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Dia Mundial da Diabete: tire suas dúvidas sobre a doença

Saiba o que é, quais são os sintomas e alimentos indicados para quem tem a condição, que afeta 13 milhões de brasileiros

14 nov 2019
11h52
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O Dia Mundial da Diabete é celebrado anualmente em 14 de novembro e foi criado em 1991 pela Federação Internacional da Diabete (IDF, na sigla em inglês) e Organização Mundial da Saúde. Neste ano, o tema da campanha é Família e Diabete, cujo objetivo é conscientizar sobre o impacto da doença não apenas em quem a tem, mas em toda a família. Com isso, uma rede de apoio precisa fazer parte do cuidado, prevenção e educação sobre a enfermidade.

Apesar de toda essa mobilização, existem alguns mitos sobre a condição e informações importantes que as pessoas desconhecem. Uma pesquisa realizada pela Yougov, a pedido da farmacêutica Merck, mostrou que 32% dos 1.002 brasileiros entrevistados não sabem quais medidas podem impedir ou retardar o desenvolvimento da doença.

Participaram da pesquisa online homens e mulheres das cincos regiões do País, com mais de 18 anos de idade. O levantamento, realizado em outubro desse ano, ouviu 9.350 adultos em nove países (Brasil, México, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Malásia, Vietnã, China, Arábia Saudita e Chile).

Segundo a IDF, mais de 50% dos casos de diabete tipo 2 pode ser prevenido, mas 46% das pessoas nesse estudo não sabem disso. Embora tenha fatores genéticos envolvidos, essa doença crônica pode ser evitada por meio de hábitos de vida saudáveis.

Uma vez que o diagnóstico precoce é essencial para o melhor controle da condição, monitorar o nível de glicose (açúcar) no sangue também é importante. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de pessoas convivem com a doença no País. A seguir, confira algumas dúvidas e respostas sobre a diabete.

O que é diabete?

A diabete, também conhecida por diabetes mellitus (DM), é uma doença crônica provocada pela produção insuficiente de insulina ou pela má absorção dessa substância. Esse hormônio é responsável pela quebra das moléculas de glicose, transformando-as em energia para o organismo.

Quando esse processo não ocorre adequadamente, o nível de glicose no sangue fica alto - a chamada hiperglicemia. Se esse quadro se prolongar por muito tempo, sem controle, a doença pode levar a danos em órgãos, nos vasos sanguíneos e nos nervos.

Quais os sintomas da diabete?

Os sintomas da diabete podem variar de acordo com o tipo da doença. No geral, a pessoa pode sentir fome e sede excessivas e vontade de urinar várias vezes ao dia. No tipo 1, há perda de peso, fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náusea e vômito. No tipo 2, podem ocorrer formigamento nos pés e mãos (que deve ser melhor investigado), visão embaçada e infecções de pele, rins e bexiga.

Segundo a pesquisa da Yougov, 25% das pessoas acreditam que sinais e sintomas da diabete em estágio inicial podem ser apenas observados. Mas, geralmente, a doença não se manifesta de início e é diagnosticada por meio de exames laboratoriais.

O que é pré-diabete?

Trata-se de uma condição em que o nível de açúcar no sangue está acima do normal, entre 100mg/dL e 125mg/dL, mas não alto o suficiente para diagnosticar como diabete. O risco é alto para o desenvolvimento do tipo 2, mas não significa que o quadro vai, de fato, se agravar. Nesse ponto, é mais fácil reverter o cenário com mudanças no estilo de vida.

A pré-diabete nem sempre apresenta sintomas, então a pessoa pode ter e não saber. Mas quando há sinais, eles podem ser os da diabete em si e levar a complicações. Por isso, é importante consultar um médico e avaliar o nível de glicose com alguma periodicidade.

O que é diabete tipo 1?

Quando a glicemia em jejum é igual ou superior a 126mg/dL, o médico já sugere que se trata de diabete. O tipo 1 é mais comum em adolescentes e ocorre quando o sistema imunológico ataca equivocadamente as células do pâncreas e impede a produção de insulina para metabolizar a glicose.

Sabe-se que há influência genética, mas 26% das pessoas da pesquisa da Yougov não sabem que ter um membro da família com diabete aumento o risco de desenvolver a doença. Dependendo da gravidade, a diabete tipo 1 pode ser controlada com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, o tratamento consiste no uso de insulina e outros medicamentos ajudam a controlar a glicose.

O que é diabete tipo 2?

É a forma mais comum da diabete, representando 90% dos casos registrados no Brasil e sendo mais comum em adultos, embora crianças também possam apresentar. A diabete tipo 2 geralmente está associada ao sobrepeso; outros fatores de risco incluem: hipertensão, maus hábitos alimentares, sedentarismo e baixo nível de colesterol bom.

O tratamento também pode ser feito com insulina, mas é preciso avaliar os casos individualmente. Medicamentos que impedem a digestão e absorção de carboidrato (que se transforma em glicose) e que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas também podem ser utilizados.

O que é diabete gestacional?

Como o próprio nome diz, é uma diabete que ocorre durante a gestação. Não necessariamente a mulher teve a doença antes de engravidar nem continuará tendo após o parto. A enfermidade pode aparecer nessa fase porque os hormônios produzidos para manter o bebê reduz a ação da insulina no organismo.

Os níveis de glicose no sangue ficam acima do normal, mas também não se classifica como diabete tipo 2. Alguns fatores de risco são idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, síndrome dos ovários policísticos, hipertensão na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

Diagnóstico da diabete

O diagnóstico da diabete pode ser feito com um simples exame de sangue que vai medir a taxa de glicemia. Caso haja alteração, o médico pode solicitar um teste complementar chamado de curva glicêmica. O exame é feito em diversas etapas, em que são coletadas amostras de sangue em um tempo determinado, geralmente a cada 30 minutos. Nos intervalos, a pessoa ingere um xarope de glicose. Procure um médico da rede pública ou privada de saúde para solicitar as avaliações.

Alimentação e diabete

Quando se recebe o diagnóstico de diabete, o medo de ficar sem comer tudo que se comia antes é quase imediato. Há restrições, de fato, mas é possível se alimentar de forma saudável e ainda consumir um doce ou outro com a devida orientação de um especialista. O ideal não é seguir um regime restritivo, mas fazer uma reeducação alimentar.

Independente do tipo da diabete, a qualidade da alimentação deve ser a mesma, mas há algumas diferenças. No caso das pessoas com pré-diabete, a principal recomendação para combatê-la é reduzir a ingestão de açúcar, não apenas dos doces, mas de alimentos muito processados. Evitar farinha branca é uma recomendação. Para consumir, indicam-se grãos, cereais integrais, legumes e verduras.

Quem tem diabete tipo 1 e usa insulina ultrarrápida pode ter uma liberdade nutricional um pouco maior. Para quem faz um tratamento fixo de insulina ou usa apenas medicamentos, o importante é manter metas de carboidratos por refeições. No caso da diabete tipo 2, a prioridade é a perda de peso a quem precisa e se atentar ao total de carboidratos e de calorias ingeridas.

No geral, incluir fibras, leguminosas, frutas frescas, vegetais, gorduras boas como azeite, oleaginosas, peixes e carnes magras é indicado. Controlar o açúcar, sal, frituras, colesterol e gordura saturada é bom para todas as pessoas e fazer atividades físicas, pelo menos 30 minutos por dia, é recomendável. Leia mais sobre alimentação para pessoas com diabete no site do Ministério da Saúde.

Estadão
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