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Como os casais conseguirão superar os conflitos durante a pandemia?

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19 mai 2021 14h26
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Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de divórcios no país cresceu 75% em cinco anos. O segundo semestre de 2020 contabilizou o maior número de divórcios registrados em cartórios no Brasil: foram 43,8 mil processos, segundo levantamento realizado pelo Colégio Notorial do Brasil - Conselho Federal (CNB/CF). Apenas no mês de julho, houve um aumento de 260% sobre a média dos meses anteriores. E tal aumento está intrinsecamente relacionado à pandemia.

Há mais de um ano, a rotina dos brasileiros mudou. Por conta do isolamento social, muitos casais passaram a conviver 24 horas por dia. Somam-se a essa convivência intensificada o medo da Covid-19; o receio de perder o emprego diante da crise financeira presente no Brasil; a diminuição e até mesmo a falta de atividades físicas e mentais, o surgimento de novas atribuições, como o acompanhamento das aulas online dos filhos... Equação perfeita para tornar as pessoas mais sensíveis e irritadiças, o que pode levar ao desgaste das relações interpessoais, que pode levar ao divórcio.

Alguns sentimentos ou fatores nos indicam que chegou a hora de tomar a decisão pelo divórcio, que extrapolam a irritabilidade: quando você perde o interesse pela vida da outra pessoa; quando não há mais desejo sexual; quando não sente mais prazer em conversar com a outra pessoa; quando há discussões, acusações, falta de respeito, falta de admiração.

Se o casal possui filhos e optou por se divorciar, o primeiro passo para garantir que a separação conjugal não cause tantos danos emocionais às crianças é ter cuidado para não transferir a raiva e a frustração do fim do casamento para as crianças ou adolescentes. Além disso, todos precisam se adaptar a uma nova rotina e novas formas de conviver entre si. A comunicação clara entre todos é fundamental, assim como estimular os filhos a expressarem como se sentem em relação a esta situação. A procura de um profissional, no caso uma psicóloga, seria ideal para nortear esse processo, tanto para a criança como para o casal.

Algumas mudanças são inevitáveis e até importantes, porém cabe aos pais aliviar o máximo possível do impacto que a separação causará na vida dos filhos. Se for possível, é interessante manter a criança na mesma escola e com suas atividades normais. Dessa maneira, ela não sentirá que perdeu as referências que trazem segurança — como os coleguinhas e professores, por exemplo. O convívio com os familiares do pai e da mãe também precisa ser mantido para que ela não sinta que seus vínculos estão ameaçados.

É importante que os pais notifiquem a escola sobre a fase pela qual a família está passando e peçam que que os professores fiquem atentos caso haja mudanças no comportamento escolar da criança.

Ainda, não se pode permitir que o término do casamento afete a relação entre pai e filho. Portanto, jamais fale mal de seu(sua) ex-companheiro(a) para seus filhos.

No entanto, se a relação entre o casal ainda não se desgastou a ponto de haver separação, é possível estabelecer uma boa convivência durante a pandemia, mesmo que passem muitas horas juntos em casa. Uma primeira dica é organizar as regras da casa: estabelecer rotinas, conversar sobre a divisão das obrigações da semana e, de tempos em tempos, revisitar esses acordos, para se certificarem de que ambos estão satisfeitos. Esses pequenos ajustes podem evitar futuros atritos.  

Outras práticas interessantes para estabelecer uma boa convivência são exercitar a comunicação e a compreensão das diferenças entre as pessoas, para contribuir para o alinhamento das expectativas. Essas posturas nos ajudam a cultivar relações saudáveis, pois incentivam a praticar o diálogo no lugar de discussões. Uma dica? Escute mais... é questão de treino!

Outra estratégia é o casal se organizar para realizar não apenas obrigações juntos, mas também atividades prazerosas: praticar um esporte ou atividade física em família, assistir a um filme ou série, engajarem-se em um curso de interesse de ambos, jogar cartas ou inventar brincadeiras. Isso pode tornar o ambiente mais leve e descontraído.

Porém, não é necessário nem saudável passar todo o tempo juntos. O respeito à individualidade e ao espaço de cada um é outra estratégia fundamental para a melhor convivência do casal. Portanto, preservem tempo para a prática de atividades individuais, como a leitura de um livro, o uso das redes sociais, a realização de um curso de interesse pessoal. E muitas dessas atividades exigem certa privacidade e um espaço adequado. Respeitar esse limite é também uma demonstração de parceria. Ao organizarem a rotina da casa, não se esqueçam de incluir esse tempo precioso para si!

A sugestão é que reflitamos bastante na construção e manutenção de relacionamentos saudáveis, que nos tornem cada vez mais felizes. Podemos sim encontrar dificuldades, afinal, somos humanos! Nesse caso, a ajuda de um profissional de psicologia é sempre bem-vinda.

Consultoria: Dra. Mariangela Suosso, psicóloga (CRP 14031-06), psicanalista e mediadora de conflitos.

Instagram: @psimariangelasuosso

Saúde em Dia
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