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Vinho com tampa de rosca ou rolha? Veja vantagens de cada tipo

10 out 2012
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Você provavelmente já ouviu que o sobreiro, árvore que fornece a cortiça, está em extinção. Também já deve ter ficado em dúvida se comprava ou não um vinho com garrafa fechada com tampa de rosca, com receio da qualidade da bebida. Essas questões são comuns, mesmo entre os enófilos e consumidores frequentes de vinho. E não existe apenas uma recomendação. A preferência pelo uso da rosca ou rolha de cortiça está ligada à tradição de produção dos países e o tipo de vinho. O Terra conversou com sommeliers que deram dicas e informações que podem ajudar você a fazer essa escolha. Confira:

Muito enófilos não abrem mão de analisar a rolha ao abrir uma garrafa
Muito enófilos não abrem mão de analisar a rolha ao abrir uma garrafa
Foto: Getty Images

1. O tipo de fechamento pode alterar a evolução do vinho dentro da garrafa. "Tampas de rosca feitas de alumínio ainda sofrem muita resistência porque muitos acreditam que o vinho não será tão bom. Na loja mesmo, perdemos venda de alguns vinhos com tampa de rosca, pois as pessoas têm preconceito", diz o sommelier Marcelo Rosa, proprietário da Enoteca O Melhor Vinho do Mundo.

2. Segundo Pedro Alves Cardoso, docente do curso Formação de Sommelier de Vinhos do Senac São Paulo, o manejo e fechamento da bebida pedem cuidados. "Quando o vinho não está pronto, tudo pode influenciar o seu desenvolvimento."

3. As tampas de rosca (screwcap) podem ser usadas sem medo em vinhos jovens, que não precisam de guarda.

4. Os vinhos brancos e rosés são os grandes beneficiados por este tipo de fechamento, já que são mais jovens e seu tempo de guarda vai de três a quatro anos, segundo Marcelo Rosa.

5. Tintos jovens também têm compatibilidade com a screwcap e, com ela, podem ser  guardados por 6 a 8 anos sem problemas.

6. "Fora do Brasil, este tipo de fechamento começou a ser usado há cerca de uma década, principalmente nos países do Novo Mundo – Austrália (grande exportadora de tecnologia de vinhos), Nova Zelândia e África do Sul. Os países produtores tradicionais, caso de França, Itália, Portugal e Espanha, ainda resistem, mas já começaram produzir com screwcap. No Brasil, a tampa de rosca vem ganhando espaço no mercado há cerca de cinco anos", afirmou Marcelo Rosa.

7. A rolha feita de cortiça permite que a bebida receba uma micro-oxigenação que beneficia a evolução do vinho na garrafa. "Portanto, as rolhas tradicionais ficariam para os vinhos tintos de longa guarda, que precisam dessa micro-oxigenação", disse o sommelier da Enoteca.

8. Existem pesquisas que estudam a possibilidade de desenvolver screwcaps que ofereçam a mesma micro-oxigenação da rolha de cortiça.

9. Outra vantagem da tampa de rosca é que, ao contrário da cortiça, ela não pode ser afetada por fungos, como o TCA, que ataca as rolhas e estraga o vinho - o famoso bouchonné.

10. Os especialistas afirmam que a screwcap é o futuro, já que a cortiça usada para fazer as rolhas, que é extraída da casca de uma árvore, um dia pode acabar. Isso porque a casca do tronco só pode ser extraída a partir dos 30 anos de idade da planta e, depois, a cada nove anos. "Não acredito na extinção do Sobreiro. Enquanto houver vinho, vai existir cortiça, pois é política dos alguns países produtores", disse Pedro Alves Cardoso, do Senac.

11. O custo para produzir uma tampa de alumínio é mais baixo.

12. Apesar da praticidade ao abrir uma tampa de rosca, a perda de charme é um forte motivo para tanta resistência. Afinal, abrir uma garrafa de vinho com um saca-rolha é um ritual do qual muitos enófilos não abrem mão. 

13. Muito enófilos consideram essencial analisar a rolha ao abrir uma garrafa. "Um cheiro 'velho' ou de mofo mostra que o vinho pode estar estragado", disse Marcelo Rosa. "O cheiro da rolha é uma maneira de sentir o vinho de um jeito mais simples, afinal, ali está a porta de muitos segredos", afirmou Pedro Alves Cardoso.

14. Há também muitos vinhos fechados com rolhas sintéticas. Nesse caso, os que defendem a preservação do sobreiro também condenam o uso de plástico no item. "O plástico sempre vai ser visto como o vilão da história, mas não é nada que o mercado não possa absorver buscando outras saídas", disse Pedro Alves Cardoso.

15. Existem ainda as versões BIB ou Bag in Box, uma alternativa para reduzir o preço dos vinhos mais simples, para o dia a dia, mas que ainda enfrenta muito preconceito no Brasil. "Na Europa, as caixas se tornam cada vez mais sofisticadas e mais interessantes. Como isso faz parte do crescimento da reciclagem em países vinhateiros deve, aos poucos, influenciar culturalmente também o Brasil. Mas, como o brasileiro vê o vinho como uma bebida de consumo de classe social mais elevada, diferente da Europa, essa influência deve acontecer aos poucos", afirmou o docente do Senac.

16. Há vários estudos e pesquisas para outras alternativas de embalagens para vinhos, como garrafa de papel reciclado ou mesmo garrafas recicladas.

Fonte: Ponto a Ponto Ideias Ponto a Ponto Ideias
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