"O Morro dos Ventos Uivantes": história, polêmicas e adaptações do clássico

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A nova adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” estreou no Brasil em 12 de fevereiro de 2026 e, desde a divulgação do elenco e do trailer, tem gerado debates nas redes sociais. Dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original por “Bela Vingança”, o filme traz Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw e Jacob Elordi como Heathcliff.

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A trama acompanha a relação intensa e conflituosa entre os dois personagens, que desenvolvem uma ligação profunda desde a infância. Impedidos por convenções sociais e escolhas pessoais, eles seguem caminhos distintos quando Catherine decide se casar com outro homem. Anos depois, Heathcliff retorna rico e determinado a se vingar daqueles que considera responsáveis por seu sofrimento.

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Nas redes sociais, parte do público acusou o filme de distorcer a essência da obra original e o principal foco das críticas foi o tom do material promocional, que, segundo os comentários, não representa com fidelidade a tensão emocional e psicológica que marca o romance. A diretora, por sua vez, defendeu o longa e afirmou que o título estilizado entre aspas já mostra que sua intenção nunca foi realizar uma adaptação tradicional, mas sim apresentar uma releitura autoral.

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Outro ponto de debate envolve o elenco. A escolha de Margot Robbie para interpretar Catherine foi questionada pela diferença de idade em relação à personagem original. Já no caso de Heathcliff, críticos alegam que a nova versão teria suavizado ou ignorado aspectos raciais considerados centrais para compreender os conflitos e preconceitos retratados na narrativa.

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O longa adapta o clássico da literatura inglesa publicado em 1847 por Emily Brontë, que assinou a obra sob o pseudônimo masculino Ellis Bell. Trata-se do único romance da autora que é marcado por temas como amor, posse, vingança e reconciliação, além de ser influenciado pelo Romantismo e pela tradição da ficção gótica.

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Emily Brontë nasceu em 30 de julho de 1818, em Thornton, West Yorkshire, e faleceu em 19 de dezembro de 1848, aos 30 anos. Cresceu na vila de Haworth ao lado das irmãs e do irmão Branwell. Sua irmã mais velha, Charlotte Brontë, nascida em 1816, foi a autora de “Jane Eyre”, publicado sob o pseudônimo “Currer Bell”. A irmã mais nova, Anne Brontë, nascida em 1820, escreveu “Agnes Grey” e “A Moradora de Wildfell Hall”, sob o pseudônimo “Acton Bell”.

Foto: Wikimedia Commons / Domínio Público

O texto original de “O Morro dos Ventos Uivantes”, publicado por Thomas Cautley Newby em 1847, está disponível online em duas partes. O romance foi lançado inicialmente junto com “Agnes Grey”, de Anne Brontë, em formato de três volumes: “O Morro dos Ventos Uivantes” ocupava os dois primeiros, enquanto “Agnes Grey” compunha o terceiro.

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Já na edição de 1850, Charlotte Brontë revisou o texto original, corrigiu problemas de pontuação e ortografia, ademais de suavizar o forte dialeto de Yorkshire presente nas falas de alguns personagens. Além disso, escreveu um prefácio.

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No Brasil, a primeira tradução foi publicada em 1938 pela Editora Globo, com tradução de Oscar Mendes. Em 1947, Rachel de Queiroz realizou uma nova tradução para a Editora José Olympio. A obra também já foi publicada com o título “A Colina dos Vendavais”.

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“O Morro dos Ventos Uivantes” recebe esse nome por causa da propriedade rural onde a maior parte da história se passa, localizada nas colinas de Yorkshire, na Inglaterra. A narrativa é conduzida principalmente pela governanta Nelly Dean, testemunha dos acontecimentos envolvendo a família Earnshaw.

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A trama tem início quando o Sr. Earnshaw encontra, nas ruas de Liverpool, um menino órfão, sujo e faminto. Movido por compaixão, ele o leva para casa e o adota, dando-lhe o nome de Heathcliff. O garoto passa a viver ao lado dos filhos biológicos do casal, Catherine e Hindley. Desde o começo, Hindley rejeita Heathcliff. Catherine, após uma resistência inicial, desenvolve com ele uma ligação profunda, que se transforma em um amor intenso e obsessivo.

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Após a morte do Sr. Earnshaw, Hindley assume o controle da propriedade e rebaixa Heathcliff à condição de criado. Paralelamente, Catherine se aproxima de Edgar Linton e decide se casar com ele para preservar sua posição social. Ao descobrir a decisão da jovem, Heathcliff vai embora e, anos depois, retorna rico e determinado a se vingar. A partir daí, os acontecimentos desencadeiam uma sequência de conflitos que afetam as gerações seguintes.

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O livro gerou controvérsia por retratar crueldade mental e física, incluindo diferentes formas de violência, além de desafiar valores da moral vitoriana, da religião e do sistema de classes. Entretanto, a história inspirou diversas adaptações para o cinema e a televisão ao longo das décadas. Entre as mais conhecidas estão o filme de 1939, a versão de 1992, a minissérie de 2009 e a adaptação de 2011.

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A adaptação de 1939 foi a primeira grande versão hollywoodiana do livro. Dirigido por William Wyler, o filme trouxe Merle Oberon como Catherine e Laurence Olivier como Heathcliff e adaptou apenas a primeira parte do romance. O longa recebeu oito indicações ao Oscar de 1940 e venceu na categoria de Melhor Direção de Fotografia em Preto e Branco, pelo trabalho de Gregg Toland.

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A versão de 1992, dirigida por Peter Kosminsky, foi estrelada por Juliette Binoche no papel de Catherine e marcou a estreia de Ralph Fiennes no cinema como Heathcliff. Diferentemente do filme de 1939, essa adaptação também contempla a segunda parte do romance, incluindo a trajetória dos filhos da primeira geração.

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O romance também foi adaptado para a televisão, e uma das versões mais conhecidas é a minissérie exibida pela ITV em 2009. Dividida em duas partes, a produção teve direção de Coky Giedroyc e foi estrelada por Tom Hardy como Heathcliff e Charlotte Riley como Cathy Earnshaw. Com maior duração, a minissérie desenvolve tanto a primeira quanto a segunda parte da história.

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Em 2011, “O Morro dos Ventos Uivantes” ganhou uma nova adaptação dirigida por Andrea Arnold, vencedora do Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live-Action por “Wasp”. Kaya Scodelario interpretou Cathy, enquanto James Howson assumiu o papel de Heathcliff. O filme recebeu o prêmio Osella de Melhor Direção de Fotografia no Festival de Veneza.

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Curiosidade: Bella Swan, da saga “Crepúsculo” declarou que “Morro dos Ventos Uivantes” era seu livro favorito e, ao longo dos livros, ela fez diversas referências ao romance. Com o sucesso de “Crepúsculo”, a procura pelo clássicou aumentou. A editora HarperCollins, inclusive, lançou uma edição com uma capa que fazia referência à saga. No Brasil, uma das edições chegou a trazer um selo promocional com a frase: “o livro favorito de Bella e Edward – Crepúsculo”.”

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