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Teria a Mercedes conseguido a cabeça de Michael Masi?

A imprensa inglesa levanta a questão e a FIA faz mudanças em seu site que deixam muitos em polvorosa. Será mesmo que Masi será demitido?

12 jan 2022 08h20
| atualizado às 08h51
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Michael Masi, o mais novo desempregado da praça?
Michael Masi, o mais novo desempregado da praça?
Foto: fia.com

Pré-Temporada de F1 é algo complicado de acompanhar. A quantidade de notícias é inversamente proporcional a de carros na pista. Daí, o festival de coisa que sai é uma maravilha. Se antes, o objetivo era vender jornal e revista, agora a busca é pelo “joinha”, o view, o clique. Claro que isso paga a conta de muitos. Mas interesses mil pairam no ar além da fumaça dos automóveis...

A história desta semana que mal começou envolveu ainda o pós-corrida de Abu Dhabi. A imprensa inglesa, fonte principal mundial da F1, nesta terça trabalhou muito o fato de que a Sky Sports teria veiculado em um de seus programas que Lewis Hamilton não havia ainda decidido se voltaria à categoria este ano pois a FIA não havia tomado ação nenhuma em relação à última prova do campeonato de 2021. Isso veio na esteira de uma fala de Toto Wolff dizendo que o piloto estaria “desiludido”.

Refrescando a memória de todos: diante da repercussão de tudo e evitar a reação legal por parte da Mercedes – o que poderia empurrar a definição do campeonato -, um dos últimos atos de Jean Todt como Presidente da FIA foi instituir uma investigação de tudo que aconteceu nas últimas voltas de Abu Dhabi, para buscar entender e fazer as devidas correções no processo, antes do início da temporada de 2022.

Uma das linhas que apareceram hoje citadas por muitos (inclusive sites como o da BBC Sports) seria que a Mercedes teria feito um acordo com a FIA para evitar a continuidade do protesto: os alemães retirariam o protesto e a FIA não continuaria em 2022 com Michael Masi e Nikolas Tombazis, Diretor de Provas da F1 e Responsável Técnico de Monopostos, respectivamente.

Organograma da FIA em outubro. Aqui, aparecem Masi e Tombazis
Organograma da FIA em outubro. Aqui, aparecem Masi e Tombazis
Foto: ATRacingLine / Twitter

A Mercedes negou categoricamente que um tipo de arranjo deste houvesse sido feito. E sustentou a versão de que desistiu de tudo após receber garantias da FIA de que a questão seria tratada com seriedade e as devidas ações tomadas.

Até já se escreveu aqui que a posição de Masi era muito difícil diante de tudo que aconteceu. E colocar alguém no seu lugar é uma tarefa muito complicada. Ser Diretor de Prova não é talento, mas sim vocação. Não basta ser um mero aplicador de regras, mas sim ter o sentimento de entender todo o contexto que envolve e, antes de tudo, usar de bom senso. Numa primeira vista, os nomes de Eduardo Freitas (WEC) e Silvia Bellot (F2) poderiam ser considerados por conta da envergadura de seus currículos. Mas não é um processo simples.

OBS: Sobre este tema, por currículo, ficaria com Parente. Mas a francesa Bellot não fica muito atrás e vem crescendo na hierarquia da FIA. É diretora de provas da F2 e participa dos finais de semana da F1. Já se engajou na equipe de Comissários no GP da Arábia Saudita e seria um belo troféu para a nova administração da FIA, que é questionada na parte de “promoção da diversidade”.

A cabeça de Tombazis não seria tão fácil de se entender o porquê de entrar na equação. Por ser o responsável da área técnica da Federação, o grego é o responsável pelo aval final neste campo em muitas situações. E não seria a primeira vez em que entraria em um caso duvidoso, já que esteve diretamente ligado ao famoso “acordo” fechado entre FIA e Ferrari sobre os motores de 2018 e 2019. Seria por conta das mudanças feitas em 2021, a título de adaptação para os pneus Pirelli e que acabaram por “matar” o  sucesso da Mercedes? 

Organograma de Janeiro 2022: Masi e Tombazis não aparecem. Significa?
Organograma de Janeiro 2022: Masi e Tombazis não aparecem. Significa?
Foto: fia.com

Para botar gasolina numa fogueira que arde lindamente, o perfil Along The Racing Line (@ATRacingLine) postou no Twitter uma ligeira alteração nos organogramas que a FIA disponibiliza em seu site. Como houve a mudança de Presidente, novos nomes surgiram. Se comparado com a última versão disponível de outubro de 2021, Masi e Tombazis não constam na comissão de monopostos da Secretaria Geral para o Esporte a Motor, aparecendo o nome do suíço Peter Bayer, que ocupa o comando do setor desde 2017.

O novo Presidente, Mohammed Ben Sulayem, é alguém que conhece bem os meandros da FIA e tem a sua primeira grande crise de gestão. Por hora, não dá para dizer que esta simples “omissão” dos nomes é algo definitivo. Afinal, ainda existem postos na estrutura que não estão com seus titulares definidos ainda e circula também uma imagem de um organograma da Federação datado de janeiro do ano passado, onde o nome dos dois também não constavam da estrutura, com um singelo TBC (To Be Confirmed). Ben Sulayem tem estilo bem diferente de seu antecessor, embora também seja um político, é mais assertivo.

No meio desta confusão toda, não podemos ignorar o fato: o acordo vem e deveremos saber em breve seus resultados (minha aposta é algo na linha do que aconteceu com a Ferrari em 2020: de modo inesperado). Para que a Mercedes abrisse mão de seguir protestando, teria boas cartas na mão. E mesmo que não as tivesse, Toto Wolff é um bom jogador e sabe levar um jogo como poucos. F1 não se ganha somente na pista. E a imprensa, junto com as redes sociais, desempenha parte importante em todo este campo de guerra. Entretanto, cabe controlar um pouco a emoção.

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