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Estados dizem ter estoque de 192 milhões de seringas

Governos veem volume suficiente para iniciar campanha; MG e RS vão convocar estudantes da Saúde para vacinar

9 jan 2021
14h10
atualizado às 14h34
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Secretarias estaduais de saúde declaram ter pelo menos 192,4 milhões de seringas e agulhas em estoque que poderiam ser usadas na vacinação contra a covid-19 no País. Ainda de acordo com as pastas, mais 165,2 milhões de kits estariam em processo de compra ou entrega.

Para os Estados, o quantitativo seria suficiente para começar a campanha. Com 71 milhões de seringas, São Paulo é responsável pelo maior volume declarado, segundo levantamento do Estadão. Em seguida, aparecem Minas (50 milhões), Bahia (13) Paraná (11) e Rio (8). Apesar de ser uma das cinco unidades que não detalharam os insumos, Sergipe também diz ter "estoque para iniciar nos grupos prioritários."

Governo do Pará se antecipa e distribui seringas e agulhas para vacinação contra covid-19
Governo do Pará se antecipa e distribui seringas e agulhas para vacinação contra covid-19
Foto: TARSO SARRAF / ESTADÃO CONTEÚDO

Sem data definida, o Plano Nacional de Vacinação prevê imunizar 49,6 milhões de pessoas no intervalo de quatro meses. Para isso, o Ministério da Saúde planejou comprar 331 milhões de seringas. Em dezembro, no entanto, um pregão eletrônico fracassou e só 7,9 milhões de itens, ou 2,4% do previsto, foram adquiridos pelo governo federal. Já na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para responsabilizar a indústria e dizer que a compra está suspensa até que "os preços voltem à normalidade".

"O Brasil tem uma experiência muito grande em vacinação. A campanha pode ser muito tranquila em termos de acesso, contanto que tenha disponibilidade de insumos", afirma Walter Cintra, pesquisador da FGV. "É importante considerar que as vacinas que estão no mercado precisam de duas doses."

Ainda de acordo com o plano, o Ministério estima a perda operacional de 5% de doses da AstraZeneca e Oxford, com quem o governo federal tem acordo. Para o imunizante da Pfizer, armazenado em baixas temperaturas, a taxa calculada é de 10%.

Na ponta da linha, Estados correm para reforçar as equipes de vacinação. Para a campanha, Minas e Rio Grande do Sul pretendem convocar estudantes de cursos de saúde. Em Rondônia, cidades trabalham no remanejamento de profissionais.

A posição do Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde diz saber de "cerca de 80 milhões de seringas e agulhas nos Estados e municípios" - quantidade que representa cerca de 40% do informado pelos governos locais à reportagem. "O número é suficiente para iniciar a vacinação ainda em janeiro", afirma a pasta.

Segundo o ministério, mais 40 milhões de unidades teriam sido garantidas pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Oito milhões delas com entrega entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. Outras 30 milhões foram requisitadas à Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (ABIMO). "Um novo pregão está em andamento para aquisição de mais produtos".

"O Ministério da Saúde reforça que todos os Estados brasileiros serão tratados de forma igualitária e proporcional e o início da vacinação ocorrerá após a autorização temporária de uso emergencial ou do registro de vacinas concedidos pela Anvisa", afirma a pasta. "As vacinas serão enviadas aos Estados, que serão encarregados de distribuir aos municípios."

Já para qualificar as equipes de saúde que atuarão na campanha, o governo federal aposta em um curso no modelo de Educação a Distância (EAD). "A capacitação será realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o PNI e a Secretaria de Atenção Primária à Saúde", diz

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Estadão
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