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Em risco de nova epidemia de dengue, SP tem 2,5 criadouros de Aedes por residência

Há incidência também do vírus do tipo 2, que não circulava no Estado; doença está presente em 96% dos municípios de São Paulo

29 nov 2019
15h47
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SOROCABA - Um levantamento inédito realizado pela Secretaria da Saúde e divulgado nesta sexta-feira, 29, aponta uma média de 2,5 criadouros do mosquito da dengue em cada residência do Estado de São Paulo. Com 390 mil casos confirmados e 256 óbitos até o dia 11 de novembro, o Estado está em risco de uma nova grande epidemia da doença, segundo o superintendente de Controle de Endemias, Marcos Boulos. No próximo dia 2, a pasta lança uma nova campanha contra o mosquito Aedes aegypti, que também transmite a zika e a chikungunya.

A pesquisa encontrou a maior prevalência de larvas do mosquito em recipientes móveis, como vasos de plantas, garrafas pet e potes plásticos. Havia 1,3 criadouros destes por casa positiva. Os recipientes naturais - plantas, ocos de árvores e bambu, por exemplo - tiveram o menor índice de criadouros com larvas. Também tiveram índices pouco expressivos, os recipientes em depósitos elevados, como sótãos e forros; fixos, como calhas, lajes e piscinas, e ainda aqueles passíveis de remoção, como sucata e entulhos.

O levantamento, realizado entre os meses de outubro e novembro pelos municípios, com acompanhamento da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), abrangeu 642 municípios. Destes, 134 foram considerados em alerta devido à alta presença de larvas, enquanto oito municípios - Barra do Turvo, Bento de Abreu, Iguape, Jacupiranga, Pedrinhas Paulista, Restinga, São Vicente e Tuiuti - estão em situação de risco devido à elevada proliferação do mosquito.

A classificação é feita com base no número de recipientes com presença de larvas do Aedes em cada 100 imóveis pesquisados. Nas cidades em risco, foram achados mais de 3,9 recipientes a cada centena de imóveis.

Conforme Boulos, a presença de tantos criadouros com larvas alerta para o risco de uma nova grande epidemia de dengue nos próximos meses, quando há previsão de calor e chuvas, condições favoráveis à proliferação do mosquito. "Até agora, o tempo nos ajudou, pois tivemos períodos com menos calor e chuvas do que o esperado. No entanto, é possível que tenhamos uma explosão de casos a partir de janeiro, por isso é preciso redobrar os esforços na eliminação dos criadouros", disse.

Incidência maior de tipo de vírus que não circulava em SP

Um fator adicional de risco, segundo ele, é a incidência maior do vírus do tipo 2 da dengue, que antes não circulava no Estado. "Quem já teve dengue nos últimos anos, pode apresentar sintomas mais graves, caso pegue a doença com vírus de outro tipo, como o 2", explicou. O especialista chamou a atenção para um novo cenário da dengue no Estado.

"A gente já fala em endemia, quando somos obrigados a conviver com uma doença. Este ano, tivemos surtos epidêmicos de dengue até no inverno. Os casos aconteceram o ano todo, e com uma mortalidade 30 vezes maior do que no ano passado."

Em São Paulo, os números mostram que a doença está presente em 96% dos municípios, mas dez cidades concentram 43,2% dos casos confirmados. São elas: São José do Rio Preto (32.822), Campinas (26.246), Bauru (26.088), Araraquara (23.876), São Paulo (16.671), Ribeirão Preto (13.748), Birigui (7.916), Araçatuba (7.782), Presidente Prudente (7.584) e Guarulhos (6.383). Em 2019, o Estado registrou também 72 casos de zika e 280 da chikungunya, mas sem mortes em ambas as doenças.

Entre os dias 2 e 7 de dezembro, a pasta pretende engajar a sociedade civil, municípios, organizações públicas e privadas em uma grande mobilização de combate aos criadouros do mosquito. Serão realizados mutirões com apoio das prefeituras para a limpeza de casas, quintais e áreas públicas. Durante esta semana, uma força-tarefa das secretarias da Educação e da Saúde já atuou com foco na limpeza dos ambientes escolares, para que fiquem livres de criadouros durante as férias.

Estadão
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