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Russell na Mercedes: uma ameaça a Bottas e Hamilton

Veloz e agressivo, o jovem piloto George Russell, da Williams, foi trazido em detrimento de Vandoorne e Gutierrez, os pilotos reserva

2 dez 2020
20h25
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George Russell faz o ajuste do cockpit no carro da Mercedes: oportunidade rara.
George Russell faz o ajuste do cockpit no carro da Mercedes: oportunidade rara.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Este 2020 não se cansa de nos surpreender. O que parecia um fim de temporada morno vem melhorando a cada dia. Já são três mudanças no grid para esse próximo grande prêmio, que vai ser disputado no anel externo do Bahrein, uma alternativa ao circuito tradicional que foi usado no domingo passado.

Essas mudanças foram originadas por infelicidades. A primeira, que é a estreia de Pietro Fittipaldi na Fórmula 1, é consequência do acidente de Romain Grosjean.

A segunda é a decisão da Mercedes de por George Russell no lugar de Lewis Hamilton, que foi contaminado pelo vírus da Covid-19. A terceira, a entrada do inglês Jack Aitken na vaga aberta por Russell na Williams.

Jack Aitken: acabou ganhando uma vaga na Williams na dança das cadeiras.
Jack Aitken: acabou ganhando uma vaga na Williams na dança das cadeiras.
Foto: Williams / Twitter

Normalmente, Toto Wolff é bastante conservador nessas escolhas, e por isso se esperava que o preferido fosse o belga Stoffel Vandoorne ou, no máximo, o mexicano Esteban Gutierrez, os pilotos reserva da Mercedes.

Mas Toto Wolff vislumbrou a chance mais do que inesperada e também muito bem vinda de testar Russell ao lado de Valtteri Bottas, uma oportunidade que ele não poderia perder. 

Isso muda inteiramente a perspectiva dessa corrida. Até agora, os pontos de interesse eram a disputa entre Bottas e Max Verstappen pelo vice-campeonato e a da Racing Point, da McLaren e da Renault pelo terceiro lugar no mundial de construtores.

Valtteri Bottas: equipe quer o vice-campeonato para o finlandês.
Valtteri Bottas: equipe quer o vice-campeonato para o finlandês.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Bottas está apenas 12 pontos à frente de Verstappen, e ainda dá para fazer 52 pontos nas duas corridas que faltam. E pelo que tem acontecido nas últimas corridas, Bottas vai precisar de ajuda.

A sorte continua se virando contra ele. Domingo passado, 19 carros passaram exatamente pelo mesmo local, só o do Bottas teve um pneu furado. O que acabou com as chances dele chegar ao pódio.

Isso explica a escolha de um piloto agressivo como George Russell em vez de Vandoorne e de Gutierrez. Os dois são bons, mas a preferência da Mercedes para o futuro sempre foi George Russell.

Ele é o principal piloto da Williams e tem mostrado altíssima qualidade desde que estreou, no ano passado. Foi campeão da GP3 em 2017 e da Fórmula 2 em 2018. Mesmo guiando um dos piores carros do ano, Russell já passou do Q1 para o Q2, a segunda fase da prova de classificação, em 9 das 15 corridas disputadas nesse ano. Não é pouca coisa.

Russell e Hamilton: um inglês substitui outro inglês no cockpit do carro alemão.
Russell e Hamilton: um inglês substitui outro inglês no cockpit do carro alemão.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Sua função no domingo deve ser a de dificultar a vida do Verstappen e facilitar a do Bottas. Pelo que se viu dele em um carro deficiente como a Williams, não lhe falta capacidade para isso.

Mas talvez a principal razão da escolha dele seja mesmo a chance de ver como pode ser o convívio de Bottas e Russell. Toto Wolff não esquece os problemas que teve em 2016, quando Nico Rosberg e Lewis Hamilton bateram de frente durante a disputa do campeonato.

Por isso, ele há quatro anos vem mantendo Bottas ao lado de Hamilton, uma dupla em que um é claramente o piloto principal e o outro faz o jogo da equipe. Mas sem Hamilton, surgem perguntas sobre a capacidade de Bottas ser o líder da equipe.

Com Hamilton temporariamente afastado pela Covid, já se pergunta se ele estará presente no grid de 2021. Por isso, essa oportunidade caiu do céu e precisa ser aproveitada. Até mesmo porque se Russell for aprovado, como se acredita que será, vai tirar a pressão da Mercedes renovar o contrato de Hamilton a qualquer custo.

Lewis: fora das últimas corridas por causa do Covid-19.
Lewis: fora das últimas corridas por causa do Covid-19.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Já para Pietro Fittipaldi e Jack Aitken, a situação é bem menos tensa. Eles dois passaram o ano como reservas das duas equipes mais fracas, a Haas no caso do Pietro e a Williams no caso do Aitken, um inglês de 25 anos que passou essa temporada se debatendo em meio às muitas dificuldades da equipe Campos na Fórmula 2.

Aitken foi campeão europeu de Fórmula Renault em 2015 e está em seu terceiro ano na Fórmula 2. No primeiro, com a ART Grand Prix, ele teve uma vitória, dois pódios e uma volta mais rápida. No segundo, já na Campos, ele teve três vitórias, sete pódios e uma volta mais rápida. Nessa temporada, ele teve apenas um pódio.

Até o ano passado, ele era o principal piloto da academia da Renault, mas abdicou desse posto para ser o reserva da Williams, onde teria mais possibilidades de estrear na Fórmula 1. Isso foi visto inicialmente como um erro, mas agora se vê que sua aposta está dando certo.

George Russell fez ótimas apresentações com o complicado carro da Williams.
George Russell fez ótimas apresentações com o complicado carro da Williams.
Foto: Williams / Twitter

É uma situação bem parecida com a de Pietro Fittipaldi, que passou o ano trabalhando no simulador da equipe Haas e agora vê sua persistência ser recompensada.

Pietro teve uma carreira atípica, mas hoje, com 24 anos, ele é um piloto maduro e tem em seu currículo quatro campeonatos. O primeiro foi em 2011, aos 15 anos, quando venceu a Limited Late Model, a difícil categoria de entrada da Nascar.

Depois se mudou para a Europa e venceu o campeonato inglês de Fórmula Renault de 2014, com 10 vitórias em 15 corridas. Em 2015, venceu a MRF, que é o campeonato do Oriente Médio da Fórmula Renault. Ele teve 4 vitórias em 14 corridas. E em 2017, foi campeão da World Series, a Super Renault, com 6 vitórias em 18 provas.

Pietro Fittipaldi: finalmente terá sua chance na equipe Haas.
Pietro Fittipaldi: finalmente terá sua chance na equipe Haas.
Foto: Haas F1 Team / Divulgação

Pietro teve também uma passagem pela Fórmula Indy em 2016. Fez apenas seis corridas com a equipe Dale Coyne e chegou uma vez entre os 10 primeiros.

Ele começou como terceiro piloto da Haas em 2019 e fez seis dias de testes, percorrendo 1.800 km. Nesse ano, ele fez apenas trabalho de simulador, e esse período sem corridas pode ser sua maior dificuldade.

Sua última participação foi no dia 23 de fevereiro, na prova de encerramento do campeonato de Fórmula 3 da Ásia. Ele foi o quinto no campeonato, mas sua intenção era apenas ganhar os pontos que lhe faltavam para conseguir a superlicença e poder correr na Fórmula 1. O que acabou conseguindo.

Tanto Pietro quanto Aitken sabem que vão largar nas últimas posições e tudo que se espera deles é levar o carro até o fim e abdicar de qualquer duelo com os companheiros de equipe.

Pietro Fittipaldi chega à F1 com 24 anos e é o quarto nome da família a representar o Brasil.
Pietro Fittipaldi chega à F1 com 24 anos e é o quarto nome da família a representar o Brasil.
Foto: Haas F1 Team / Divulgação

Pietro tem plena consciência de que mesmo que tenha sucesso absoluto nessa corrida de estreia, ele vai continuar sendo o terceiro piloto. Não tem vaga na equipe. No ano que vem, os carros da Haas vão ficar com Nikita Mazepin e Mick Schumacher, que acaba de ser confirmado.

Mas isso não diminui alegria de ver o nome Fittipaldi de volta à Fórmula 1. O pioneiro foi o Emerson, nosso primeiro bicampeão mundial. Depois Wilsinho, que construiu a primeira e única equipe brasileira de Fórmula 1. Anos mais tarde o filho dele, Christian, que brilhou na Fórmula Indy. Agora é a vez do Pietro, o neto do Emerson. 

É a terceira geração da família mais importante do nosso automobilismo. É mais um recorde sendo escrito na história do Brasil na Fórmula 1. Só isso já é motivo de alegria e orgulho. E uma ótima razão para se torcer com todo o coração pelo novo Fittipaldi.

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