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Conheça os diferentes tipos de câncer de mama

Doença é classificada de acordo com a presença ou ausência de determinados receptores e conhecer cada um deles ajuda a definir o melhor tratamento

21 out 2019
10h50
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Quando se fala em câncer de mama, pode parecer que a doença é sempre igual para todas as pessoas. No entanto, nunca foi tão real o que se costuma dizer: cada caso é um caso. Do ponto de vista médico, identificar exatamente o tipo da enfermidade, como ela se desenvolve e age, permitiu criar tratamentos mais eficazes. Do ponto de vista de quem é diagnosticado, conhecer o que está no próprio corpo traz sentido ao processo que, conforme disse Ana Furtado, pode ser uma "grande professor".

O primeiro fato a se entender é que o câncer de mama ocorre devido à multiplicação desordenada de células mamárias. Esse processo gera células anormais, que se replicam rapidamente e vão formar o tumor. Por conta das características próprias de cada caso, a doença vai evoluir de diferentes formas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse tipo de enfermidade é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, correspondendo a cerca de 29% dos casos novos a cada ano no País. Nos homens, a doença representa 1% do total de casos registrados.

Diante do diagnóstico do câncer de mama, é comum que se comece a fazer comparações com quem já fez ou está fazendo tratamento. "Por que ela não está fazendo quimioterapia e eu estou?", algumas podem se perguntar. Por isso, segundo o oncologista Carlos Henrique Escosteguy Barrios, é importante que os pacientes sejam bem informados sobre seu tipo de câncer.

"É fundamental que a paciente entenda que ela tem de receber a explicação e que existem diferenças que são importantes no desenho do tratamento. Tem de saber qual é o detalhamento do diagnóstico e o tipo de câncer que está atacando para que o tratamento faça sentido", afirma o especialista, que é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Compreender a doença também pode ajudar na melhor adesão ao tratamento.

Tipos de câncer de mama

As células cancerígenas da mama têm receptores que se ligam aos hormônios estrogênio e progesterona e dependem deles para crescer. Outro receptor importante é o da proteína HER2. Após uma biópsia para análise do tipo de tumor, o médico classifica o câncer em alguns grupos:

Receptor hormonal positivo (RH+): nesse caso, as células do câncer têm receptores de estrogênio (ER+), ou de progesterona (PR+), ou dos dois hormônios. Barrios afirma que esse tipo de tumor mamário é menos agressivo, pois cresce mais devagar do que aqueles com receptor hormonal negativo.

Segundo a Sociedade Americana de Câncer, dois a cada três cânceres de mama têm, pelo menos, um desses receptores. A porcentagem é maior em mulheres mais velhas. O tratamento pode ser feito com terapia hormonal que reduz os níveis de estrogênio ou bloqueiam os receptores. Embora as mulheres apresentem resultados positivos em pouco tempo, esse tipo de câncer pode, algumas vezes, voltar anos após o tratamento.

Receptor hormonal negativo (RH-): ocorre quando o câncer de mama não tem receptor de estrogênio nem de progesterona. Esse tipo tende a crescer mais rápido do que com receptor positivo e a terapia hormonal não é útil nesses casos. São mais comuns em mulheres que ainda não chegaram à menopausa e, caso haja recidiva, geralmente retornam poucos anos após o tratamento.

Receptor de HER2 positivo: ocorre quando o tumor tem altos níveis dessas proteínas. Segundo Barrios, embora seja mais agressivo do que o hormonal positivo, pois cresce e se espalha mais rapidamente, há tratamentos muito mais eficazes. São medicamentos com anticorpo que age diretamente no receptor do HER2 e que faz o prognóstico ser melhor. Essa terapia deve ser combinada com a quimioterapia.

Triplo negativo: na ausência de receptores de estrogênio, de progesterona ou de HER 2, o câncer de mama é classificado, por exclusão, como triplo negativo. Nesses casos, segundo a Sociedade Americana de Câncer, terapias hormonais ou que têm como alvo a proteína não ajudam no tratamento.

Esse tipo de câncer de mama representa de 10% a 15% de todos os casos registrados, sendo o mais ofensivo de todos os outros tipos. Há também o triplo positivo, em que o tumor responde aos hormônios e à proteína. Esses cânceres são tratados tanto com drogas hormonais quando com aquelas que atingem o HER2.

Detalhamento do câncer de mama

No resultado da biópsia, outros nomes ainda podem aparecer para identificar o tumor. Pode ser um carcinoma ductal ou lobular, invasivo ou in situ. O oncologista explica que a mama tem diferentes estruturas: ductos (que transportam o leite materno), glândulas e lóbulos (onde o leite materno é produzido).

"Se o câncer aparece em um dos ductos, é chamado de ductal, e 70% aparece nos ductos. Se a doença começa no lóbulo, que representa de 15% a 20% dos casos, chama de lobular. Geralmente, os lobulares são mais frequentemente do tipo hormonal positivo", diz Barrios.

O carcinoma ductal ou lobular pode ser ainda invasivo quando ultrapassa a membrana no ducto ou do lóbulo. Se o tumor cresce para dentro dessas paredes, é chamado de in situ. "Às vezes, tem as duas situações no mesmo tumor: algumas partes são in situ e outras invasoras. O importante é que se for invasor, tem possibilidade de o câncer se disseminar", alerta o médico. Há ainda outra variação, muito mais rara, que é a doença de Paget, um tumor que aparece no mamilo e geralmente acomete apenas uma mama.

Tratamento para câncer de mama

O professor da PUCRS afirma que, quando o tumor é muito grande ou metastático, a maioria das pacientes vão precisar fazer quimioterapia, independente do tipo do câncer. Em alguns casos, a terapia hormonal ou terapia alvo (no caso de HER2 positivo) podem ser associadas. A radioterapia é feita para que não ocorra recidiva, ou seja, a volta do tumor.

Barrios destaca que um dos avanços mais recentes para tratamento do câncer de mama é destinado ao grupo do triplo negativo. "Dois estudos mostraram que a imunoterapia combinada com a quimioterapia funciona melhor do que a quimio sozinha para pacientes com um marcador específico, o PDL-1", explica o médico.

Quando a mulher com a doença inicial é tratada dessa forma, o tumor desaparece em 60% dos casos, segundo o oncologista. Porém, isso não elimina a cirurgia. "Ela é necessária mesmo assim, porque é a única maneira de ter certeza que o tumor desapareceu. Mas o procedimento é menor, com consequência estética mais favorável", diz o médico. Somente com a cirurgia é possível retirar qualquer resquício do tumor, que pode ser invisível nos exames de imagem.

Barrios reforça a importância de as mulheres conhecerem exatamente o tipo de câncer que as afeta. "Hoje, temos de nos esforçar para individualizar ao máximo o que está acontecendo com o tumor. Dessa forma, vamos desenhar o tratamento de que a pessoa precisa. Cada situação exige um tratamento diferente", diz.

Estadão
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