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China lança plano para equiparar medicina tradicional com a ocidental

6 dez 2016
11h16
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A China lançou um plano para que sua medicina tradicional goze do "mesmo status" que a ocidental, no que diz respeito a financiamento, desenvolvimento acadêmico e proteção jurídica, anunciou nesta terça-feira o vice-ministro de Saúde e Planejamento Familiar do país asiático, Wang Guoqiang.

Wang fez esse anúncio ao apresentar o primeiro Livro Branco da Medicina Tradicional, que reúne vários projetos para desenvolver este saber, precisamente um ano depois que uma de suas praticantes, a doutora Tu Youyou, obteve um Nobel de Medicina, o primeiro dessa disciplina.

Segundo Wang, esse reconhecimento internacional, unido a outros, como o fato de que a acupuntura e a moxabustão são considradas Patrimônio Imaterial da Unesco, e que vários vade-mécum recopilados por médicos chineses há milênios estejam incluídos na Memória do Mundo dessa mesma organização, proporcionaram que a medicina tradicional chinesa se encontre em um "momento histórico de desenvolvimento", afirmou Wang.

O Livro Branco defende que a medicina tradicional, às vezes criticada no Ocidente por sua falta de base científica, "teve impacto positivo no progresso da civilização humana" e demonstrou sua utilidade no combate de epidemias modernas como a gripe A, o vírus HIV (causador da aids) e a Sars.

O documento afirma que a medicina tradicional chinesa e a ocidental "têm cada uma seus pontos fortes" e podem ser complementares, por isso pede um aumento da cooperação entre ambas as disciplinas.

A medicina tradicional, como explica o Livro Branco, baseia seu saber em testes de acerto-erro com diferentes plantas e substâncias, mas, além disso, também reune aspectos da filosofia oriental, que gira em torno do conceito de harmonia, o que se aplica, por exemplo, na crença de que para estar sadio é preciso estar bem inserido na sociedade.

Esta medicina costuma ter foco maior na prevenção, e os chineses que a praticam não costumam abrir mão, necessariamente, dos tratamentos científicos nascidos no Ocidente.

O mais comum é que os pacientes chineses recorram com frequência a "sua" medicina em tratamentos de doenças não muito graves ou crônicas, por exemplo para o alívio de dores, mas que, por outro lado, utilizem medicamentos e técnicas da medicina ocidental em moléstias graves e ações de urgência, assim como em cirurgias.

Nisso influi o fato de que o sistema de saúde chinês seja pago para muitos cidadãos, mas Pequim já prometeu universalizar sua seguridade social em longo prazo, já que a medicina tradicional é, em geral, mais barata.

"A medicina tradicional enfatiza a harmonia, a prevenção, e um tratamento simples das doenças humanas", resumiu hoje o vice-ministro, que negou que esta disciplina tivesse ficado obsoleta: "Ela segue inovando, fortalecendo seu método e se transformando".

O Livro Branco responde à estratégia traçada pelo Plano Estratégico que o Conselho de Estado lançou para desenvolver a medicina tradicional chinesa entre 2016 e 2030.

Segundo o documento, existem atualmente 3.966 hospitais dedicados integralmente a esta medicina na China, com 452 mil praticantes e 910 milhões de atendimentos médicos por ano, além de 752 mil estudantes nos quase 250 centros de formação (a maioria deles combinam a ciência oriental com a ocidental).

O livro também ressalta o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa no mundo todo, onde a acupuntura é reconhecida como método médico em mais de uma centena de países, e 18 deles incluem tratamentos orientais em seus planos de saúde para a população.

A China enviou equipamentos médicos específicos para suas práticas de medicina tradicional para mais de 70 países, com especial atenção para regiões como América Latina e África.

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EFE   
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