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Eficácia da Coronavac: veja perguntas e respostas sobre a vacina do Butantan

Entenda como a eficácia de 50,30% pode ter ajudar no combate à covid e se o imunizante desenvolvido pela Sinovac é 'pior' do que vacinas como a da Pfizer

12 jan 2021
19h57
atualizado em 18/1/2021 às 15h34
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A taxa geral de eficácia da Coronavac se revelou de 50,38%. O que isso significa?

Significa que, de cada cem pessoas vacinadas que tiverem contato com o vírus, 50,38% não vão manifestar a doença graças à imunidade conferida pela vacina. O cálculo da eficácia geral leva em conta a análise de todos os casos de covid-19 registrados entre os voluntários dos testes clínicos. Dos 9.242 participantes, 252 foram diagnosticados com covid. Destes, 167 tomaram o placebo e 85, a vacina, ou seja, graças ao imunizante, o número de casos registrados entre os vacinados foi 50,38% menor.

Qual é a diferença desse número para o que foi anunciado anteriormente, de 78%?

A taxa mais alta foi calculada com base em um recorte do estudo, que considerou somente a ocorrência de casos leves de covid-19 que demandaram alguma intervenção médica. Foram 31 casos assim no grupo placebo e 7 no que foi vacinado. Ou seja, mesmo entre quem acabou ficando doente, a vacina reduziu em 78% a chance de ter uma doença leve que precise de assistência médica. Isso sim seria só a gripezinha.

Também tinha-se falado em 100% de proteção contra casos graves e moderados. Isso se mantém?

O estudo avaliou, entre os voluntários contaminados, quantos tiveram quadro grave ou moderado. Sete pessoas ficaram nesta situação, todas do grupo placebo. Foi desse recorte que se falou em proteção de 100%, mas o número de casos é muito pequeno e não tem significância estatística, de acordo com o Butantã. Espera-se que a vacina proteja contra hospitalizações, mas ainda não dá para saber exatamente em qual taxa.

Uma vacina com essa eficácia pode ter impacto no combate à pandemia?

Os especialistas defendem que sim e recomendam a vacinação, mas dizem que, para ter um impacto protetor na população como um todo e conseguir frear a pandemia, é importante que o maior número de pessoas se vacine para que, mesmo que nem todos desenvolvam a imunidade, aqueles protegidos possam funcionar como barreiras para a disseminação do vírus.

Se a Coronavac tem 50,38% de eficácia, significa que ela é pior que a da Pfizer, que tem 95%?

Os cientistas explicam que não é possível comparar as vacinas porque elas foram feitas com metodologias diferentes. Uma delas foi a definição de casos de covid usada em cada protocolo de pesquisa. No caso da Coronavac, foram considerados para avaliação quaisquer casos leves da doença (mesmo os que não precisam de atendimento). Como a vacina parece ser mais eficaz para diminuir casos mais graves da doença, se forem incluídos na análise os casos mais leves da doença, essa diferença de incidência da doença entre placebo e vacinados tende a ser menor e a eficácia, portanto, cai.

A mudança na apresentação dos números pode atrapalhar a avaliação da Anvisa para liberação da vacina?

A expectativa é que isso não atrapalhe porque a Anvisa fixou em 50% o índice mínimo de eficácia exigido para autorização do uso emergencial de um imunizante contra a covid.

Onde a Coronavac já foi testada e aprovada?

A agência sanitária da Indonésia autorizou na segunda-feira o uso emergencial da Coronavac. O país deve começar ainda nesta semana a imunizar grupos de risco e profissionais da saúde e funcionários públicos. A Indonésia conduziu seus próprios testes clínicos de fase três da vacina com 1.620 voluntários. Os resultados anunciados indicaram a taxa de eficácia de 65,3%.

A Turquia começará a administrar vacinas na quinta ou sexta-feira, disse o presidente Tayyip Erdogan. O país comprou 50 milhões de doses da Coronavac da Sinovac e recebeu 3 milhões de doses iniciais. Ancara planeja dar as primeiras doses a profissionais de saúde e pessoas com mais de 65 anos. A Bolívia autorizou na semana passada a utilização de duas vacinas contra covid-19 no país, entre elas a Coronavac. Na China, autoridades de saúde disseram que cerca de 9 milhões de doses já foram produzidas para serem aplicadas no país.

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Estadão
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