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Epidemia de drogas: opioides causam um '11 de Setembro' em mortes a cada três semanas nos EUA

Comissão bipartidária diz que 142 americanos morrem por dia por abuso de drogas como heroína e analgésicos potentes e pede que presidente Trump declare emergência nacional.

2 ago 2017
10h09
atualizado às 11h24
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Uma comissão nacional criada por Donald Trump quer que o presidente declare emergência nacional para combater a epidemia de drogas que assola o país.

Overdose de opioides quadruplicou desde 1999, segundo a comissão
Overdose de opioides quadruplicou desde 1999, segundo a comissão
Foto: BBCBrasil.com

A comissão bipartidária diz que essa medida forçaria autoridades a dar prioridade a atenção e financiamento de ações de combate à crise, marcada pelo consumo abusivo de opioides.

O controle do abuso de drogas foi uma das principais promessas de campanha de Trump. Após eleito, ele instalou a Comissão para o Combate à Toxicodependência e à Crise de Opioides, composta por legisladores dos partidos Democrata e Republicano e presidida pelo governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie.

"Com em média 142 americanos morrendo por dia, os Estados Unidos estão enfrentando um número de fatalidades igual a um 11 de Setembro a cada três semanas", escreveram os autores do texto.

A comissão descobriu que um terço dos americanos recebeu prescrição de opioides em 2015.

Os opioides são drogas quimicamente semelhantes que interagem com os receptores opioides de células nervosas no corpo e no cérebros. Podem ser substâncias proibidas, como heroína, ou analgésicos prescritos, como morfina, codeina, fentanil e oxicodona.

O relatório também recomenda que médicos restrinjam a prescrição de medicamentos opioides e aumentem o acesso a técnicas alternativas de tratamento da dor.

O documento foi divulgado pela comissão através do Twitter.

Desde 1999, o número de mortes causadas pelo consumo de opioides quadruplicou, segundo a comissão, citando dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

Dirigindo-se a Trump, a comissão diz: "Sua declaração (de emergência nacional) permitiria que seu gabinete desse passos mais ousados e forçaria o Congresso a focar no financiamento e no empoderamento ainda maior do braço executivo para lidar com estas perdas de vidas".

"Também iria acordar cada americano a este simples fato: se esta praga ainda não atingiu você ou sua família, sem uma ação incisiva de todos, ela em breve atingirá."

"Você, senhor presidente, é a única pessoa que pode trazer intensidade a essa emergência e acreditamos que você tenha a vontade de fazer isso e de agir imediatamente", acrescenta.

A comissão diz ainda que médicos devem criar novas formas de tratar os cerca de 100 milhões de adultos americanos (de acordo com o relatório do Instituto de Medicina das Academias Médicas) que sofrem de dor crônica.

Mas pesquisadores acreditam que médicos não conhecem as melhores práticas para tratar a dor e frequentemente optam por medicamentos opioides, como Percocet and OxyContin, este último comercializado no Brasil.

Na última semana, um médico no Estado de Indiana foi morto pelo marido de sua paciente depois de se recusar a lhe prescrever opioides.

Pacientes que deixaram de receber a prescrição algumas vezes recorrem às ruas para buscar heroína, que, em algumas cidades, pode ser mais barata que cerveja.

A heroína, segundo a polícia, é muitas vezes misturada com fentanil, um poderoso analgésico que teria causado várias mortes por overdose.

A comissão também recomenda um acesso facilitado a Naloxona, um spray nasal que funciona como antídoto de emergência e pode reverter a overdose. Eles também cobram financiamento a programas de monitoramento de drogas, para garantir que os pacientes não estejam armazenando ou revendendo medicamentos.

Resta saber se Trump irá seguir as recomendações da comissão. O relatório completo será divulgado em outubro.

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