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Como um material radioativo é usado para dissuadir caçadores de rinocerontes na África do Sul

País abriga cerca de 80% da população mundial de rinocerontes brancos e se tornou foco da chamada caça furtiva. Especialistas dizem que não há riscos para o animal nem para o meio ambiente

6 jul 2024 - 12h10
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Cientistas sul-africanos começaram no fim de junho a injetar material radioativo nos chifres de rinocerontes vivos para facilitar a sua detecção nos postos fronteiriços, esperando assim acabar com a caça furtiva que está dizimando estes animais protegidos.

A África do Sul abriga cerca de 80% da população mundial de rinocerontes brancos, estimada em cerca de 13.000 espécies.

No entanto, país tornou-se um foco de caça furtiva, impulsionado pela procura na Ásia, onde os chifres são utilizados na medicina tradicional pelos seus supostos efeitos terapêuticos ou afrodisíacos.

A savana do Orfanato de Rinocerontes abriga principalmente animais jovens cujas mães foram caçadas ilegalmente. O local, cujas coordenadas não são reveladas precisamente, fica na província de Limpopo, no nordeste do país.

James Larkin, pesquisador da Universidade de Witwatersrand e promotor da iniciativa, colocou "dois pequenos chips radioativos no chifre" de um destes filhotes, que com um ano de idade pesam quase meia tonelada.

O material radioativo "torna o chifre inútil e essencialmente tóxico para consumo humano", explicou Nithaya Chetty, reitora de ciências da mesma universidade.

O rinoceronte, dormindo e deitado no chão, não sentiu dor, disse Larkin.

O pesquisador acrescentou que a dose de material radioativo é fraca o suficiente para não impactar a saúde do animal ou o meio ambiente.

O governo sul-africano admitiu em fevereiro que, apesar dos seus esforços, 499 rinocerontes foram mortos em 2023, a maioria em parques nacionais, um aumento de 11% em relação ao ano anterior.

O projeto piloto Rhisostope envolve 20 espécimes que receberão uma dose "forte o suficiente para ativar detectores instalados em todo o mundo", inicialmente "para prevenir o terrorismo nuclear", explicou Larkin.

Solução radical

Os agentes de fronteira muitas vezes carregam detectores de radiação portáteis, além dos milhares de detectores instalados em portos e aeroportos, segundo os cientistas.

No mercado clandestino, o preço dos chifres por peso compete com o do ouro ou da cocaína.

De acordo com Arrie Van Deventer, fundador do orfanato, a descorna e o envenenamento de rinocerontes não conseguiram deter os caçadores furtivos.

"Talvez isto acabe com a caça furtiva", entusiasma-se este alto e esbelto defensor da natureza sobre o uso de material radioativo. "É a melhor ideia que já ouvi."

Gnus, javalis e girafas vagam pela vasta área de conservação enquanto a equipe realiza o delicado procedimento em outro rinoceronte.

James Larkin fez cuidadosamente um pequeno furo no chifre onde introduziu o radioisótopo e acabou pulverizando 11.000 micropontos em todo o corno.

A última fase do projeto consistirá no tratamento do animal seguindo "um protocolo científico e ético adequado", explicou a gestora do projeto, Jessica Babich.

Futuramente, a equipe colherá amostras de sangue para garantir que os animais estejam protegidos.

O material permanece no chifre tratado por cinco anos, o que é mais barato do que descorná-lo a cada 18 meses, disse Larkin. /AFP

Estadão
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