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A beleza está mais diversa do que nunca, mas será o bastante?

Como as marcas de cosméticos, os fotógrafos e os maquiadores ainda precisam melhorar para trabalhar com mulheres negras

21 set 2018
09h11
atualizado às 15h24
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Na era de coleções de maquiagem com 40 tons de base e mais representantes negras do que nunca, parece que o mundo da beleza finalmente aceitou a diversidade, e a celebra. Ainda sim, se você perguntar a maquiadores, cabeleireiros e fotógrafos sobre isso, a resposta será provavelmente: é um começo.

Comparada com a moda, a beleza foi mais rápida em termos de inclusão. Movido pelas redes sociais, este universo, nos últimos cinco anos, se moldou para receber e representar consumidores de todos os tons de pele e identidades de gênero. Isso considerando o sucesso esmagador da Fenty Beauty, marca da Rihanna, que chamou atenção ao lançar 40 cores de base mostrando o quão míope as marcas estavam sendo.

Claramente o mercado de maquiagem para mulheres negras vai muito além de um nicho. O tempo em que Iman, uma supermodelo famosa dos anos 1970 e 1980, tinha que levar seus próprios cosméticos para as sessões de fotos parece arcaico. (Mais tarde ela abriu sua própria empresa, anos antes de Rihanna, para melhorar estes problemas.)

"Você não tem mais a desculpa de que o produto não está disponível", diz Nick Barose, maquiador que tem clientes como Lupita Nyong'o, Priyanka Chopra e Gugu Mbatha-Raw. "Jovens, velhos, escuros, claros, diferentes subtons - você tem que ser capaz de olhar para o rosto em sua frente e igualar."

Mudanças similares estão ocorrendo em termos de produtos para cabelo. Lideradas por estrelas como Yara Shahidi, Sasha Lane e Tracee Ellis Ross, que usam os seus cabelos naturais, "selvagem, rebelde, textura frisada" estão redefinindo o glamour hollywoodiano, como explica Nai'vasha Johnson, que penteia Yara e Sasha. Isso é "absolutamente ligado a raça", continua. "Quando você faz permanentes, alisamentos e todas essas coisas que alteram o que é naturalmente seu, sejamos honestos, é abraçar uma raça ou nacionalidade que não é sua."

O que estamos vendo agora - esta variedade de penteados e texturas no tapete vermelho - não veio sem esforço. Na estimativa de Nai'vasha, a mudança ocorreu durante os últimos cinco anos e está sendo uma batalha. "É preciso que mulheres fortes, como Wanda Sykes, que foi a minha primeira celebridade a usar os fios naturais, digam 'estou confortável com quem eu sou'", conta. "Fiz um penteado nela com o cabelo natural e ficou glorioso - realmente lindo. Depois disso, outras mulheres com cabelo cacheado entraram na onda, porque viram que poderiam fazer coisas lindas com suas texturas."

'Vamos levar isso a um lugar real'

Cabelo natural e múltiplos tons de pele já estiveram "em alta" antes. (Relembre os anos 1960 de Diana Ross e os desfiles da Yves Saint Laurent nos anos 1970.) Então, isso é algo passageiro ou veio para ficar?

Sam Fine, maquiador conhecido por trabalhar com Naomi Campbell, Iman e Queen Latifah, é cético. Ele está na indústria desde 1991 e viu coleções para mulheres negras surgirem e desaparecerem. "Teve a Revlon, quando eles lançaram a ColorStyle, e também a Shades of You da Maybelline. Onde estão elas agora?", questiona Fine. "Essa relação das marcas com as negras é bem sazonal. Se eles assinarem um contrato com a Veronica Webb ou Tyra Banks, de repente farão uma coleção para elas."

Ele aponta que as mudanças mais permanentes ocorreram nos anos 1990 com o aumento das marcas profissionais - especialmente MAC, Nars e Bobbi Brown. "Eles realmente começaram a mudar o jogo", explica. "A MAC, particularmente, abraçou as pessoas negras com sua ampla gama de cores."

Mesmo assim ele enxerga questões a serem melhoradas. "Estamos empacados no politicamente correto", diz. "Vamos levar para o lugar em que isso é real e durável. Por exemplo, todas as marcas estão lançando 40 tons de base porque está na moda. Mas elas estão realmente trabalhando as iniciativas e o alcance? Não é só colocar uma modelo negra ao lado da Gigi Hadid. Os produtos precisam estar perto das pessoas, e não somente na sua loja da Times Square e os vendedores precisam de treinamento."

Na verdade, a educação é frequentemente citada como um problema. Tym Buacharern, maquiador que trabalhou nos filmes Pantera Negra, Dreamgirls e Jogos Vorazes, crítica as escolas de maquiagem por não fazerem o bastante. Eles ensinam predominantemente como trabalhar em caucasianos, diz. Além disso, ele acredita que os maquiadores mais jovens estão confiando demais nos tutoriais do YouTube.

"YouTube é incrível para inspiração depois que você possui experiência, mas é um desserviço para os jovens porque você está aprendendo com alguém que é ótimo apenas em fazer maquiagem em si mesmo", explica. "Você precisa aprender os fundamentos antes."

Segundo Buacharern, estas habilidades incluem acertar no tom e na fórmula da base para determinados tipos de pele e saber trabalhar com quem está sentado em sua frente. Então não é surpreendente quando uma atriz negra aparece no set, que ela tenha problemas com o cabelo ou a maquiagem. "Quando eu tenho uma mulher não branca vindo - pode ser latina, asiática, negra, o que for - ela já teve algum problema do tipo antes", relata. "Não existe muita confiança aqui."

Com mais mulheres de cor em papéis de liderança, a dinâmica está mudando aos poucos. "Quanto maior a atriz, mais controle ela tem sobre quem trabalha nela", continua o maquiador. "E não tem nada a ver com vaidade. É sobre estar confortável e não ter que se preocupar com cabelo e maquiagem e conseguir focar na atuação."

Estadão
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