PUBLICIDADE

Gênios também erram: relembre “barbeiragens” épicas na F1

O erro de Lewis Hamilton em Baku foi grave, mas nos lembra que gênios cometem erros. Recorde aqui cinco casos históricos

8 jun 2021 20h58
ver comentários
Publicidade
O erro de Lewis Hamilton lhe custou pontos importantes no campeonato.
O erro de Lewis Hamilton lhe custou pontos importantes no campeonato.
Foto: Jean Todt Twitter / Divulgação

O GP do Azerbaijão, disputado no último fim de semana, ficou marcado por ter sido corrido em uma pista onde a Mercedes não conseguiu bater a Red Bull e tudo se encaminhava para uma dobradinha dos touros vermelhos com Max Verstappen em primeiro. Mas o pneu do holandês estourou, o que provocou uma bandeira vermelha e deixou Lewis Hamilton, que vinha em terceiro até aquele momento, em situação confortável.

Nessa situação, Hamilton  abriria 14 pontos no campeonato, o que parecia  muita coisa. Mas ele queria mais: Na relargada, partindo da segunda posição, foi para cima de Sergio Pérez. Em um primeiro momento, parecia uma manobra bem sucedida para chegar a vitória. Mas o britânico travou tudo e passou reto na primeira curva, perdendo todos os pontos. Acontece que Hamilton acidentalmente acabou mudando a distribuição da carga dos freios do carro para uma configuração que colocava 86,5% do balanço para rodas dianteiras, o que causou a travada.

Com isso, ele foi o último a cruzar a linha de chegada. Pérez venceu, com Vettel em segundo e Gasly em terceiro. Hamilton é um dos melhores pilotos da história da categoria, mas, como todo gênio, ele também erra. Recordamos a seguir cinco casos em que grandes pilotos da categoria cometeram equívocos em situações semelhantes.

Alberto Ascari durante a temporada de 1953.
Alberto Ascari durante a temporada de 1953.
Foto: F1 Twitter / Divulgação

. Alberto Ascari, Itália (1953)

O italiano é um dos maiores pilotos da história da categoria, o único italiano a conquistar títulos pela Ferrari. Em 1953, Ascari, até então sem contrato para o ano seguinte, teria sua última corrida de um belo casamento com a escuderia italiana e uma vitória em Monza representaria muito para o piloto da casa.

Ascari largou na pole position e liderou a maioria das voltas. Seus maiores adversários eram seu companheiro de equipe, Nino Farina e Juan Manuel Fangio (Maserati). Quando estava na última volta Farina partiu para cima e na última curva Ascari errou e rodou, fazendo  Farina desviar e entregando a vitória a Fangio.

Alain Prost após bater no GP de Mônaco de 1982.
Alain Prost após bater no GP de Mônaco de 1982.
Foto: F1 Twitter / Divulgação

. Alain Prost, Mônaco (1982)

Em 1982, Prost estava apenas em sua terceira temporada na F1, a segunda pela Renault, e havia começado com tudo naquela temporada:  foram duas vitórias nas duas primeiras etapas.  Na África do Sul, a primeira delas, uma das mais fantásticas da história da categoria, já que chegou a estar uma volta atrás. Foi a única vez em que alguém conseguiu esse feito.

O francês, porém, abandonou nas três etapas seguintes, mas ainda assim, era líder do campeonato, com 18 pontos. Em Mônaco, Prost largou em quarto e já era o segundo na terceira volta. Com o abandono do seu companheiro de time (René Arnoux), assumiu a liderança e seguia para a vitória, quando uma chuva leve começou a cair, o que foi crucial para que Prost batesse depois da curva do porto, na volta 73.

A partir dali, a corrida se transformou numa loucura, com todos os pilotos rodando em velocidades bem mais baixas por dois motivos: consumo de combustível e a pista escorregadia. Ricardo Patrese (Brabham) assumiu a liderança, mas rodou na Loews, dando a liderança a Didier Pironi (Ferrari) que, uma volta depois, parou no túnel com pane seca, assim como aconteceria a seguir com Andrea De Cesaris (Alfa Romeo), que vinha na segunda colocação.

Patrese, então, reapareceu na liderança para vencer. Incrivelmente, o pódio foi completado por Pironi e De Cesaris, que, mesmo sem terem recebido a bandeirada, foram os únicos a abrirem a última volta junto com Patrese. Elio De Angelis e Nigel Mansell, ambos com Lotus, terminaram em quarto e quinto lugares, respectivamente.

Ayrton Senna nas ruas de Mônaco.
Ayrton Senna nas ruas de Mônaco.
Foto: Honda F1 Twitter / Divulgação

. Ayrton Senna, Mônaco (1988)

A temporada de 1988 foi marcada pelo domínio da McLaren, com o modelo MP4/4 equipado com motor Honda V6 turbo. Mônaco foi a terceira etapa daquele ano, e até aquele momento, Senna havia sido desclassificado no GP do Brasil e obtido a vitória em San Marino. Já Alain Prost contava com a vitória no Brasil e com o segundo lugar em San Marino.

Assim, vencer em Mônaco seria fundamental para Senna mostrar recuperação. O brasileiro fez uma volta perfeita na qualificação com 1m23s998, 1s427 à frente de Prost, que foi segundo. Dizem que aquela foi a volta perfeita, mas, infelizmente, não existem gravações dela. Na corrida, Senna largou mantendo a ponta, enquanto Prost perdeu o segundo lugar para Berger (Ferrari).

Como os pit-stops não eram obrigatórios na época, e as ultrapassagens já eram difíceis, o francês seguia “preso” atrás da Ferrari que vinha em um ritmo mais lento. A diferença chegou a 54s991 na volta 52. Prost finalmente conseguiu ultrapassar Berger e retomar a segunda posição na volta 54. A partir de então, o francês tentou diminuir a diferença para Senna, mas só chegou a ficar 49s962 atrás. O brasileiro respondeu e a diferença subiu novamente para cerca de 54s na volta 62, ficando estável a partir dali.

Na volta 67, porém, Senna se desconcentrou, errou a tangência da curva antes do túnel e bateu. Prost ficou com a vitória, subindo ao pódio junto com os pilotos da Ferrari: Berger e Alboreto.

Michael Schumacher após bater no Canadá, em 1999.
Michael Schumacher após bater no Canadá, em 1999.
Foto: F1 Twitter / Divulgação

. Michael Schumacher, Canadá (1999)

Schumacher no GP do Canadá era certeza de espetáculo. O alemão se encaixava muito bem na pista, vencendo sete vezes por lá. Apesar de a McLaren ser o melhor carro naquela temporada, Schumacher chegou liderando nessa etapa, com 30 pontos contra 24 pontos de Mika Hakkinen. O alemão não havia abandonado nenhuma etapa naquela temporada, enquanto o rival finlandês tinha batido em duas.

A disputa na qualificação foi acirrada, e Michael fez a pole com 0s029 de vantagem sobre Hakkinen. Na largada tudo  parecia tranquilo e Schumacher vinha conseguindo abrir e parecia caminhar para a vitória. Na volta 15, Damon Hill (Jordan) saiu de traseira e bateu na curva 14; na volta 30 foi à vez do alemão cometer o mesmo erro e bater na curva, jogando fora uma vitória quase certa; na volta 34 foi a vez de Jacques Villeneuve (BAR) errar e bater no mesmo local, por conta dos três serem campeões mundiais, o local foi nomeado como “Muro dos Campeões”. A vitória naquele dia ficou com Mika Hakkinen.

Fernando Alonso durante a temporada de 2005.
Fernando Alonso durante a temporada de 2005.
Foto: Alpine F1 Twitter / Divulgação

. Fernando Alonso, Canadá (2005)

O campeonato de 2005 foi marcado pelo fim da era Ferrari. Naquele ano, a FIA mudou as regras. Uma das novidades era ter que usar o mesmo jogo de pneus por toda a corrida. Nesse cenário a equipe italiana caiu, enquanto Renault e McLaren subiram para a ponta. Mas a Renault era mais confiável e Alonso começou o campeonato com três vitórias e um terceiro lugar. A reação da McLaren veio nas duas etapas seguintes, com duas vitórias de Kimi Raikkonen.

Raikkonen liderava a sétima etapa do campeonato, o GP da Europa, sendo sua terceira vitória e ele iria 37 pontos, contra 57 de Alonso. Porém ele começou a ter problemas nos pneus e não quis parar. Era uma rara exceção onde se dava para trocar os pneus no regulamento daquele ano. O resultado foi que na última volta o pneu estourou e Raikkonen foi para o muro, deixando a vitória para o espanhol que agora estava com 59 pontos contra 29 do finlandês.

Nesse cenário, Alonso chegou tranquilo no Canadá e tudo indicava que a Renault iria vencer a McLaren: na qualificação, Alonso e Fisichella foram terceiro e quarto colocados, respectivamente, enquanto Montoya e Raikkonen ficaram em quinto e sétimo, respectivamente. Logo na largada, Fisichella e Alonso pularam para primeiro e segundo, enquanto Button (BAR) ficou em terceiro, seguido por Montoya e Raikkonen.

Button parou e então os carros da McLaren foram para terceiro e quarto. Após a primeira rodada de paradas tudo se manteve igual, mas na volta 32, Fisichella foi obrigado a abandonar por conta de problemas hidráulicos. Então Alonso virou o líder e começou a abrir para Montoya. Na volta 37, Alonso começou a perder rendimento, foi ultrapassado por Montoya e Raikkonen e entrou nos boxes alegando que o carro estava com problemas. A equipe verificou que o problema era terminal e ele teria que abandonar.

Mas o problema na verdade foi causado pelo próprio Alonso: na curva 4 ele acabou tocando o muro com a roda traseira direita, o que causou o problema na suspensão que não tinha mais conserto. Raikkonen venceu a prova com a dupla da Ferrari, Michael Schumacher e Rubens Barrichello completando o pódio. Montoya acabou sendo desclassificado no meio da prova e foi obrigado a abandoná-la.

Parabólica
Publicidade
Publicidade