Previdência Privada

6 de janeiro de 2006
Previdência capta R$ 2,3 bilhões em dezembro

O recebimento de receitas extras de fim de ano, como participação nos lucros, abonos e a primeira parcela do 13º salário, e a forte campanha promocional das seguradoras foram responsáveis pela expansão dos aportes de recursos nos planos de previdência privada no fim do ano. Mesmo após um excelente mês de novembro, com captação de R$ 1,34 bilhão, os depósitos nesses fundos somaram R$ 2,3 bilhões em dezembro, conforme os dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), novo recorde para o segmento. O mês de dezembro é tradicionalmente o mais importante para o setor, já que atrai os investidores que buscam o benefício fiscal de abatimento dos depósitos, no caso do PGBL, em até 12% da renda bruta do ano, na declaração anual do Imposto de Renda.

O montante registrado em dezembro é mais do que quatro vezes a média mensal de janeiro a outubro, de R$ 489 milhões. No início do ano, o mercado foi prejudicado pelas dúvidas dos investidores a respeito da nova possibilidade de tributação existente, a tabela regressiva. Para exemplificar, em fevereiro, auge das incertezas, a captação de previdência foi de apenas R$ 161 milhões.

Vantagem - Sem dúvida, os planos de previdência, se usados da melhor forma, devem se destacar como principal alternativa, superando os fundos de investimentos. As vantagens são o regime tributário de alíquotas decrescentes e a isenção da cobrança do Imposto de Renda sobre o ganho da capital durante a fase de acumulação. No caso dos fundos tradicionais, o tributo é recolhido semestralmente, reduzindo a rentabilidade ao longo dos anos.

Pela alíquota nova, os fundos de previdência só são tributados na hora do saque e conforme a alíquota decrescente, que começa em 35% e cai cinco pontos porcentuais a cada dois anos até o limite de 10% no prazo de dez anos. Já os fundos de investimentos de longo prazo possuem tributação inicial de 22,5%, para recursos que permanecerem investidos por até seis meses, que cai 2,5 ponto porcentual, para até 15%, quando o dinheiro fica aplicado por mais de dois anos. Ou seja, os recursos que ficarem aplicados por dez anos na previdência, terão tributação menor na hora do saque e sobre uma rentabilidade maior.

Mas, é preciso cuidado também. Quem tem dinheiro aplicado por período inferior a dois anos e sacar vai pagar 35% de imposto sobre o total retirado. E o valor pago como imposto não pode mais ser recuperado na declaração de renda anual, porque a tributação é exclusiva na fonte.

Simulações feitas entre o PGBL novo e os fundos de investimentos mostram que o ponto de equilíbrio entre as aplicações ocorre em torno do sétimo ano de permanência dos recursos investidos. A partir daí, os fundos de previdência já são melhores do que aplicar na renda fixa tradicional. Em uma hipótese com aportes de R$ 1 mil por mês e juro real de 8% ao ano, o valor de saque em um fundo no décimo ano seria de cerca de R$ 125,5 mil, enquanto no PGBL o investidor resgataria R$ 136,3 mil, diferença de quase 9%. Após 20 anos, o valor acumulado na previdência seria 20% maior do montante sacado do fundo. E o valor a ser sacado no PGBL novo pode ser 30% maior, se o investidor permanecer por cerca de 25 anos. Daí, também, a necessidade de se começar cedo a aplicação.
(Da Redação do DiárioNet)