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Nova revista feminina veta Photoshop em corpo de mulheres

Criadora de Eu Não Mereço Ser Estuprada lança revista online sem edição de imagens nos corpos e sem fins lucrativos

3 jun 2015 18h25
| atualizado às 18h28
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Não é um sentimento incomum não se identificar com as mulheres que aparecem em capas de revistas e se sentir cabisbaixa por não ter o corpo ou cabelo como o delas. Sim, elas são lindas, mas não são as únicas. Estamos acostumadas a ver somente um tipo de beleza nas páginas de publicações femininas: majoritariamente a beleza de mulheres brancas e magras.

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Apesar de algumas mudanças discretas, as revistas femininas ainda conservam ensaios de moda para corpos magros, sugestão de looks que não cabem no bolso da maioria das brasileiras (e leitoras) e matérias que se restringem a passos para conseguir o corpo/cabelos/unhas perfeitas. Poucos são os conteúdos que vão além da autoajuda e dicas para cuidar da casa, dos filhos ou da carreira.

Como muitas leitoras de revistas femininas, Nana Queiroz, jornalista e criadora da campanha Eu Não Mereço Ser Estuprada, cansou de folhear páginas e se dar conta de que os conteúdos não eram produzidos para si ou para mulheres 'reais'.

Foto: Revista AzMina / Reprodução

“Elas não eram feitas para o meu corpo ou para o meu bolso. Essa não era eu. Daí olhei em volta e vi que ela não era para nenhuma mulher que eu conhecia. As revistas não reconheciam ninguém que eu conhecia, nem as mulheres que trabalhavam na própria revista feminina”, desabafou Nana em entrevista ao Terra. A solução? Criar uma revista feminina que falasse com e para todas as mulheres reais.

Foi assim que nasceu a Revista AzMina – Para mulheres de A a Z, em processo de financiamento coletivo para que possa ser viabilizada em plataforma online. Nana, outras oito mulheres e um homem toparam o desafio de produzir conteúdo como o que esperavam encontrar.

Foto: Revista AzMina / Reprodução

Assunto de mulher

A primeira característica da AzMina é que ela é uma revista de entretenimento com jornalismo investigativo. Conforme frisa Nana, as páginas não terão apenas dicas de moda e beleza. A regra é que toda edição conte com uma grande matéria de fôlego sobre um tema relevante. Os assuntos? Todos possíveis.

“A nossa ideia é abordar todos os temas para que a gente não caia no erro das revistas femininas de hoje de achar que a mulher não se interessa por tema x ou tema y”, conta a jornalista sobre o projeto.

Os ensaios de moda terão uma atenção especial e prometem contemplar todas as mulheres reais que as revistas femininas vem ignorando: negras, gordas, transexuais. “Queremos abordar o máximo possível a diversidade de corpos, contemplar corpos reais e evitar o consumismo, trazendo peças que as pessoas possam pagar”.

Para os ensaios, uma regra essencial: nada de Photoshop nos corpos. O programa só será usado para ajustes de luz e recortes. “Todas as modelos que vamos escolher vão ser lindas. A gente está dizendo que a feiura não existe, porque o que é bonito para uns olhos é feio para outros. Vamos estimular a beleza que cada uma tem. A cada edição a ideia é que mais mulheres sintam-se acolhidas e belas, porque o nosso compromisso é com elas”, afirma Nana.

Foto: Revista AzMina / Reprodução

Como toda revista feminina, além de colunistas que conversem com as mais diferentes mulheres, a AzMina tratará de sexo, mas nada de ordens dizendo o que fazer para o prazer do parceiro. Conforme explica o site do projeto, a publicação vai respeitar o direito de amar e de transar focando no prazer feminino.

Todo o conteúdo, que será mensal, poderá ser acessado online, através do celular, tablet e computador. Cada edição terá as matérias publicadas aos poucos ao longo dos 30 dias e, de acordo com Nana, o feedback do Conselho Editorial de Leitores é fundamental para o crescimento da revista e elaboração de cada edição.

Uma forma de participar do Conselho Editorial é a partir da doação de um valor específico no processo de crowdfunding. “Não temos um modelo a partir do qual criar essa revista no Brasil. Então pedimos que as leitoras sejam nossas participantes ativas para avaliar de antemão alguns detalhes da edição e melhorar as seguintes”, afirma Nana.

Sem fins lucrativos

Os idealizadores da Revista AzMina decidiram que ela seria uma produção totalmente sem fins lucrativos e sem rabo preso com os anunciantes. Durante a entrevista, Nana faz uma charada para explicar esta questão.

“Porque essas revistas falam para nenhuma mulher? Porque os clientes delas não são as leitoras, são os anunciantes”, explica. “Faz muito tempo que o lucro das empresas vem dos anúncios e não da venda em banca. Elas criam necessidades e se alimentam da insegurança feminina para que as mulheres, com a autoestima abalada, recorram ao consumismo para reconquistar a autoconfiança. E aí se cria um ciclo vicioso que a nossa revista quer quebrar. Por isso estamos abrindo ela sem fins lucrativos”.

Foto: Revista AzMina / Reprodução

Com a campanha do financiamento coletivo, o projeto tem que conseguir R$ 50 mil até o dia 7 de junho para que sua produção consiga ser viabilizada. Em apenas 10 dias desde o início da arrecadação mais de R$ 11 mil foram recebidos por doações.

“A vontade de fazer uma revista que não deprima as mulheres depois de ler é muito grande. Quando colocamos o crowdfunding no ar, percebemos que existe uma sede para uma revista desse tipo, porque o projeto arrecadou cerca de mil reais por dia de captação, e recebemos muitos comentários das pessoas dizendo 'ai que bom que você está fazendo isso'", afirmou Nana.

É possível perceber que cada vez mais as mulheres estão tomando conhecimento de certos padrões e estereótipos e estão se revoltando contra eles. As revistas femininas estão perdendo cada vez mais leitoras, porque não encontram uma maneira de contornar a situação.

Como conclui Nana, há uma resistência em dar esse ‘pulo’ e fazer essa mudança. “As mulheres estão querendo um conteúdo que as represente, e a nossa ideia é justamente abordar o maior número possível de mulheres que se sintam contempladas nas nossas páginas”.

Revista AzMina abraça todas as belezas e fala com mulheres reais:

 

Fonte: Terra
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