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Desfile é marcado por deficientes físicos na passarela

Apresentação da estilista Andressa Salomone contou com a presença de Preta Gil, Di Ferrero e Isabela Fiorentino

7 jun 2018
14h29
atualizado às 14h33
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Na noite de quarta-feira (6), a estilista Andressa Salomone apresentou sua terceira coleção, com uma proposta incomum na moda: todas as roupas foram pensadas para se adaptar às necessidades de pessoas com deficiências físicas, como cadeirantes e amputados. Batizada de La Dolce Belle, ela nasceu entre uma conversa entre ela e a administradora Isabelle Marquez, amiga da família de Andressa, que nasceu com má formação na coluna.

Andressa Salomone abraça Belle, sua inspiração para a coleção 'La Dolce Belle', no encerramento do desfile
Andressa Salomone abraça Belle, sua inspiração para a coleção 'La Dolce Belle', no encerramento do desfile
Foto: Le Prezia/ Andressa Salomone/ Divulgação / Estadão

"Deram um ano de vida quando ela nasceu, hoje ela tem 24", conta Andressa. "Ela comprava várias vezes o mesmo vestido da minha coleção, e eu não entendia o por quê. Eu vivia junto com a Belle, mas nunca tinha pensado sobre a dificuldade dela em comprar roupa. Ela gosta do vestido, que hoje se chama Belle, já que ela abre os botões e consegue vestir sozinha".

"Quando coloquei o vestido, foi a primeira vez que a Belle pessoa e a cadeirante se encontraram em uma roupa", agradece Isabelle. "Esta coleção é uma vitória, não só para mim, mas para todas as pessoas com deficiência, queremos ser vistos como seres humanos antes de como deficientes." Isabelle ajudou Andressa no processo criativo, já que havia feito um curso de moda inclusiva, ministrado gratuitamente pela Secretaria da Pessoa com Deficiência Física de São Paulo.

Ao todo, foram desfilados 30 looks, compostos majoritariamente de macacões e conjuntos de moletom, com modelagens pensadas para facilitar a vida dos deficientes, como botões nos ombros e no corpo das peças, e zíperes nas mangas e nas pernas, que desmontam a peça. Com este tipo de acessório, um cadeirante que demora, em média, meia hora para tirar uma calça, o faz em dez minutos. Todas as peças trazem paetês, bordados e customizações, característica marcante da marca Andressa Salomone.

"A Belle mostrou para nós coisas que são simples, como botões, e que fazem toda a diferença", comenta Daniel Ueda, stylist do desfile. "A Andressa tem essa coisa bem alegre, com brilho, glamurosa, e ela conseguiu fazer uma roupa inclusiva de verdade em versão fashion."

A cantora Preta Gil entrou na passarela acompanhada de Belle Marquez
A cantora Preta Gil entrou na passarela acompanhada de Belle Marquez
Foto: Lu Prezia/ Andressa Salomone / Divulgação / Estadão

O casting do desfile deu o toque especial à apresentação. Deficientes físicos, conhecidos de Belle e Andressa, tiveram um dia de modelo e entraram na passarela ao lado de cantores como Preta Gil e Di Ferrero, e fashionistas como Arlindo Grund, Isabella Fiorentino e Vivi Orth. Ao contrário da grande maioria dos desfiles de moda, o clima era bem descontraído, com a plateia emocionada aplaudindo a cada pessoa que entrava na sala.

"A moda inclusiva me proporcionou entender o que eu posso usar e o que fica bom em mim, juntando a funcionalidade com o fashion, que é o sonho de qualquer pessoa usar", explica Isabelle. "Muitas coisas que amo, que estão na moda, eu não posso usar porque não funcionam para mim."

Os looks já estão à venda, com o valor menor do que a média da marca - o vestido Belle, por exemplo, está custando R$ 800 - até o dia 15 de junho. Todo o valor da venda será revertido para o GRAAC. A partir do dia 15, deficientes físicos terão desconto em todas as peças da Andressa Salomone.

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Estadão

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