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A estilista italiana que foi destaque em ato antirracista

Stella Jean foi uma das principais vozes em protesto no domingo

8 jun 2020
14h50
atualizado às 18h11
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A estilista ítalo-haitiana Stella Jean foi uma das principais vozes do protesto antirracista realizado na Piazza del Popolo, em Roma, neste domingo (7).
    O ato, deflagrado após a morte do afro-americano George Floyd, asfixiado por um policial branco em uma operação em Minneapolis no último dia 25 de maio, reuniu centenas de pessoas nas ruas da capital italiana. Entre os muitos jovens e muitas famílias, a designer de moda se destacou com suas palavras fortes e tocantes em memória a Floyd, principalmente por citar a Constituição ao fazer um apelo por cidadania.
    "Não gosto de ser o centro das atenções, mas hoje falo porque não é possível ficar calado, não é possível que meus filhos sofram as mesmas ameaças que sofri quando menina. Todos eles merecem cidadania, ius soli", disse Stella, fazendo referência ao direito automático da cidadania para todos os filhos de estrangeiros. Durante seu discurso, a estilista disse ser um "absurdo que eles não tenham todos os direitos", tendo em vista que "são filhos desta cidade e deste país". "A evidência de cidadania prevê conhecer de cor os artigos da Constituição, mas eu gostaria de perguntar quantos italianos sabem de cor. Posso lhe dizer que a própria Constituição que é filha da resistência, do sofrimento dos pais fundadores e do povo italiano, garante a liberdade e a igualdade de todos os cidadãos", ressaltou. Com palavras duras, Stella Jean se destacou em meio à uma multidão. Mas afinal, quem é ela? Nascida na Itália, a estilista é filha de um italiano, originário de Turim, e de uma haitiana.
    Com 41 anos, explica que, quando criança, foi tratada como estrangeira, até mesmo na escola, e não entendia. "Tenho orgulho de minhas origens, mesmo que nunca tenha sentido pertencer completamente a um país ou a outro, a uma cultura ou a outra", ressaltou. Ao longo de sua carreira, a estilista fez do multiculturalismo o mosaico dos mundos, a sustentabilidade e a rastreabilidade ética em suas criações. "Minha moda é a demonstração de que a fusão não significa se perder, mas viver em harmonia na diversidade. Metade do meu DNA vem de um país que passou por uma forte colonização, mas conseguiu manter viva sua parte negra africana, mesmo se na fusão algo sempre é dado e alterado. As fronteiras intransponíveis são as da mente", revelou. Vencedora da competição AltaRoma e Vogue Italia, Stella foi "apadrinhada" por Giorgio Armani, que em 2013 promoveu seu desfile no Teatro Armani. Logo depois, em pouco tempo, ela conseguiu criar uma marca vendida nas lojas mais importantes do mundo. Cada coleção é um "Laboratório das Nações", resultado da construção de uma ponte cultural entre o design italiano e os artesãos de um país em desenvolvimento ou de baixa renda em cada estação do ano, como Peru, Haiti, Burkina Faso, Mali e outros na América do Sul, África e Ásia. Além disso, ela dedica suas peças ao empoderamento feminino.
    Sua moda é folclórica, colorida, incluindo designers africanos.
    No último desfile de moda, em Milão, em 2019, Stella deu destaque aos incríveis bordados feitos à mão pelas mulheres da comunidade Kalash, no nordeste do Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão.
    Pela primeira vez na história, as mulheres Kalash bordaram seus motivos tradicionais para um público internacional.

Stella Jean foi uma das principais vozes em protesto no domingo
Stella Jean foi uma das principais vozes em protesto no domingo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

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