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Em risco de epidemia, cidades já montam postos exclusivos para dengue no interior

Em Araraquara, São Joaquim da Barra, São José do Rio Preto e Franca, a administração municipal reforçou a estrutura diante da elevação dos casos. Em Guaíra, prefeitura confirmou a primeira morte

6 fev 2019
21h06
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SOROCABA - Com número elevado de casos e risco de epidemia, ao menos quatro cidades no interior de São Paulo já montaram postos de atendimento exclusivo para pacientes com sintomas de dengue. Em Araraquara, o 'dengário', como é chamado o polo estratégico da dengue, funcionará na próxima semana na sede da Vigilância Epidemiológica, com dois médicos e três profissionais de enfermagem.

Outras quatro unidades de saúde estenderam em duas horas adicionais o horário de funcionamento para dar conta da demanda, de cerca de 300 pacientes por dia. A cidade tem 906 casos confirmados de dengue este ano, de um total de 2 mil notificados. Em todo o ano passado foram 1.131 casos. O Estado mostrou que em janeiro deste ano foram registrados cinco vezes mais casos de dengue do que no mesmo mês em 2018; a predominância de casos com o sorotipo 2 preocupa.

Em São Joaquim da Barra, a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de São Joaquim passou a ser de referência exclusiva para a dengue, funcionando com horário ampliado, das 7h às 24horas. Os casos mais graves são encaminhados à Santa Casa. As outras unidades atendem os pacientes em geral. A cidade registrou quatro mortes de pacientes com suspeita de dengue hemorrágica - um caso já foi confirmado, com infecção pelo sorotipo 2 do vírus. A prefeitura decretou estado de calamidade pública em razão da epidemia. O início das aulas na rede municipal foi adiado.

A Secretaria da Saúde de São José do Rio Preto anunciou a criação de um centro de tratamento exclusivo para dengue, com capacidade para 60 leitos. A unidade começa a funcionar no dia 18. O objetivo é desafogar os hospitais e unidades de pronto-atendimento, já que a cidade vive um surto de dengue, com predominância do sorotipo 2, a forma mais grave da doença. Um segundo centro será instalado se houver necessidade. A pasta negocia com os hospitais a ampliação no número de leitos exclusivos para pacientes com a doença. Este ano, foram confirmados 303 casos positivos, mas há outros 1.184 em investigação.

Em Franca, todas as unidades de saúde passaram a oferecer uma sala de hidratação para as pessoas com sintomas. Conforme a Secretaria de Saúde, a medida evitar a necessidade do paciente se deslocar até o pronto-socorro central em busca de atendimento. A pasta anunciou a criação de um Comitê de Mobilização com representantes da sociedade civil para discutir estratégias de combate ao mosquito. A cidade tem 28 casos confirmados e outros 1.019 em investigação somente este ano.

Multa em Araraquara pode chegar a R$ 22 mil

A multa para quem mantém criadouros do mosquito Aedes aegypti pode chegar a R$ 22 mil, em Araraquara. Os novos valores constam de projeto aprovado pela Câmara de Vereadores, na noite de terça-feira, 5. O valor mais alto será aplicado em empresas, em casos de reincidências e agravantes. Para as residências com até três criadouros, o valor mínimo subiu de R$ 55,30 para R$ 331,80. A Câmara também autorizou a prefeitura a contratar de forma emergencial até 500 pessoas, pelo prazo de seis meses, para atuar na limpeza de casas, terrenos e em outras ações de combate ao transmissor da dengue.

A prefeitura de Guaíra, região norte do Estado, confirmou nesta quarta-feira a primeira morte por suspeita de dengue no município. Um homem de 44 anos, atendido no pronto-socorro municipal na última sexta-feira, morreu após ser transferido em estado grave para a Santa Casa de Barretos. Exames preliminares indicaram que ele estava com dengue, mas serão feitas novas análises para confirmar a causa da morte. Outro morador da cidade está internado com os mesmos sintomas no hospital de Barretos. Guaíra tem 29 casos confirmados e 61 suspeitos de dengue.

Estadão

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