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De ioga a contação de histórias, lives de Instagram ganham espaço durante quarentena

Professores e profissionais de áreas diversas criam agendas de 'lives' nas redes sociais para compartilhar experiências de forma gratuita

25 mar 2020
15h11
atualizado em 26/3/2020 às 10h08
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SÃO PAULO - "Sem tempo, irmão. Estou com a agenda cheia de lives", brinca uma postagem na internet, que resume a mudança de hábitos de parte da população neste momento de necessário isolamento social diante do avanço do novo coronavírus.

Assim como famílias e amigos têm adotado métodos para conversar por vídeo à distância, professores e profissionais de áreas diversas utilizam a tecnologia para transmitir ensinamentos ao vivo e de forma gratuita, geralmente pelo Instagram - com permanência apenas 24 horas até o material ser automaticamente apagado.

Profissionais de diferentes áreas utilizam a tecnologia para transmitir ensinamentos ao vivo e de forma gratuita
Profissionais de diferentes áreas utilizam a tecnologia para transmitir ensinamentos ao vivo e de forma gratuita
Foto: Reprodução/Arquivos pessoais / Estadão

Os tipos de conteúdo variam: vão de artesanato a música, idiomas, exercícios, culinária e atividades para crianças, entre outros. Até famosos têm aderido à ideia, como a cantora Anitta, que está fazendo lives diárias com outros profissionais, em que ela participa de aulas de introdução ao francês, ginástica e outros temas.

A professora de dança Isadora Zendron, de 31 anos, de São Paulo, começou na semana passada a realizar três aulas semanais de "Boate Class", com coreografias para dançar em festas. Assim como costumava ocorrer nas presenciais, as aulas pela live são com luzes coloridas, semelhantes a de uma balada, e as roupas vestidas pela instrutora são inspiradas na moda dos anos 80 e 90.

"A ideia é criar esse ambiente de que estamos em uma boate. E, na boate, nunca se erra, sempre se dança do nosso jeito", compara. "É para incentivar as pessoas a fazerem na casa delas. É muito fácil, quando se está em casa, ficar de pijama o dia inteiro. Convido a botar o 'lookinho', fingir que se está saindo de casa."

Isadora conta que alunos habituais têm participado das transmissões junto de colegas de apartamento, amigos e familiares. Em uma das lives, chegou a reunir mil pessoas. "Estou conseguindo atingir gente que nunca atingiria se não fosse a internet, de outros países. Minha aula tem muito mais essa questão de movimentação, de se divertir, dar risada, do que de perder peso", conta. "Tiveram amigos que combinaram de fazer a aula junto por hangout (videochamada), para dançarem, como se fosse uma festinha."

Já Vanessa Joda, de 40 anos, uma das idealizadoras do Yoga Para Todos, de São Paulo, juntou-se com outras instrutoras para criar um cronograma de transmissão de aulas de yoga e meditação diárias. "No primeiro dia, tivemos quase 700 pessoas, foi uma loucura."

"Começo trocando um pouco de ideia, aí vem a aula, faço o relaxamento e tem uma mini roda de conversa (com os espectadores que comentam na transmissão)", explica. "É tudo novo para mim também, fico super preocupada porque não estou vendo as pessoas."

Ela conta que a yoga também tem a vantagem de não exigir grandes espaços e acessórios. "Precisa só dela (da pessoa). Um tapetinho também é melhor. Como a maioria não tem, pode ser um tapetão mesmo, daí coloca uma canga ou uma toalha em cima (diretamente no chão não é recomendado, porque pode escorregar)."

"A ioga é uma ferramenta que ajuda muito as pessoas nesses processos (de tensão). Você precisa estar lá, respirar. Cada pessoa no seu tempo, fazendo o que pode", explica. "A minha mãe, que nunca tinha praticado, fez pela primeira vez na semana passada, com 76 anos."

Lives também trazem atividades para fazer com crianças

A experiência é nova para confeiteira Karina Palmquist, de 42 anos, de Curitiba, que fez uma transmissão ao vivo pela primeira vez no fim de semana. "Foi a primeira live da minha vida, estava super nervosa, ainda mais com os meus filhos em casa", comenta. "Mas isso também mostra um pouca a realidade de muitas mães."

A ideia surgiu como uma atividade durante a quarentena, que está fazendo com o marido (hipertenso), a mãe (idosa) e os filhos (asmáticos, e um deles também autista). "Não estou entregando encomendas, cancelei tudo. Resolvi cuidar da gente nesse período (de pandemia)", comenta. "Além de me ajudar ocupando a cabeça, ajuda outras mães. Precisamos estar juntas nesse momento."

As receitas escolhidas são versáteis e com ingredientes que grande parte das pessoas têm em casa. As três primeiras foram de biscoito, bolo e pão. "São massas que se pode criar vários sabores, com vários formatos", explica. "Ajuda as mães que devem estar passando por isso, de pensar 'o que faço com as crianças trancadas dentro de casa', além de diversificar o cardápio."

Já a contadora de histórias Mariane Bigio, de 32 anos, do Recife, começou a fazer lives diárias há uma semana. Junto com outras profissionais do meio, criou uma cronograma para permitir que os pais tenham programação durantes várias faixas de horário ao longo do dia, organizadas pela hashtag #viralizahistoria e #quarentenacriativa. "Tem pela manhã e até a noite, tem histórias com os mais diversos sotaques, com livros, sem livros, autorais."

Ela conta que tenta criar um ambiente interativo durante as transmissões. "Fico acompanhando os comentários (durante as lives), às vezes paro a história e falo: 'Lucas, do Mato Grosso, você viu isso que aconteceu?', assim parece que eles estão comigo, presentes na história", conta.

Durante a live, Mariane também ensina uma atividade relacionada à história. Em uma das transmissões, por exemplo, mostrou como se faz a dobradura de uma borboleta. Além disso, costuma encerrar os vídeos cantando uma adaptação que criou para a música O sapo não lava o pé, que virou O sapo que não lava a mão.

"Sempre penso em uma atividade ligada à história, também pensando em ter um desdobramento offline. A gente fala tanto das telas, de não ser bacana expôr demais. Nesse momento a gente tem que ficar mais tranquilo com isso, mas, ao mesmo tempo, pensar em aproveitar esse tempo de outra forma, com atividades manuais, que estimulam a criatividade."

Ela conta que as transmissões chegam a reunir até 2 mil pessoas, número que chega a cerca de 3,4 mil com as pessoas que assistem ao vídeo já gravado. O conteúdo também é repostado no YouTube. "A gente está isolado por um bem maior, mas isso não quer dizer que a gente está sozinho, a gente está conectado."

Confira os perfis para assistir as lives

Boate Class

Horários: aula fixa na quarta-feira, 19h, e em outras duas datas por semana

Confeitando Doces com Karina

Horário: todos os dias, às 15h30

Mariane Bigio (contação de histórias)

Horário: todos os dias, às 18h

Yoga Para Todos

Horários: segunda-feira, às 14h, de terça a sexta-feira, às 19h, e horários variados nos fins de semana

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Estadão
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