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Esotérico

Páscoa: momento de evolução e construção de uma vida melhor!

evgenyatamanenko / iStock
1 abr 2018
08h00
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Eu era menina, há bastante tempo, bastante mesmo (rs). Nos dias que antecediam a Páscoa, lá pelos lados do Centro, surgia um homem vendendo ovinhos de chocolate embrulhados em papel metalizado colorido. Cego, era amparado por um menino pequeno, mais ou menos da minha idade, provavelmente seu filho.

Eu estudava por ali e encontrava-os com frequência, voltando para casa, perto da hora do almoço. Quando ocorria, não podia me controlar, chorava. As lágrimas banhavam a blusinha branca do meu uniforme.

Sentia pena de tantas coisas. Do cego que não via nada; do menino cujo pai não exergava; da pobreza do mundo que, mesmo não compreendendo inteiramente, eu começava a delinear e percebia que também ele, à sua maneira, não via nada.

O tempo passou, as Páscoas se sucederam: travessias. Elas me puseram para andar diversos desertos: das esperanças e das ilusões, das cidades e das atrocidades, das substâncias e dos vazios. Somadas, elas me trouxeram crescente paz de espírito, tolerância diante das injustiças, complicações e sofrimentos espalhados pelos quatro cantos da realidade e da humanidade.

De todas ficou a forte lição ensinada por essa data especial. Páscoa como esperança de evolução, de construção de uma vida melhor. Nos tempos atuais, carregados de acontecimentos, a paradinha que ela nos convida a dar, para pensarmos nos destinos maiores, é bem-vinda.

Hora então de encarar de novo o trabalho a ser feito, arregaçar as mangas e combater os problemas do individualismo e do egoísmo. Passagem pascal é exatamente isso: da escravidão à liberdade, do ódio à paixão, do medo à certeza, da dúvida à solução. Principalmente compreender que nossa trajetória, se percorrida em solidão, é repugnante, de arrepiar.

Páscoa é o privilégio da casa e não do quarto de hotel, de sermos moradores e não meros hóspedes, de estarmos alojados e não peregrinos, de abraçarmos e não simplesmente cumprimentarmos. Ela carrega as vantagens da segurança, da intimidade, da estabilidade, acalma as inquietações.

Peço, então, que meus leitores, nesses dias especiais, mentalizem comigo, desejando que todos, indistintamente, tenham a oportunidade de aproveitar esse bálsamo. Força renovada e renovadora que desperta a alma para comungar. Unidos como estamos, sendo, ao mesmo tempo, os cegos e as crianças, podemos nos amparar mutuamente.

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

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Fonte: Marina Gold

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