Localizado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, o terreno que hospedou o Canecão irá abrigar um novo complexo cultural combinando a preservação de sua importância cultural com a modernização de sua infraestrutura. O projeto prevê a criação de oito ambientes dedicados à arte, à música e ao entretenimento.
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Situado no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o projeto prevê um complexo cultural ocupando uma área total de 20 mil metros quadrados, dos quais 15 mil serão de área construída. A estimativa é que o novo espaço seja aberto no fim de 2027.
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A iniciativa está a cargo do consórcio Bonus Klefer, formado pela Bonus Track, empresa do empresário Luiz Oscar Niemeyer, e pela Klefer, comandada por Kleber Leite, empresário e ex-presidente do Flamengo.
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O grupo venceu o leilão realizado em 2023 com uma oferta de R$ 4,35 milhões e assumiu a concessão do espaço por um período de 30 anos, com investimento estimado em R$ 270 milhões para viabilizar a requalificação.
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De acordo com os responsáveis, a proposta de retomada do Canecão pretende equilibrar sua vocação cultural com práticas de planejamento urbano sustentável, evitando impactos negativos no entorno.
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A iniciativa promete evitar que o novo complexo se transforme em mais um foco de congestionamentos em Botafogo e na Urca. Andre Torós, CEO do consórcio que venceu o leilão, declarou ao portal “Metro Quadrado” que a estratégia é concentrar áreas fixas de embarque e desembarque fora das vias principais da região, especialmente nas proximidades da Avenida Lauro Sodré.
Foto: Reprodução do Youtube Canal TV Band Rio
Fundado em 1967 pelo empresário Mario Priolii, o Canecão surgiu originalmente com a proposta de funcionar como uma grande cervejaria.
Foto: Reprodução do Facebook Canecão
O espaço foi projetado pelo arquiteto José Vasquez Ponte e rapidamente se transformou em uma das principais referências nacionais para a realização de espetáculos de médio e grande porte, consolidando-se como um dos palcos mais importantes do país.
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A projeção definitiva da casa veio em 1969, quando a cantora Maysa realizou uma temporada de shows que atraiu a atenção do meio artístico e do público.
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A partir desse show, o Canecão passou a ocupar um lugar central na cena cultural do Rio de Janeiro, tornando-se ponto de encontro de músicos, compositores e intérpretes, além de parada obrigatória para grandes turnês nacionais.
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Entre os momentos mais lembrados estão os shows de Maysa na temporada “Canecão Apresenta Maysa”, a turnê “As Cidades”, de Chico Buarque, as apresentações de Vinícius de Moraes, Antonio Carlos Jobim, Toquinho e Miúcha em 1977, além dos espetáculos de Marisa Monte na turnê “Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão”.
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Também marcaram época os shows de Cazuza com a turnê “Ideologia”, os concertos da banda Los Hermanos na turnê “Ventura”, novas apresentações de Chico Buarque em “Carioca” e os shows de Roberto Carlos entre outros.
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O Canecão foi igualmente palco de apostas ousadas. Um dos episódios mais emblemáticos foi protagonizado por Elymar Santos em 1985, quando o cantor utilizou o local para lançar sua carreira ao alugar a casa por conta própria. Ele investiu uma quantia elevada para a época, em uma iniciativa que acabou se tornando um marco de sua trajetória artística.
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Em 2009, a administração do Canecão sofreu uma derrota judicial que favoreceu a Universidade Federal do Rio de Janeiro, resultando na retomada de parte do terreno. Meses depois, uma liminar devolveu temporariamente a posse ao antigo ocupante, permitindo a reabertura da casa.
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No entanto, em 17 de outubro de 2010, o Canecão encerrou definitivamente suas atividades após os antigos dirigentes perderem a disputa judicial, que se arrastava havia quatro décadas, e o imóvel foi reintegrado à universidade.
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O prédio, que havia sido tombado em 1999, passou por um processo de destombamento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em junho de 2019, após pedido formal da UFRJ, permitindo sua demolição e a concessão do espaço.
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Antes disso, em 2016, o espaço voltou a ganhar vida de forma inesperada quando militantes do movimento Ocupa MinC, que haviam sido retirados do Palácio Capanema, transferiram a ocupação para o Canecão. A reitoria da UFRJ negociou a desocupação do espaço, concluída na madrugada de 5 de setembro daquele ano.
Foto: Reprodução do Youtube Canal TV Band Rio
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