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Abril Marrom alerta para a saúde dos olhos e prevenção da cegueira

Estima-se que 1,5 milhão de pessoas no Brasil sejam cegas e que 75% dos casos no mundo possam ser evitados ou curados

11 abr 2020
12h10
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A visão tem grande importância nas interações sociais e estima-se que 85% da nossa comunicação com o mundo se dê por meio dos olhos. Mas existem doenças oculares que podem alterar nossa capacidade de enxergar, desde erros de refração mais comuns, como miopia e astigmatismo, até enfermidades que podem levar à cegueira, como catarata e glaucoma.

Para alertar a população sobre esses riscos e promover a saúde dos olhos, foi criado em 2016 a campanha Abril Marrom, porque é o mês em que se comemora o Dia Nacional do Braille. O objetivo é conscientizar sobre diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação das doenças que afetam a visão.

De acordo com o documento As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2019, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a estimativa é de que o Brasil tenha mais de 1,5 milhão de pessoas cegas. O levantamento considera como cegas não apenas quem apresenta incapacidade total para ver, mas também pessoas nas quais o prejuízo ocular tem níveis incapacitantes para o exercício de tarefas rotineiras, embora possuam certos graus de visão, como é o caso da vista cansada.

Outro dado que chama atenção é que cerca de 75% de todos os casos de cegueira no mundo poderiam ser evitados ou curados. É também com base nisso que a campanha Abril Marrom coloca em evidência a importância de cuidar dos olhos.

Doenças que podem levar à cegueira

Entre as enfermidades oculares que podem levar à perda de visão estão a catarata, condição comum que ocorre com o envelhecimento, o glaucoma, caracterizado pelo aumento da pressão ocular com lesão ao nervo óptico, e retinopatia diabética, complicação decorrente do excesso de glicose no sangue devido à diabete, que danifica os vasos sanguíneos dentro da retina.

"Uma vez detectadas precocemente, tais condições podem ser tratadas em fases iniciais, evitando perdas irreversíveis da visão", diz o oftalmologista Renan Ferreira Oliveira, especialista em catarata e cirurgia refrativa do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem. O médico afirma que o risco de cegueira cresce em função da idade. "Chega a ser de 15 a 30 vezes maior em pessoas com mais de 80 anos do que na população com até 40 anos de idade."

Entenda algumas doenças oculares que podem levar à cegueira:

Catarata: ocorre devido ao envelhecimento do cristalino, uma lente natural do olho, que começar a partir dos 40 anos. Com o passar do tempo, ele fica mais fino, perde elasticidade e compromete o foco. Essa mudança torna a membrana opaca, formando uma espécie de mancha esbranquiçada no olho. Esse problema é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, segundo o Ministério da Saúde, e pode ser revertido com cirurgia.

Glaucoma: um aumento da pressão dentro do olho pode causar lesão do nervo óptico e levar à perda progressiva do campo visual. Geralmente, não há sintomas iniciais, porque o prejuízo ocorre aos poucos e afeta primeiro a visão periférica. A doença também está relacionada ao envelhecimento e o tratamento inclui colírios para diminuir a pressão intraocular e evitar a perda total de visão, mas não há cura dos sintomas.

Retinopatia diabética: os níveis descontrolados de glicemia em quem tem diabete provocam alteração na rede vascular da retina, camada localizada no fundo do globo ocular, e compromete a função de reconhecer e interpretar imagens. A visão embaçada pode ser um dos primeiros sinais e a melhor forma de preveni-la é fazer exames regulares. Além disso, segundo a Sociedade Brasileira de Diabete, pessoas com diabete têm 40% mais chance de desenvolver glaucoma e 60% de desenvolver a catarata.

Degeneração macular relacionada à idade: reduzida à sigla DMRI, é uma das principais causas de cegueira no mundo e atinge pessoas acima de 55 anos. Ela também afeta a retina, mas na parte central, e pode ocorrer de duas formas: inicial e branda, quando o paciente percebe diminuição de contraste e dificuldade para ler e escrever; e avançada, quando as imagens ficam mais embaçadas. Segundo o Ministério da Saúde, é indicada a mudança de hábitos, como não fumar, se proteger do sol e manter uma dieta balanceada com complementação vitamínica.

Prevenção de doenças oculares

Como a maioria das causas de cegueira podem ser evitadas, é recomendável que as pessoas se consultem com um oftalmologista regularmente, ao menos uma vez por ano. Caso haja histórico familiar de doença ocular ou já tenha algum problema, recomenda-se a consulta a cada seis meses.

Além disso, manter hábitos saudáveis e evitar exposição prolongada às telas podem colaborar. A seguir, a oftalmologista Alessia Braz, especialista em cirurgia refrativa e catarata, médica parceira da ZEISS, dá algumas dicas para prevenir problemas oculares.

Alimentação: consumir alimentos como cenouras, folhas verdes, ovos, frutas vermelhas e cítricas e peixes ajuda a evitar problemas na visão. Para se beneficiar, mantenha uma alimentação balanceada e adequada à sua rotina, incluindo alguns desses alimentos nas refeições e nos lanches.

Exposição à luz: a constante exposição à luz azul violeta (emitida por TVs, celulares, computadores, tablets e por lâmpadas de LED) pode causar danos irreversíveis aos olhos. Por isso, é importante fazer pausas a cada 30 minutos de exposição. Para isso, cubra os olhos com as mãos (em formato de concha e sem apertar) e permaneça assim, com os olhos fechados, por cerca de um minuto.

Controle da diabete: o descontrole da diabete pode causar bloqueio e rompimento do vaso sanguíneo dos olhos, que se não tratada pode causar cegueira. Assim, é muito importante fazer o controle periódico da glicemia e seguir as orientações médicas para evitar danos à visão.

Exposição ao sol: a exposição solar de forma intensa e prolongada pode causar cegueira; por isso, é fundamental que as lentes dos óculos (solares e de grau) tenham proteção contra os raios UV.

Dormir bem: o sono inadequado pode contribuir para a fadiga ocular, causando irritação nos olhos, dificuldade para focalizar, secura ou lágrimas excessivas, visão turva e sensibilidade à luz. Para evitar esses problemas, procure dormir no mínimo sete horas contínuas e em ambiente com nenhuma ou baixa luminosidade todas as noites.

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Estadão
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