Crustáceo de aparência alienígena que vive nas profundezas do oceano pode passar mais de cinco anos sem se alimentar
Foto: Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências
Nas profundezas dos oceanos, longe da luz solar e em ambientes onde a comida pode ser escassa por longos períodos, vivem crustáceos de aparências surpreendentes. Um desses animais é o isópode gigante, que chamam a atenção pelo tamanho, mas também por outras características bizarras.
Foto: Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências
Parentes distantes dos famosos tatuzinhos-de-jardim, os isópodes gigantes do fundo do mar conseguem passar mais de cinco anos sem se alimentar. Um estudo publicado na revista científica Cell, em agosto de 2026, investigou os mecanismos biológicos que ajudam esses organismos a economizar energia e sobreviver diante da falta de alimento.
Foto: Reprodução/@IFLScience
A pesquisa reuniu cientistas do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências, da Universidade Chinesa de Hong Kong e da Universidade Politécnica do Noroeste. Entre os principais resultados, a equipe identificou o gene ND1, que pode ter chegado ao genoma desses crustáceos por meio de bactérias e parece desempenhar um papel importante no controle do metabolismo.
Foto: Reprodução/Instagram
Os pesquisadores também analisaram como a estrutura corporal dos isópodes e sua relação com microrganismos favorecem a adaptação ao fundo marinho. Os animais estudados pertencem ao gênero Bathynomus e apresentam corpo achatado, dividido em segmentos e protegido por uma carapaça resistente.
Foto: Reprodução/Journal of Natural History
Suas 14 patas articuladas auxiliam na locomoção, enquanto algumas espécies podem atingir cerca de 50 centímetros de comprimento. Esses crustáceos aparecem nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em áreas onde a oferta de comida depende, em grande parte, de restos de peixes e outros organismos que afundam até o leito oceânico.
Foto: Reprodução/YouTube Reuters
Para compreender melhor suas adaptações, os cientistas examinaram duas espécies: a Bathynomus jamesi, encontrada a aproximadamente 900 metros de profundidade no Mar da China Meridional, e a Bathynomus doederleini, que vive a cerca de 300 metros no Mar da China Oriental.
Foto: Wikimedia Commons/Dr. Nguyen Thanh So
Uma das estratégias desses animais consiste em aproveitar ao máximo cada refeição. Na prática, os isópodes gigantes conseguem enfrentar longos períodos sem alimento graças ao estômago amplo e ao metabolismo lento, que reduz o consumo de energia.
Foto: Reprodução
A pesquisa também identificou bactérias do grupo Chlamydiae que conseguem armazenar gordura. O gene ND1, capaz de reduzir a atividade metabólica em ambientes frios, pode ter sido adquirido há mais de 16 milhões de anos. Para investigar seus efeitos, os cientistas realizaram testes com peixes-zebra, vermes e células humanas.
Foto: NOAA
Em um experimento, peixes-zebra que receberam o gene sobreviveram 37% mais tempo sem comida a 18 °C. Apesar dos resultados promissores, novas pesquisas ainda são necessárias para esclarecer como esse mecanismo contribui para a resistência dos isópodes gigantes à fome.
Foto: Flickr - Eric Kilby
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