Solly Boussidan/ Especial para Terra
Poucos lugares têm o poder de despertar tamanho fascínio, admiração e encantamento que tomam o visitante que avista o monastério de Sümela pela primeira vez.
Pendurado na encosta de um penhasco a 1,2 mil metros e acima de uma floresta intocada de pinheiros, um rio de corredeiras e permanentemente envolto em uma espessa névoa, o local parece saído das páginas de um conto de fadas.
Fundado no ano 386 em homenagem à Virgem Maria, no local onde dois sacerdotes da Igreja Ortodoxa Grega encontraram um ícone sagrado durante o reinado do Imperador Theodósio I, o monastério foi conservado, ampliado e remodelado por diversos reis e dirigentes romanos, bizantinos e otomanos, até ser completamente abandonado, em 1923, após a ocupação russa da Primeira Guerra Mundial, e as deportações de populações étnicas gregas e turcas levadas a cabo após o estabelecimento da Turquia e da Grécia modernas.
A Turquia, fundada nos princípios do secularismo estatal, proibiu a realização de missas e a liturgia no local até 2010. Os anos de abandono tiveram um custo – muitos dos afrescos da Idade Média foram grafitados ou danificados ao longo dos últimos 70 anos e só recentemente a Turquia começou a empreender esforços para restaurar o local.
Para chegar a este local mágico, a maioria dos visitantes parte da cidade portuária de Trabzon, no Mar Negro, a cerca de uma hora de viagem. É necessário caminhar cerca de 30 minutos por uma trilha que adentra o Vale de Altindere, passando por cachoeiras, pontes suspensas, mata nativa e vistas espetaculares do Monastério e das corredeiras que cruzam o vale.
A entrada no monastério se dá por uma escadaria e um aclive por entre as rochas que compões as paredes do prédio externo, de onde se chega a um surpreendente vão natural coberto pela encosta da montanha onde estão talhados diversos cômodos monásticos, além de construções em mármore deslumbrantes. O ponto chave do monastério é a Igreja da Virgem Maria, construída inteiramente a partir de uma caverna na rocha e totalmente recoberta por afrescos medievais. É impossível não se sentir transportado a outro mundo frente a delicadeza da obra e o local improvável que parece desafiar a lógica do espaço, do tempo e da gravidade.
O monastério de Sümela está atualmente em uma lista de possíveis monumentos que podem vir a ser considerados Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Monastério de Sümela parece saído das páginas de um conto de fadas