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Por que a Mercedes parou Lewis Hamilton no GP da Turquia?

A parada tardia de Lewis Hamilton aparentemente lhe custou duas posições. A Mercedes fez o certo?

11 out 2021 19h41
| atualizado às 20h20
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Lewis Hamilton quis fazer uma corrida sem paradas
Lewis Hamilton quis fazer uma corrida sem paradas
Foto: F1 / Divulgação

O GP da Turquia foi marcado pelo domínio da Mercedes. Mas, diferente do que na maioria das vezes, essa foi de Valtteri Bottas. Lewis Hamilton ficou com o primeiro lugar na qualificação, mas foi obrigado a largar em 11° lugar por conta da troca do motor a combustão (ICE) da Unidade de Potência de seu carro. Mesmo com a pista molhada,  foi obrigado a ser bem agressivo, conseguindo ultrapassagens sobre Vettel, Tsunoda, Stroll, Norris e Gasly.

Então, Lewis Hamilton chegou em Sergio Perez, companheiro do seu rival ao título, Max Verstappen, na disputa pelo 4° lugar. Em uma bela disputa nas voltas 33 e 34, o mexicano segurou o heptacampeão. Na volta 37, o piloto da Red Bull para nos boxes, na mesma volta que os líderes Valtteri Bottas e Max Verstappen. Hamilton, por conta própria, não quis parar, talvez lembrando do ano anterior no mesmo GP, em que se manteve na pista e deu certo, saindo com a vitória e o heptacampeonato.

Sergio Perez e Lewis Hamilton disputando a quarta colocação
Sergio Perez e Lewis Hamilton disputando a quarta colocação
Foto: F1 / Twitter

Mas, além de tudo, Lewis Hamilton, diferente do ano anterior, onde teve toda a paciência para achar os momentos certos, nessa corrida não teve essa oportunidade, até porque seu rival ao título estava em segundo. Além de fazer sua corrida, tinha que descontar o máximo de pontos. Como bem observou Gary Anderson, em sua análise ao site The Race, durante as 20/30 primeiras voltas, os pilotos estavam passando por trechos molhados para resfriar os pneus. Lewis não estava fazendo isso, até por conta de ter que aproveitar as oportunidades para ganhar posições. 

Já isso por si só seria um problema. A questão de resfriar os pneus é importante até para manter a vida útil dos compostos. Porém, como uma estratégia que deu certo um ano antes, não funcionou agora? Na edição de 2020, o asfalto estava menos aderente, porém a pista estava menos molhada. Desta forma, a aderência acabava sendo maior. E os pneus mais desgastados nessa situação funcionavam muito bem. 

Mas manter a faixa de temperatura em um pneu que estava se degradando com a pista ainda molhada é diferente. A situação começou a se mostrar preocupante para o britânico, principalmente a partir da volta 46, quando começou a virar na casa de 1m35s. Ao mesmo tempo, dois pilotos que estavam atrás, Charles Leclerc, que havia acabado de parar, e Sergio Perez, estavam virando tempos mais rápidos que 1m34s. 

Na volta 50, a Mercedes então insistiu que Hamilton parasse e, mesmo contrariado, assim o fez. Então foi de pneus novos para um stint final de apenas oito voltas. Um pouco depois, Sergio Perez conseguiu atacar Charles Leclerc e levou a posição. O monegasco estava sofrendo com a granulação dos pneus e logo Lewis Hamilton conseguiu chegar para tentar atacá-lo. Lewis conseguiu descontar uma diferença de aproximadamente 4 segundos e, apenas 3 voltas, encostou em Leclerc. Porém começou a sofrer com o mesmo problema de granulação de seu rival.

Lewis Hamilton fazendo sua parada
Lewis Hamilton fazendo sua parada
Foto: F1 / Twitter

No caso do Hamilton, provavelmente acabou superaquecendo os pneus pois, no caso de pneus novos, a banda de rodagem (parte do pneu em contato com o solo) se move muito e nas pontas da banda, começa a granular. Então esses pequenos pedaços de borracha atrapalharam na questão do contato com o asfalto, como se pneu estivesse com bolinhas de gude, fazendo escorregar bastante, principalmente nas curvas. O efeito imediato é a perda de rendimento. Ela até dura por algumas voltas e o pneu volta a funcionar após 4 ou 5 voltas. 

Por conta disso, Pierre Gasly chegou a encostar e ameaçou a ultrapassagem. Mas os pneus do britânico começaram a render nas últimas duas voltas e afastaram qualquer risco, mantendo o quinto lugar. Esta posição o fez perder a liderança no mundial de pilotos e agora está a 6 pontos de Max Verstappen.

Mas o que aconteceria se ele não parasse? Esteban Ocon foi o único piloto do grid a adotar essa prática, considerando ainda que seu pneu estava menos desgastado que o de Lewis. O francês até conseguiu se manter com um bom ritmo na situação, segurando Carlos Sainz por várias voltas na briga pela 8° posição. 

Mas a partir da volta 45, seus pneus começaram a acabar e Ocon foi ultrapassado também por Lance Stroll (Aston Martin), que descontou rapidamente uma diferença de 14 segundos e quase perdeu a 10° colocação para Giovinazzi: a diferença ao cruzar a linha foi de menos de 1 segundo. 

O mesmo cenário era possível com Lewis Hamilton, que, em uma situação assim, poderia acabar até em uma posição pior que o 5° lugar. Na verdade, a estratégia certa era parar junto com a maioria. Obviamente, ele provavelmente sofreria com os pneus da mesma forma, mas teria mais voltas para se manter na pista e brigar pelo pódio, nesse sentido, a escolha de parar, mesmo faltando poucas voltas, foi a certa.

Análise da F1: Bottas fez a Mercedes engolir sua vitória:

 

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