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F1: como a Mercedes deixou a Red Bull sem saída na Espanha

A Red Bull não parou Verstappen, e essa questão deixou os fãs em dúvida: “Isso fez Max perder a corrida?”

9 mai 2021 19h17
| atualizado às 20h39
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Lewis Hamilton pressionando Max Verstappen durante o GP da Espanha.
Lewis Hamilton pressionando Max Verstappen durante o GP da Espanha.
Foto: Divulgação

O GP da Espanha foi uma disputa onde a estratégia acabou sendo bastante relevante. Max Verstappen (Red Bull) largou muito bem e conseguiu ultrapassar o pole Lewis Hamilton (Mercedes) na primeira curva, o que seria fundamental para o holandês ter chances de vitória, já que a pista é de difícil ultrapassagem e, como a corrida mostrou, a Mercedes tinha um ritmo mais consistente.

Valtteri Bottas (Mercedes), que largou em terceiro, perdeu a posição logo na largada para Charles Leclerc (Ferrari), e acabou tendo seu ritmo prejudicado pelo do monegasco. Na volta 22, sem conseguir superar Leclerc e estando a 10s do líder, o finlandês foi chamado para os boxes pela Mercedes, com o objetivo de aplicar um undercut (quando um piloto antecipa sua parada para roubar a posição do adversário), em Leclerc, estratégia que foi bem sucedida.

Na dianteira, Hamilton pressionava Verstappen, mas não conseguia ultrapassar. Na volta 24, o holandês foi chamado para sua parada. Um erro no pit, porém, jogou por terra os planos do time, e Max voltou à pista atrás de seu companheiro de equipe, Sergio Pérez, e de Daniel Ricciardo (McLaren). Max superou o mexicano, enquanto o australiano fez sua troca de pneus na volta seguinte. Enquanto isso, Hamilton não podia parar, já que provavelmente voltaria atrás de Pérez.

O heptacampeão seguiu na pista até a volta 28, e após fazer sua troca de pneus, sua diferença em relação a Verstappen estava em mais de 6s. O inglês, então, impôs um ritmo voador e na volta 35, já podia utilizar o recurso da asa móvel, pois sua diferença para o holandês era inferior a 1s. É preciso destacar que, durante esse tempo, o piloto da Red Bull não conseguiu manter um bom ritmo, virando acima de 1min22s. Após o piloto britânico se aproximar, ele acelerou, registrando voltas de 1min21s5, em média.

Verstappen largou melhor e assumiu a liderança no GP da Espanha.
Verstappen largou melhor e assumiu a liderança no GP da Espanha.
Foto: Divulgação

Hamilton pressionou até a volta 42, quando tomou o caminho dos boxes, trocou e voltou com pneus médios usados (mas com poucas voltas) para ir até o fim. A estratégia da Mercedes se baseou no fato de o ritmo de corrida de seu carro estar melhor, o que compensaria o tempo perdido na parada e ainda proporcionaria ao inglês ter pneus melhores para atacar Max no fim da corrida.

O plano deixou os estrategistas da Red Bull sem ação. Diferentemente da Mercedes, o time austríaco não tinha pneus médios em condições para colocar no carro de Verstappen. Assim, se Max parasse, teria que usar compostos macios, que não resistiriam, ou duros, opção descartada por não oferecerem muita aderência. Além disso, o tempo necessário para o pit stop – desde a entrada no pit-lane, troca de pneus e saída – não permitiria ao holandês voltar ainda à frente de Hamilton.

E, claro, não se pode menosprezar a importância de Hamilton para o sucesso da estratégia. Afinal, após trocar pneus, o piloto do carro 44 foi, em média, 1s5 mais rápido por volta do que Verstappen (exceto na de número 54, quando Lewis perdeu algum tempo para superar Bottas). Assim, foi apenas questão de tempo para o atual heptacampeão se aproximar e deixar o holandês para trás, sem muita dificuldade. Afinal, se não bastasse ter um carro que se mostrava mais equilibrado, Hamilton possuía pneus 18 voltas mais novos.

A partir desse ponto, restou a Verstappen fazer um pit stop, voltar com pneus macios e fazer a volta mais rápida para garantir o ponto extra, o que ocorreu na 62ª volta, quando registrou 1min18s149. Também é possível especular sobre a falta de competitividade do outro piloto da Red Bull, imaginando que, se Sergio Pérez estivesse na disputa pelas primeiras posições, isso impediria – ou pelo menos dificultaria – o sucesso da estratégia do time alemão.

O fato, porém, é que agora a classificação do campeonato tem Lewis Hamilton à frente, com 94 pontos, e Max Verstappen com 80. A próxima etapa será daqui a duas semanas, nas estreitas ruas de Monte Carlo, palco do tradicional GP de Mônaco.

 

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