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Como testar mais pessoas para o novo coronavírus sem realmente precisar de mais testes

Em vez de realizar um exame para cada pessoa, os laboratórios poderiam reunir testes de pequenos grupos de pessoas e analisá-los todos de uma vez

30 jul 2020
14h11
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Americanos estão esperando por mais tempo para receber os resultados de testes para o novo coronavírus e os principais laboratórios avisam que o prazo de entrega é de até duas semanas. A capacidade de teste falhou em acompanhar o aumento da demanda, mas os pesquisadores de saúde pública acham que há uma maneira de aumentar rápida e drasticamente a capacidade em muitos Estados.

Em vez de realizar um teste para cada pessoa, os laboratórios poderiam reunir testes de pequenos grupos de pessoas e analisá-los todos de uma vez. Como 98,9% das pessoas que agora fazem testes no Estado de Nova York não têm o novo coronavírus, a maioria desses testes reunidos seria negativa. Para os que obtiverem resultados positivos, os testes podem ser executados um de cada vez com partes não utilizadas das amostras originais, obtendo os mesmos resultados usando menos recursos.

"Isso pode funcionar, e realmente funciona", disse Chris Bilder, estatístico da Universidade de Nebraska, que escreveu extensivamente a respeito de testes agrupados. "Isso tem sido usado de muitas maneiras diferentes e, desde que a prevalência da doença seja baixa, você terá alguns bons benefícios."

Bilder e seus colegas estimam que três Estados - Connecticut, Maine e Vermont - poderiam quadruplicar sua capacidade de testes com o agrupamento. Um quarto, Nova York - poderia chegar próximo àquele nível, adicionando 294% de capacidade. Outros sete Estados, principalmente no nordeste, mas também Havaí e Michigan, poderiam mais do que triplicar sua capacidade.

Os estatísticos do governo tiveram essa ideia na década de 1940, quando precisaram de uma maneira mais eficiente para examinar recrutas da Segunda Guerra Mundial para a sífilis. De repente, isso se tornou especialmente relevante.

Em um artigo de 1943 intitulado A detecção de membros defeituosos em grandes populações, o economista Robert Dorfman escreveu que isso poderia "gerar economias significativas em esforços e despesas quando uma eliminação completa de unidades defeituosas for requisitada".

Até agora, os testes agrupados eram reservados para laboratórios de saúde pública que precisavam de uma maneira barata para analisar milhares de amostras para doenças sexualmente transmissíveis, testes que exigem o uso de produtos químicos caros para serem realizados.

Nas últimas semanas, a Food and Drug Administration (FDA, agência que controla remédios e alimentos nos Estados Unidos) permitiu que um grande laboratório médico agrupasse testes para o novo coronavírus. Fora dos Estados Unidos, a técnica é mais popular. Como os laboratórios geralmente coletam mais amostras do que precisam, eles têm material suficiente para fazer uma segunda análise, se necessário, sem exigir que a pessoa volte.

"Estamos realmente trabalhando para aumentar o agrupamento de testes", disse à Fox News Deborah Birx, coordenadora de resposta ao novo coronavírus da Casa Branca. Ela é uma das várias autoridades de saúde que estão incentivando a abordagem. "Sabemos que isso pode aumentar drasticamente nossa produtividade."

A Quest Diagnostics nunca agrupou testes para outras doenças, mas começou a fazê-lo este mês para o novo coronavírus em seus laboratórios em Marlborough, Massachusetts, e Chantilly, Virgínia. O laboratório médico processa 130.000 testes por dia, cerca de um sexto de todos os realizados nos Estados Unidos. Seu tempo médio de espera aumentou de alguns dias no início de junho para uma semana no final de julho.

Agora, o laboratório realiza quatro testes de uma só vez com as amostras vindas do nordeste, onde a prevalência do novo coronavírus é baixa e onde há maior potencial para aumentar a capacidade para testes. "Se você colocar quatro amostras para uma única testagem e todos obtiverem resultados negativos, você terá quatro vezes a capacidade", disse James Davis, vice-presidente executivo da Quest Diagnostics.

Davis espera liberar mais testes para áreas mais atingidas no sul e acelerar a divulgação de resultados nas duas regiões.

"A demanda no sudeste - Flórida, Geórgia, Carolina do Sul - é muito alta e não podemos lidar com isso localmente", disse ele.

A Quest não explorou o agrupamento de grupos maiores, o que poderia criar ganhos de capacidade ainda maiores. Os pesquisadores temem que, à medida que o tamanho de um agrupamento aumente, o teste pode perder a sensibilidade e deixar passar alguns casos em que os pacientes têm cargas virais muito baixas, geralmente no início ou no fim de suas infecções. Pesquisadores na Alemanha reuniram até 30 amostras, mas observam que "amostras únicas positivas limítrofes podem escapar da detecção em grandes agrupamentos".

Nos Estados Unidos, a primeira aprovação para um teste agrupado para o novo coronavírus ocorreu em Nebraska. Pesquisadores do laboratório de saúde pública do Estado foram capazes de mostrar ao FDA que seria possível realizar cinco testes ao mesmo tempo sem diminuir a precisão. Nebraska usou esse teste agrupado para controle da saúde pública quando os casos eram baixos, mas teve de voltar aos testes individuais quando o vírus se espalhou mais nos grupos que testava, como trabalhadores de frigoríficos.

Steven Hinrichs disse que sua equipe começou a deixar passar alguns resultados positivos fracos quando aumentou o número de testes agrupados para mais de cinco usando um teste desenvolvido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). "Não queríamos perder nenhum resultado", disse Hinrichs. "Ao definir cinco como limite, não perdemos nenhum resultado." Sua equipe agora está investigando se as versões agrupadas de outros protocolos de teste podem aumentar e permanecer precisas.

Recentemente, um quarto dos testes para o novo coronavírus do Arizona teve resultado positivo. Seria preciso apenas um aumento de 10% na capacidade com o agrupamento de testes, provavelmente não o suficiente para justificar a criação de um novo sistema. Vermont tem a menor taxa de resultados positivos para o novo coronavírus do país e pode aumentar sua capacidade de teste em 326% usando o agrupamento de testes, de acordo com as estimativas de Bilder.

Na prática, esses ganhos podem ajudar a acelerar os testes em outros locais: atualmente, cerca de um terço dos testes para o novo coronavírus são realizados por duas empresas de laboratórios nacionais, que costumam enviar amostras para todo o país para acelerar o tempo de processamento.

O teste agrupado pode ser particularmente útil para grupos com menor risco de doença. Empregadores, câmpus universitários ou equipes esportivas profissionais que desejam identificar indivíduos infectados antes do início de um surto podem usá-lo para rastrear um grande número de pessoas regularmente, sem usar os suprimentos de teste necessários para pessoas com sintomas ou exposição conhecida ao vírus. O Colby College, no Maine, por exemplo, anunciou planos para testar os alunos no câmpus duas vezes por semana neste outono.

O Centro Médico da Universidade de Nebraska espera usar testes agrupados para rastrear pacientes que procuram cirurgias eletivas no hospital. Uma clínica de saúde na Alemanha já usou a técnica para examinar seus trabalhadores.

Na maioria das situações em que testes agrupados foram usados ao longo dos anos - na triagem de sangue para doenças raras ou em soldados para doenças sexualmente transmissíveis - o objetivo era reduzir os custos. Isso pode não acontecer com testes agrupados para o novo coronavírus: a Quest, pelo menos, planeja cobrar das seguradoras o mesmo preço pelo seu novo teste agrupado, como faria se cada teste fosse executado individualmente. Porém, por causa da escassez de materiais e máquinas de teste, o agrupamento de testes poderia obter um tipo diferente de economia, permitindo que mais pessoas obtivessem resultados com a mesma quantidade de suprimentos de teste./ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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Estadão
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