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Por que tem tanta mulher bonita na cidade de G. Bündchen?

Será a água? Moradores tentam explicar sucesso da cidade da top model

9 abr 2015
13h04
atualizado às 17h10
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Depois de um dia conversando com a população da cidade de Horizontina, no interior do Rio Grande do Sul, você aprende várias coisas: o povo é de uma receptividade impressionante, a cidade é realmente pequena e todo mundo fica sabendo de tudo muito rápido, as mulheres da região são verdadeiramente belas e que os principais motivos de orgulho dos horizontinenses são Gisele Bündchen e a fábrica de máquinas agrícolas John Deere (ouvi até em tom de brincadeira que só era alguém na cidade quem trabalhava na empresa). 

Para descobrir tudo isso, às vésperas da aposentadoria de Gisele enfrentamos intermináveis horas dentro de um ônibus (diferente da profissão de modelo, a de jornalista não tem nada de glamorosa). Foi o mesmo caminho que ela fez na década de 90, mas nosso objetivo para conhecer um pouco da cidade e entender como a população se relaciona com as raízes e o legado de Gisele por lá. 

Caminhamos pela charmosa Horizontina buscando referências de Gisele, uma cidade até bastante urbana para um município do interior do Rio Grande do Sul. Fizemos vários amigos, tanto que o prefeito Nildo Hickmann (quem sabe aí um parentesco distante com outra supermodelo) fez questão de nos mostrar a cidade, nos levou para comer um peixe com o pessoal da cooperativa e no fim do dia ainda nos pagou uma pizza e umas cervejas (já fora do horário do expediente, que fique claro!).

Foto: Daniel Favero / Terra

Conhecemos a escola onde Gisele estudou, falamos com o diretor, fomos a casa onde nasceu, procuramos sem sucesso seus amigos mais íntimos, mas principalmente conversamos com algumas pessoas nas ruas para descobrir se alguém sabia porque a cidade é berço de mulheres tão belas.

 

<p>Fernanda, Carlos e Rafaela, moradores de Horizontina</p>
Fernanda, Carlos e Rafaela, moradores de Horizontina
Foto: Daniel Favero / Terra

 

“Eles (a família Bündchen) têm um trabalho muito bom aqui no nosso Lajeado Pratos (Projeto Água Limpa ) que dá água para nós aqui... E é essa água que está fazendo nossas gurias serem bonitas”, brincava Carlos Berwian ao lado das duas filhas, Fernanda e Rafaela, provocando gargalhadas num fim de tarde.

Essa mesma água teria ligação com o outro orgulho da cidade, a John Deere, que segundo o prefeito gerou uma arrecadação de ICMS de mais de R$ 30 milhões no ano passado. Antes de ser adquirida pela gigante americana, a empresa era chamada Schneider Logemann & Cia SLC, uma família local que construiu um verdadeiro império que se perpetua até hoje com lavouras de soja e venda de máquinas e peças agrícolas. Há muitos anos eles possuíam uma fundição localizada em uma área próxima a um dos lençóis freáticos que abastecem a cidade.

Essa hipótese não comprovada é a mais provável explicação para os altos índices de ferratina no sangue da população horizontinense. Segundo dizem, os números chegam a ser 20 vezes maiores que os valores normais. 

Foto: Daniel Favero / Terra

Por isso a água é uma preocupação. Além do projeto Água Limpa, da família Bündchen, que recuperou o Lajeado Pratos, existe um projeto de R$ 10 milhões para a recuperação de outras fontes de água. Mas o projeto está paralisado em meio a montanha burocrática do governo do Rio Grande do Sul. “Temos um projeto de R$ 10 milhões aprovado, mas cuja licitação deu deserta. Estamos lutando para que aconteça”, lamentava Hickmann.

 

<p>Prefeito da cidade Nildo Hickmann</p>
Prefeito da cidade Nildo Hickmann
Foto: Daniel Favero / Terra

Depois de tantas evidências de veracidade discutível, só nos restou recorrer à população da cidade para tentar trazer luz ao debate sobre a equação: água + ferro + ser humano = gente bonita. 

 “Homem de Deus, não me grava isso!!!”, reclamava uma senhora. “Não é a água, porque aqui é péssima”, respondia a amiga ao lado.

 

<p>Lourane Ziegler</p>
Lourane Ziegler
Foto: Daniel Favero / Terra

 Sentado em uma lanchonete na companhia de mais duas moças estava Jardas Michael Busz, que dizia ter estudado com Gisele na escola. “Bota ai que meu nome é Jacaré, senão ninguém vai saber quem é”.

<p>Jardas, o Jacaré</p>
Jardas, o Jacaré
Foto: Daniel Favero / Terra

“A gente tinha contato por causa do time de vôlei, viajava sempre. Ela era uma menina bem simpática e extrovertida... não tinha ideia de que ela viraria quem virou por causa da diferença com a irmã dela. Ela era a mais magrinha, chamava ela de Olivia Palito, ela era o patinho feio da família e olha o que aconteceu, a vida dá voltas”, contava Jacaré.

Tomando chimarrão na praça, como quase a totalidade das pessoas que estavam por ali, Alberto Weber dava seu palpite: “Acho que é por causa da mistura de culturas, tem gente de todas as raças, alemão italiano, mulato e deu a mistura”, dizia. Indagado sobre o que achava de Gisele não foi tão simpático na resposta.  “Aqui na cidade ninguém fala muito dela porque ela não vem muito para cá. E a família dela aqui é chata para caramba. Não tem muita coisa boa para dizer deles”, disse.

 Mas não é todo mundo que pensa assim. Quase todos os entrevistados diziam que apesar de verem hoje Gisele com a distância que vemos uma estrela de cinema, por exemplo, ela parece ter colocado o nome da cidade em outro patamar, principalmente pela personalidade, postura trabalhadora e pelo distanciamento de escândalos tão comuns as celebridades.

 “O que eu acho da Gisele? Eu sou fã dela, de verdade mesmo. Acho que tudo que ela fala tem muito sentido, não é como outras bobinhas que não fazem sentido”, dizia Rafaela Bewian. “Não é à toa que esta onde está”, completou a irmã, Fernanda. “Eu sempre falo quando me perguntam de onde sou: ‘de Horizontina, terra da Gisele Bündchen’”, finaliza Rafaela.

Fonte: Terra
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