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Asma grave precisa de maior atenção para evitar complicações

Se não tratada, doença inflamatória crônica pode se agravar com o tempo, mas é possível controlar

3 set 2019
07h14
atualizado às 11h06
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Uma crise de asma é caracterizada por falta de ar, tosse, chiado e aperto no peito. Internamente, os brônquios estão inflamados e contraídos, o que estreita a passagem de ar e dificulta a respiração. Trata-se de uma doença inflamatória crônica que pode ser classificada como leve, moderada ou grave dependendo da quantidade de medicação necessária para controlá-la. Segundo especialistas, o número de internações e o risco de morte são mais altos em casos severos e quando não há controle ou tratamento adequado.

Asma grave precisa de maior atenção para evitar complicações
Asma grave precisa de maior atenção para evitar complicações
Foto: iStock

"Na pessoa que tem crise grave, os brônquios se fecham difusamente e não há troca de oxigênio. Tem diminuição de oxigênio, que não chega aos alvéolos, e pela falta nos órgãos, entre eles o coração, ele sofre um dano e para", explica o pneumologista Roberto Stirbulov, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Ele informa que seis pessoas morrem por dia no Brasil por conta de asma, grande parte em nível grave da doença.

O especialista afirma que uma crise pode ser desencadeada por diferentes fatores. O principal gatilho é a exposição ambiental, em que a pessoa pode entrar em contato com fatores que vão provocar inflamação. Mas também pode ocorrer por uma infecção ou virose, por exemplo. "Quando vem a crise e ela acontece em um brônquio já inflamado, pode ser mais grave e matar", diz.

Diante de uma crise asmática que não é revertida pelo uso de medicamento na hora, ir ao hospital muitas vezes se faz necessário e o tempo é precioso.

Crise de asma e parada cardíaca

Segundo Stirbulov, é possível que uma crise de asma resulte em uma parada cardíaca. Ele explica que isso ocorre quando diminui muito a quantidade de oxigênio no sangue, conforme explicado anteriormente.

Mas nem sempre uma crise de asma seguirá esse caminho. A parada cardíaca também pode ocorrer por um quadro aspirativo. Se uma pessoa aspira conteúdo gástrico, por exemplo, que vai para o pulmão, o nível de oxigênio diminui repentinamente, o que pode fazer cérebro e coração sofrerem consequências fatais.

Embora seja menos frequente, a probabilidade de morte em casos leves e moderados de asma existe se a pessoa não está em tratamento, está com a enfermidade mal controlada ou mal tratada. "Pode ter crise importante e se tem brônquio inflamado, pode ter parada [cardíaca]", afirma o pneumologista.

Asma grave

O tratamento adequado permite que uma pessoa asmática tenha qualidade de vida, reduzindo o número de crises e até evitando que elas aconteçam. Mas há casos em que a asma se apresenta de forma tão grave que, mesmo seguindo as orientações médicas, o paciente ainda sofre com os impactos da doença.

"Tem um grupo de paciente com um padrão de doença diferente, perfil e inflamação diferentes. A principal característica é que são refratários [não respondem] ao tratamento convencional", diz Stirbulov.

Segundo um estudo conduzido pelo Programa de Controle da Asma (ProAR), de Salvador, na Bahia, das 172 pessoas com asma grave avaliadas, que faziam tratamento, 78,5% relataram ter tido, pelo menos, um agravamento nos últimos 12 meses. O problema foi definido como visita ao pronto-socorro, hospitalização ou ciclo de uso de corticoide oral.

Tratamento para asma

O tratamento básico começa com corticoide inalatório (bombinha), que vai diminuir a inflamação das vias respiratórias. Caso as crises continuem, associa-se um broncodilatador no mesmo dispositivo. Se ainda assim não houver controle, é receitado um corticoide sistêmico, oral ou endovenoso.

Este último medicamento geralmente é prescrito para quando a pessoa sente que vai entrar em crise ou já começou. A orientação é usá-lo junto com a bombinha por um período de três a cinco dias. "Na asma, na maioria das vezes, com tratamento correto, diminui muito a possibilidade de crise fatal. Uma pessoa que está em tratamento tem chance muito pequena", afirma Stirbulov.

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Estadão
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