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Militância, escapismo e performance embalam dia 1 da Casa de Criadores

Weider Silveiro, Jorge Feitosa, Marcelo Von Trapp e Felipe Fanaia desfilaram na segunda

27 nov 2018
17h11
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Mais importante celeiro de novos talentos da moda nacional (sejam eles estilistas, modelos, maquiadores, produtores ou stylists), a Casa de Criadores chega a sua 44ª edição com o mesmo vigor de seus primórdios. Ao menos é o que sugerem as apresentações desta segunda, 26, primeiro dia do evento, um mix de moda, militância e performance: uma combinação para tempos de uma moda que vá além da roupa, que represente posturas e valores - políticos, sociais etc. Confira a seguir o que rolou no primeiro dia do evento.

Megamix

Inspirado no visual do artista australiano Leigh Bowery, que fez fama e causou espanto na moda e na noite inglesa com looks e performances absurdos, o estilista Weider Silveiro deu o pontapé no evento com uma coleção assumidamente escapista. "Estava precisando fugir do momento político, econômico e social", conta ele, que na última temporada tratou de população LBGT de rua. Um veterano entre os participantes da Casa de Criadores, Weider tem uma coisa às vezes rara nessa temporada: habilidade em conjugar imagens impactantes com design bem feito e executado. Nessa estação, trouxe diferentes tipos de xadrez, florais e camuflados num mesmo look (e até na mesma peça), misturando alfaiataria, sportswear e couture, nos vestidos com efeito mil folhas, feitos com muitas camadas de babados bordados.

Raízes

Um estreante no evento, o pernambucano Jorge Feitosa olhou para a feira de moda popular Sulanca, de Santa Cruz do Capibaribe, no agreste do estado. Ali, nos anos 70, retalhos de tecidos vindos de São Paulo eram usados para a confecção de roupas novas. Era sustentável sem querer ser, mas a fama do design de lá não era das melhores - uma coisa que hoje mudou. Na sua reinvenção desse fundamento, uma espécie de "redenção de Santa Cruz", Jorge parte do mesmo princípio para construir camisas, bermudas e jaquetas masculinas com recortes geométricos e aplicações que lembram origamis.

O estilista está presente

Outro novato do evento, mas não no mercado, o estilista Marcelo Von Trapp fez uma ótima estreia. Depois de passar por empresas, como Renner, Melissa e Le Lis Noir, investe em criações próprias focadas em peças de alfaiataria de vocação minimal, chiques e bem executadas. Fez uma apresentação performática, numa atmosfera que evocava Marina Abramovic e os quatro elementos, com os modelos carregando cristais, recipientes com água e uma ciranda de espelhos, entre outros objetos. "Vivemos tempos muito ruins e precisamos nos reconectar com esses elementos, com o simples", explica. Nesse guarda-roupa classicão de Von Trapp entram camisas e ternos alongados, vestidos diáfanos, calças amplas em lã, além de coletes e bermudas utilitários.

Arco-íris

Encerrando em alto astral, Felipe Fanaia fez de seu desfile uma espécie de manifesto pelo respeito à diversidade sexual e à cultura LGBT. Teve a funkeira trans Mulher Pepita abrindo a apresentação ao som da épica trilha de Guerra nas Estrelas e encerramento com uma bandeira do arco-íris carregada pelo casting de modelos. Casting aliás que desfilava fazendo dancinhas e poses de afronta em clima divertido. A coleção em si brinca com o contraste entre cores e um imaginário vibrantes e alegres, vindos do arco-íris e do mundo dos Ursinhos Carinhosos, e uniformes militares, com trenchs e macacões de aviação com manchas tipo tie-dye em versão ampla, com cintura e ombros deslocados.

Estadão

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