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Fiocruz desenvolve teste para zika rápido e 40 vezes mais barato

Atualmente, o resultado pode demorar até 15 dias em municípios afastados dos grandes centros; a expectativa é de que o teste que chegue aos postos de saúde antes do final do ano

15 abr 2019
15h13
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RIO - Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, desenvolveram um teste capaz de identificar a infecção pelo vírus da zika em 20 minutos por meio de um método que é 40 vezes mais barato que o tradicional. Atualmente, o resultado pode demorar até 15 dias em municípios afastados dos grandes centros. Segundo os pesquisadores, a expectativa é de que o exame que chegue aos postos de saúde antes do final do ano.

"Tendo em vista que a técnica atual (PCR) é extremamente cara e o Brasil tem poucos laboratórios de referência que podem realizar o diagnóstico de zika, até um tempo atrás eram apenas cinco, inclusive a Fiocruz de Pernambuco, uma cidade pequena, no interior do Estado, acaba prejudicada. A amostra precisa sair do interior, ir para a capital, para ser processada. Enfim, se pensarmos nesses municípios, o resultado pode demorar 15 dias", destaca pesquisador Jefferson Ribeiro.

Outra vantagem do novo teste é que pode ser feito por qualquer pessoa nos posto de saúde sem a necessidade de um treinamento complexo. Com um kit rápido, basta coletar amostras de saliva ou urina, misturar com reagentes fornecidos em um pequeno tubo plástico e depois aquecer em banho-maria. Vinte minutos depois, se a cor da mistura se tornar amarela, está confirmado o diagnóstico de zika. Caso fique laranja, o resultado é negativo. Hoje, o teste PCR (reação em da polimerase), com reagentes importados, é feito com material genético retirado das amostras, o que demora mais.

O teste elaborado pela Fiocruz Pernambuco é também mais preciso, ou seja, tem uma taxa de erro menor, acusando a doença mesmo em casos que não foram detectados pela PCR.

A expectativa dos pesquisadores é de que o kit seja desenvolvido pela indústria nacional, com a participação de Bio-manguinhos, e disponibilizado até o fim do ano. Testes semelhantes já são usados para o vírus da dengue e outras bactérias. "Essa é a nossa pretensão, para facilitar a disponibilidade para o Sistema Único de Saúde", disse Ribeiro.

Zika

O número de casos de zika, que pode causar microcefalia em bebês, vem diminuindo nos últimos anos. No entanto, o País ainda teve 8.680 diagnósticos em 2018 (em 2017 foram 17.593), com maior incidência nas regiões Norte e Centro-Oeste. A doença está relacionada à falta de urbanização e de saneamento básico e costuma aumentar nas estações chuvosas.

O vírus da zika é transmitido principalmente por picadas de mosquito, mas também durante a relação sexual desprotegida e de mãe para filho, na gestação. Provoca complicações neurológicas como a microcefalia e a Síndrome de Guillain Barré. Começa com manchas vermelhas pelo corpo, olho vermelho, febre baixa e dores pelos corpos e nas juntas, geralmente, sem complicações.

O novo teste foi desenvolvido no mestrado em Biociências e Biotecnologia em Saúde, com orientação do professor Lindomar Pena. Anteriormente, os pesquisadores publicaram artigo com os resultados dos testes para amostras de mosquitos infectados e não de secreções humanas.

Estadão

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