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Elisa, do MasterChef, reclama: "Não ganhei por ser bonita"

Futura chef, vencedora do reality da Band, em dezembro, falou com exclusividade ao Terra sobre os quatro meses de fama e os planos para um futuro bem próximo

22 abr 2015 20h21
| atualizado em 24/4/2015 às 14h35
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Ela se graduou em filosofia, fez pós em jornalismo, mas, em determinado momento, entendeu que em nenhuma das duas carreiras estaria exatamente destinada a ganhar (muito) dinheiro. Começou então a organizar eventos culturais com um grupo de amigos, e, em um deles, uma feira gastronômica, encontrou aquela que seria sua filosofia – de vida: queria cozinhar. Se pudesse ganhar dinheiro com isso, então, melhor ainda.

 

Foto: Janaina Garcia / Terra

Desde dezembro do ano passado, a paulista Elisa Fernandes, de 24 anos, viu o próprio destino dar uma reviravolta: ainda não é oficialmente uma chef com formação, restaurante e cardápio próprios, mas já tem o dinheiro para transformar o que era sonho em realidade – o prêmio de R$ 150 mil pela vitória na primeira edição do MasterChef Brasil, reality exibido pela TV Bandeirantes. Ainda neste semestre, ainda como parte da premiação, ela lança um livro de receitas e embarca rumo à França para o curso de três meses na conceituada escola de gastronomia Le Cordon Bleu.

 

Elisa conversou com a reportagem do Terra, no último feriado, na Ilha de Comandatuta, no sul da Bahia, onde foi apresentada – dentro de grade cheia de chefs já renomados no mercado nacional – como a responsável por um dos cardápios de um fórum de políticos e empresários.

O que mudou desde a conquista do MasterChef Brasil? Segundo ela, “subjetiva e objetivamente, muita coisa” – menos a percepção que tem de que, lá fora, “ainda há o senso comum de lugar de mulher é na cozinha”.

“É muito importante, como mulher, a gente se apoderar cada vez mais e se inserir no mercado de trabalho; ainda mais no cenário no mercado de gastronomia, ainda muito masculino”, constatou, para ressalvar: “Isso pouco a pouco está mudando.”

 

"Você ganhou porque é bonita"

 

A produtora executiva conta que, particularmente, é sutil a percepção do machismo no próprio dia a dia. Prestes a completar 25 anos, mês que vem, Elisa admite que “ainda” se choca quando alguém conjectura que ela possa ter ganhado a primeira edição do reality no Brasil pela aparência. Sua adversária na final, a engenheira química Helena Manosso, tem quase o dobro de sua idade – 44 anos.

“Tem muita gente que me fala: ‘Você ganhou porque você é bonita’. Não sei se eu me sinto elogiada, porque estão dizendo que eu sou bonita, ou se fico de saco cheio por ter que ouvir novamente esse senso comum de que mulher só pode ser valorizada pela beleza dela. Não! Eu posso ser bonita, na ideia de alguém, e ser competente. A mulher não é digna de admiração só pela beleza dela. Isso me choca um pouco ainda às vezes”, desabafa.

Indagada se a fama repentina já causou algum (outro) tipo de situação inusitada, ela coleciona algumas. Do reconhecimento recorrente que acontece em supermercados (“é onde mais me param”) ou da ‘negativa de reconhecimento’ no metrô (“uma pessoa me reconheceu e me disse: ‘não é você!’”, riu) , a jovem conta que não falta,, também, algumas saias-justas. “Isso acontecesse quando vêm me falar impressões pessoais dos outros participantes – aí fala mal de alguém. Eu tenho carinho por todos, sabe, e sempre acontece, fico numa saia-justa. Mas como as pessoas me param para falar, a maioria, coisas boas, eu não tenho muito o que reclamar”.

A futura chef já delimitou as duas cidades em que pretende abrir seu restaurante, após o curso na França: São Paulo ou Rio. O nome já foi escolhido, mas, cautelosa, ela preferiu ainda não divulgá-lo (mas o contou, em segredo absoluto, à repórter).

“É realmente um conto de fadas o que estou vivendo”, filosofa, ela que quis, um dia, ser jornalista. “Me encontrei e estou realizando um sonho.".

Carreira dos sonhos, combinação dos sonhos

E qual o prato ideal da futura chef Elisa?

“Amo a combinação de carne, purê, molho e brotos – é uma coisa que eu adoro.  E outro ingrediente que eu amo muito também é cogumelo. Então, o que tiver cogumelo me satisfaz.”

Em tempo: no almoço para empresários e políticos, Elisa serviu risoto de shimeji, filé mignon suíno, farofa crocante, abóbora cobotiá com gergelim e salada de pupunha com vagem. A fila dos candidatos ao segundo prato era proporcional ao tamanho do sorriso da futura chef – que, claro, foi reconhecida também nos pedidos de selfies.

 

Fonte: Terra
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