. O diretor da OMS ressaltou que confia nos governos para tomarem as atitudes corretas de enfrentamento ao vírus, lembrou que as UTIs estão lotadas em muitos países e enfatizou que a doença é séria. Tedros destacou ainda que a humanidade já superou outras pandemias antes e que vai superar essa também, mas que é preciso ter a confiança das populações locais.

"Precisamos de confiança das comunidades para elas estarem mobilizadas e fazerem suas partes. Isso é papel de todo mundo. Já perdemos mais de 16 mil vidas. Sabemos que perderemos mais - quantas mais serão determinadas pelas decisões e ações que tomamos".

O líder da OMS também elogiou o presidente Donald Trump, que disse na terça que o bloqueio nos Estados Unidos poderia acabar até a Páscoa. "Ele está fazendo tudo o que pode. Acredito que esse tipo de compromisso político pode trazer mudanças ou parar essa pandemia".

Tedros reforçou a necessidade de os países adotarem medidas de distanciamento social e restrição de circulação de pessoas. O diretor da OMS lembrou que 150 países ainda têm menos de 100 casos, recomendando ações agressivas para que essas nações consigam prevenir a transmissão local. "Medidas agressivas para identificar, isolar, testar, tratar e rastrear (os contaminados) não são apenas a melhor e mais rápida saída de restrições sociais e econômicas extremas. Elas também são a melhor maneira de evitá-las".

A entidade fez ainda recomendações sobre como atacar com o vírus. Primeiro, sugeriu expandir, treinar e capacitar profissionais da saúde. Além disso, recomendou a implementação de um sistema amplo capaz de identificar os casos suspeitos em nível local e também a elevação da produção, da capacidade e da disponibilidade de realizar testes.

A OMS também orientou os países a prepararem as estruturas hospitalares para casos de eventualidades. "Em muitos países, o número de casos saltou e eles não estavam preparados", afirmou Tedros. "Preparar o sistema de saúde é muito, muito importante".

Orientações da OMS aos países:

1 - Expandir, treinar e capacitar a força de trabalho na área da saúde pública;

2 - Implementar um sistema para encontrar todos os casos suspeitos no nível local;

3 - Aumentar a produção, capacidade e disponibilidade de realizar testes;

4 - Identificar, adaptar a equipar as instalações onde serão tratados e isolados os pacientes;

5 - Desenvolver um planejamento claro para a quarentena;

6 - Reorientar todo o governo para suprimir e controlar a pandemia

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Estadão
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