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Trintão na Disney: ‘jacarés' em parque aquático e adrenalina

Novo capítulo da saga tem passeio em parque aquático, vergonha alheia com brasileiros e, enfim, a adrenalina de despencar de um elevador

28 mai 2015 12h57
| atualizado às 20h17
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Magic Kingdom em "chamas": tradicional queima de fogos, bem ao estilo réveillon em Copacabana, Rio
Magic Kingdom em "chamas": tradicional queima de fogos, bem ao estilo réveillon em Copacabana, Rio
Foto: André Naddeo / Terra

(Ainda dentro do Magic Kingdom, depois de jantar salmão com legumes e perceber que às vezes é possível ser saudável por aquelas bandas)

Pode chover, nevar, raios por toda a Flórida, mas se tem uma coisa que o Magic Kingdom vai te proporcionar 365 dias por ano, sempre às 22h (fora no réveillon) é uma queima de fogos à la praia de Copacabana. Não foi possível apurar números totais, mas existe a certeza de que a Disney é a maior compradora de fogos de artifício no mundo. Quer dizer, Orlando é a cidade que mais consome fogos de artifício no mundo.

É um verdadeiro frenesi. Começa uma correria de carrinhos de bebê para cá, senhoras de bengala acolá, crianças ansiosas e adultos tentando estabelecer a ordem e não se perder com o grupo. Todos querem um lugar privilegiado em frente ao grande castelo – que iluminado, produz imagens daquelas que ficam gravadas na mente para a posteriori.

Descobri também que existe até fast pass para ver os fogos. É mole? Ou seja, um fura fila oficial. Uma área vip para ver desfile, local demarcado para ver os fogos sem tortura – e cabeças na sua frente. Veja só que lindas fotos você pode tirar e, dependendo do grau de fissura, já postar nas redes sociais – já que os parques da Disney contam todos com o wifi gratuito.

Os 'jacarés' da vida

Typhoon Lagoon: parque aquático também é uma das atrações do roteiro Disney em Orlando
Typhoon Lagoon: parque aquático também é uma das atrações do roteiro Disney em Orlando
Foto: André Naddeo / Terra


Typhoon Lagoon é o nome do parque aquático – uma das missões do segundo dia em solo Disney. Por US$ 58 (acima de 10 anos) ou US$ 53 (entre 3 e 9 anos), você se joga no calor da Flórida, nada com tubarões e ainda pega uns jacarés (já explico). Existem alguns maiôs e gringos queimados de regata que deixam o ambiente bem longe de uma Miami Beach, por exemplo. Mas dá para ignorar.

Melhor ainda se você pensar que existem espaços em que você pode fazer o seu churrasco particular com os amigos, dá para nadar com tubarões (filhotes, é verdade), o que é bem legal, se divertir em toboáguas e ainda se aventurar numa piscina artificial que a cada meia hora lança uma sequência de ondas artificiais.

Deve ter sido a parte mais divertida do dia. Eram ondas de, sei lá, um metro que vinham com força. Eu que nunca tinha me divertido em piscina assim, remei, remei e remei até emendar uma bela onda que me deixou lá no raso. “Como você conseguiu fazer isso”, me perguntou uma americana com sotaque texano-caipira, estarrecida. Me senti um verdadeiro surfista da “brazilian storm” lá dentro – quase disse que eu era um Mineirinho ou Gabriel Medina da vida. Levei as duas para o fundo e tentei ensinar. Claro que não consegui. Mas foi divertido.

Hollywood Studios

Rock e Aerosmith: enfim, a adrenalina dentro do Hollywood Studios
Rock e Aerosmith: enfim, a adrenalina dentro do Hollywood Studios
Foto: Walt Disney / Divulgação

Me contaram que seria a parte de maior adrenalina da viagem, o parque com brinquedos mais radicais. É mais ou menos isso – muito embora para quem goste de batimentos cardíacos mais constantes, os outros parques de Orlando são mais recomendados, me contaram. Nem por isso deixou de ser um momento único.

Primeiro porque a primeira atração que me enfiaram foi um mega fliperama do Toy Story, dentro de um carrinho com tiro. Marquei impressionantes 127 mil pontos acertando vários alvos difíceis (experiência ajuda nessas horas?) e saí com a sensação avessa ao último filme da saga: enquanto Andy, já crescido, se livrava de Woody e Buzz, seus brinquedos favoritos, eu estava num processo inverso de restabelecer um contato com minha infância. Weird.

Este dia serviu também para suprir uma antiga lacuna: quando os amigos voltaram da tal viagem que eu nunca fui, 20 atrás, todo mundo tinha, obviamente, a foto do tal elevador que despenca. Noe oficial: The Twilight Zone: The Hollywood Tower of Terror. Mas pode chamar de gritos e frio na barriga mesmo. Esperei tanto por esse momento que a foto foi uma espécie de redenção – fiquei lembrando que muita gente estaria trabalhando aquela hora, e eu ali. Vingança.

Mesmo sem achar um café expresso que mantivesse firme a minha energia (de quem já passou há tempos da adolescência), afinal, em terra de “chafé”, café expresso é real, a parte boa é que a Rock 'n' Roller Coaster é um bom acelerador de partículas (digestivas). Impossível não acordar o cidadão – é rápido, mas a puxada no início com o looping impressiona. Fora que o Aerosmith de pano de fundo era uma sinfonia nos meus ouvidos carregados de tanta magia bonitinha.

20 anos depois, enfim, a sensação de despencar da famosa Tower of Terror
20 anos depois, enfim, a sensação de despencar da famosa Tower of Terror
Foto: Walt Disney / Divulgação

A noite terminou com o espetáculo Fantasmic, em mais um show de luzes, fogos de artifício (de novo), e todo o mundo de ilusão de Mickey e Minnie. Não empolga tanto quanto o passeio pelo Epcot, este sim, um legítimo passeio de “trintão”.

Logo após um café da manhã, já no terceiro dia de visitas, dentro do Boardwalk Resort, dos mais aprazíveis resorts que já conheci na vida, você vai a pé ao Epcot. Uma maravilha. Na Space Ship Earth, a digestão de um bom almoço com informação sobre a evolução da escrita / comunicação. Já devem estar pensando num update depois que inventaram os smarthphones, mas enfim.

Vista mais do que aprazível do Broadwalk Resort: caminho a pé para o Epcot
Vista mais do que aprazível do Broadwalk Resort: caminho a pé para o Epcot
Foto: André Naddeo / Terra

O grande barato do Epcot são os 11 pavilhões de países que, diante de cada ente governamental competente, legitimamente adquire um terreno na Disney para representar da forma que julgar melhor a própria cultura. China, Japão, México, Marrocos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Canadá, e os próprios EUA.

Ouvi um papo de que o Brasil pensou em ter o seu próprio pavilhão, o que faria todo o sentido tendo em vista a quantidade de brasileiros que circulam por aquelas bandas, mas que acabou não rolando – e nem foi por culpa da Lava Jato, nem do ajuste fiscal do Joaquim Levy.

Aliás, falando em brazucas, o momento de maior vergonha alheia desta viagem foi protagonizado por um cara que eu nem lembro o nome e se dizia de Curitiba. Ao ouvir o nosso papo em português, chegou como se fosse o mestre da nobre arte do humor: “se vocês encontrarem algum gringo por aí falando ‘bundinha’ (ao invés de bom dia), foi a gente que ensinou, tá?”. Quase dei um tiro na cabeça.

Vista matinal do Epcot: parque em que adultos interessados por outras culturas podem se divertir mais
Vista matinal do Epcot: parque em que adultos interessados por outras culturas podem se divertir mais
Foto: André Naddeo / Terra

A vergonha foi prontamente rebatida, amém: quando pedia uma cerveja de trigo no pavilhão germânico, eis que a atendente pergunta, sem dó: “posso ver a sua identidade?”. “Oi, você está falando sério”, rebato. “Senhor, sem a sua identidade, não posso te vender”. Que benção! Fiz questão de mostrar o passaporte e falar para a bela alemã dos olhos azuis: “obrigado! Justo aos 33 anos, essa pergunta que eu não recebia desde os, sei lá, 16 anos. Foi um baita elogio”.

Ela sorriu e disse que na Alemanha, com 16 anos, você já pode beber cerveja. Destilados apenas após os 18 anos. Um país mais evoluído, obviamente, que controla o acesso, de fato, do álcool para quem ainda não tem capacidade. Aliás, falando em volta ao passado, a visita ao pavilhão japonês foi outra benção.

Nas prateleiras, que vendem produtos típicos em todos os pavilhões, encontrei um que me levou para dezembro de 2012, quando passei uma temporada no Japão. E nem foram os saquês: você sabia que por lá, existe Kit Kat de wassabi? Eu disse Kit Kat, o chocolate, de WASSABI.

Foi como comer a sobremesa antes do verdadeiro jantar, com vista para (advinha) fogos de artifício que, desta vez, com óculos 3D, se transformavam em orelhas fofas de Mickey Mouse. Inacreditável. Até amanhã.

* O repórter André Naddeo viajou a Orlando a convite da Walt Disney

((próximo capítulo: orgia de frutos do mar. E a Frozen: é tudo isso mesmo?))

Veja como são 5 montanhas-russas radicais da Flórida:

 

Fonte: Terra
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