PUBLICIDADE

Top ucraniana fala sobre a guerra: Meu país lutará até o fim

Jenny Sever vive na Espanha e tem atuado para conseguir suprimentos e acolher refugiados. Toda sua família mora na Ucrânia.

13 abr 2022 13h43
ver comentários
Publicidade

A modelo ucraniana Jenny Sever, 31 anos, que já viveu no Brasil e atualmente mora na Espanha, viu sua rotina mudar de uma hora para outra quando, em 24 de fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia. Com família morando no país invadido, a loira não deixou de lado suas atribuições profissionais, mas passou também a atuar para enviar suprimentos ao seu pais e acolher refugiados ucranianos.

Modelo ucraniana Jenny Sever
Modelo ucraniana Jenny Sever
Foto: Reprodução/Instagram / Elas no Tapete Vermelho

Em entrevista exclusiva ao "Elas no Tapete Vermelho", Jenny contou o que mudou, como seus pais estão atuando como voluntários para atender famílias que chegam à sua cidade natal, Cherkassy, que fica a 200 quilômetros da capital Kiev, e como está indignada com as pessoas que apoiam a atitude do governo russo de invadir um país independente. "Eu pensei que, com o poder da internet, as pessoas simplesmente não ficariam indiferentes, mas infelizmente a maioria dos russos sofre uma lavagem cerebral por notícias falsas e apoia a 'operação especial' (como o governo russo chama a invasão à Ucrânia)."

Jenny criou um link  de arrecadação de fundos (https://gofund.me/45ebe293) para comprar suprimentos e enviar ao seu país, onde seu pai tem atuado para acolher pessoas que chegam de outras cidades. "Apesar de toda a morte, perda e dor, as pessoas estão tentando manter o espírito forte e a esperança de uma vitória. A Rússia veio à nossa casa, a Ucrânia ficará até o fim para proteger nosso povo, território, liberdade e futuro brilhante", afirmou e acrescentou: "Hoje é muito importante ter uma posição política, não ficar indiferente só porque está longe. Pessoas inocentes - como você e eu - estão morrendo por causa da ação do agressor e seus seguidores." Confira a entrevista completa abaixo

Jenny Sever
Jenny Sever
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Elas no Tapete Vermelho - Desde que a guerra começou, alguma coisa mudou em relação às suas expectativas sobre o conflito?

Jenny Sever - Eu não esperava, em primeiro lugar, que o conflito que a Rússia começou há 8 anos (em 2014, a Rússia invadiu a Criméia, que até então fazia parte da Ucrânia) se transformasse em uma situação que todos nós vemos hoje. Não esperava que o genocídio pudesse realmente acontecer hoje em dia. Eu pensei que, com o poder da internet, as pessoas simplesmente não ficariam indiferentes, mas infelizmente a maioria dos russos sofre uma lavagem cerebral por notícias falsas e apoia a "operação especial". Historicamente falando, a semelhança é óbvia… nunca mais?

Elas no Tapete Vermelho - Conte-nos um pouco sobre a rotina da sua família nos dias de hoje.

Jenny Sever - Tentar manter a rotina é uma das coisas mais importantes para a saúde mental e todos nós entendemos isso. Mas o trabalho foi substituído pelo voluntariado. Cherkassy (cidade de onde sou) é um lugar seguro por enquanto. A população é de 350 mil pessoas, no momento 90 mil ucranianos deslocados foram encontrar proteção lá. Minha mãe é terapeuta e fornece ajuda psicológica. Meu irmãozinho (de 11 anos) tem escola online e até recomeçou os treinos de futebol.

Elas no Tapete Vermelho - Seu pai se está atuando no conflito? Você tem contato com ele?

Jenny Sever - No momento meu pai é voluntário para defesas territoriais da cidade. Ele teve a ideia de trocar seu único carro por um micro-ônibus para oferecer ajuda humanitária para o exército e desalojar pessoas de outras regiões. Não consigo explicar o quanto estou orgulhosa dele, quando suas necessidades pessoais foram substituídas por uma disposição patriótica de ajudar os que estão em apuros. É triste dizer, mas muitas coisas estão faltando. Todos os dias ele me manda listas enormes. Já consegui entregar algumas a partir da Espanha. Para esta causa criei um link para angariar fundos e, em menos de 36 horas, recebemos 10 mil euros em donativos. E não paramos por aí. Cada doação pode fazer a diferença e salvar vidas! Aqui está o link onde você também pode ajudar https://gofund.me/45ebe293.

Jenny Sever
Jenny Sever
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Elas no Tapete Vermelho - Você, seus pais, parentes e amigos esperavam um conflito dessa magnitude?

Jenny Sever - Todos se preparam para uma segunda parte do ataque que começará a qualquer momento. Apesar de toda a morte, perda e dor, as pessoas estão tentando manter o espírito forte e a esperança de uma vitória. A Rússia veio à nossa casa, a Ucrânia ficará até o fim para proteger nosso povo, território, liberdade e futuro brilhante.

Elas no Tapete Vermelho - Você tem falado com eles o tempo todo?

Jenny Sever - Sim, agora mais do que nunca. Nossos entes queridos são a maior riqueza que temos, todo o resto não é importante agora. Estamos todos apoiando uns aos outros e procurando maneiras de ajudar mais pessoas.

Elas no Tapete Vermelho - E seus amigos como estão? Você tem uma amiga que estava grávida? Como ela está lidando com a situação?

Jenny Sever - É muito importante permanecermos unidos. Agora todo mundo é uma família. O tempo todo estamos em contato, usando cada contato para ajudar no voluntariado, para acolher refugiados, encontrar uma casa na Europa ou em outras partes da Ucrânia. Minha amiga já é mãe de um anjo lindo, Mila. Está assustada como todo mundo, mas indo bem.

Elas no Tapete Vermelho - Seus pais não querem sair? O que você tem a dizer sobre isso?

Jenny Sever - Se fosse apenas minha decisão, eles já estariam aqui comigo na Espanha. Não posso convencê-los e respeito a posição deles. Como disse, há uma frente lá na qual o exército está lutando. E eles querem ficar lá, na retaguarda, no voluntariado, mantendo a economia. Combinei com minha avó que voltarei para casa neste verão, daqui dois meses.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por JENNY SEVER (@jennysever)

Elas no Tapete Vermelho - Você está na Espanha a trabalho. O que mudou na sua rotina desde que a guerra começou?

Jenny Sever - A pergunta certa deveria ser: "O que ficou igual?". Vivo em altos e baixos emocionais e estou super ocupada. Dois dias atrás, eu e um amigo encontramos 200 refugiados ucranianos no aeroporto que voaram pela Polônia para Madri. Nós os registramos no hotel, fornecemos comida e informações futuras sobre as famílias com as quais ficarão hospedados. As pessoas estão se sentindo tão perdidas em um novo país, sem família, amigos e sem saber o idioma. Colaboramos com poucos hotéis e oferecemos quartos gratuitos para ucranianos refugiados na Espanha. Além disso, você precisa ver minha lista de compras hoje em dia … comprando botas masculinas, drones, remédios, gerenciando a logística para entregar mercadorias mais rapidamente para a Ucrânia. Arrecadação. Mais alguns projetos interessantes para ajudar a moda ucraniana estão chegando! E trabalhando, fotografando vestidos de noiva, por exemplo, e fingindo que está tudo bem.

Elas no Tapete Vermelho - Quando foi a última vez que você esteve na Ucrânia e como estava a situação lá naquela época?

Jenny Sever - Felizmente eu estava lá no Natal. Passei três semanas incríveis com minha família. Fiz todo tipo de atividades com meu irmão, visitei parentes. Havia algumas preocupações, mas ninguém podia acreditar que a Rússia realmente atacaria.

Elas no Tapete Vermelho - O que você tem a dizer para as pessoas distantes sobre o conflito? Em outras palavras, uma visão ucraniana da guerra.

Jenny Sever - Hoje é muito importante ter uma posição política, não ficar indiferente só porque está longe. Pessoas inocentes - como você e eu - estão morrendo por causa da ação do agressor e seus seguidores. 80% da população russa apoia o genocídio em minha pátria, dizendo que nossa nação deve ser apagada. O exército russo cruzou todas as fronteiras humanas possíveis e quebrou as regras da guerra quando homens lutam contra homens. Matar civis, estuprar mulheres e crianças em massa… vala comum em Bucha com 300 corpos, bombardear uma estação de trem onde as pessoas tentavam evacuar. Mariopol, que estava ocupada desde o início, está quase destruída, as pessoas ficaram sem água, eletricidade, Internet por 46 dias. Há muitas histórias de terror que se tornaram realidade para muitos hoje. Não fique calado, leia notícias de meios confiáveis, ofereça suas casas se puder, converse com seus representantes para enviar ajuda. É melhor doar para uma pequena organização ou diretamente para pessoas que você conhece.

Jenny Sever
Jenny Sever
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Elas no Tapete Vermelho - Como você se sente por estar longe de sua família em um momento como este?

Jenny Sever - No momento, sou mais útil aqui, trabalhando, pois ninguém sabe o que esperar e é importante estar pronta para receber minha família a qualquer momento. A primavera é minha estação favorita na Ucrânia. Aqui em Madri há muitos castanheiros como na minha Pátria, isto me faz sentir ainda mais saudades…Espero abraçar os meus entes queridos muito em breve.

Elas no Tapete Vermelho - Você viu a apresentação da Balenciaga e a forma como eles abordaram a guerra? O que você acha?

Jenny Sever - Bela apresentação com mensagem poderosa por trás. O diretor criativo da Balenciaga, Demna Gvasalia, foi tocado  pela dor de seu trauma, já que a mesma coisa aconteceu em seu país (Georgia) e ele se tornou um refugiado para sempre, como comentou. A moda e a guerra são muito opostas uma da outra, mas aumentar a conscientização de maneira criativa também é importante.

Elas no Tapete Vermelho
Publicidade
Publicidade