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F1: A última cartada da Mercedes em Barcelona para salvar 2022

A Mercedes traz uma série de mudanças para Barcelona e torce para que a boa forma inicial siga para o resto do final de semana e além

21 mai 2022 07h30
| atualizado às 07h45
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Russell e o W13 em Barcelona: sinais encorajadores
Russell e o W13 em Barcelona: sinais encorajadores
Foto: Mercedes AMG F1 / Divulgação

Muitos olhos em Barcelona estavam voltados para a Mercedes. Afinal de contas, esta era a prova em que o time levaria o maior número de alterações no W13 para ver se ainda caberia seguir no seu desenvolvimento ou usar esta temporada como um grande laboratório para o W14.

Aqui no Parabólica nós fizemos um grande retrato deste sofrimento em praça pública, transmitida ao vivo e cores para todos. Mesmo assim, não podemos esquecer que estamos com menos de 30% do campeonato desenrolado. Então, ainda há espaço para muita coisa. Nisso que Toto Wolff & Cia. se apegam com o fervor de um cristão recém-convertido.

Prosseguindo com um processo iniciado em Miami, a Mercedes trouxe para Barcelona um novo assoalho e detalhes na asa dianteira e nas aletas do freio traseiro. Além disso, também fez a instalação da segunda unidade de potência nos seus carros.

Nos EUA, o W13 mostrou sinais do desempenho que a equipe esperava desde o início da temporada. Russell e Hamilton andaram bem nos treinos de sexta. Mas ao tentarem progredir no acerto, acabaram errando e o sofrimento recomeçou. Esta é uma característica deste carro: a janela de funcionamento. Isso impacta também na gestão dos pneus, que demoram a entrar na faixa ideal de temperatura (o W11 e o W12 também tinham esta característica, mas não tão acentuada).

Mas o grande problema é lidar com o porposing, ou quicada. Por não conseguir entender, a Mercedes está em uma situação que não se via há muito. Barcelona era o lugar onde o time poderia se entender, pois ali foi o primeiro lugar onde o W13 andou e ainda com as laterais mais “convencionais”. E o carro não quicava tanto.

A grande questão é: com o “zeropod”, a Mercedes reduziu muito a área frontal, aumentando o ar que circula por cima do carro, indo para o aerofólio. Mas justamente este ar todo não consegue passar de modo que consiga fazer o papel das antigas saias da década de 70 e 80 para selar o ar embaixo do carro, onde hoje é gerado boa parte do apoio aerodinâmico.

Resumindo: a Mercedes tem problema por...gerar muito apoio! Simplesmente o assoalho não sustentava (estolava) e aí não gerava toda a pressão projetada. Por isso, o W13 tinha que andar numa altura maior e aí não andava bem. Barcelona traz um assoalho que vai um pouco mais em linha com os concorrentes, abrindo mais espaços do lateral para liberar um pouco mais de ar para o fluxo.

Comparativo assoalho do W13 entre Miami e Barcelona.
Comparativo assoalho do W13 entre Miami e Barcelona.
Foto: Albert Fabrega / Twitter

Além disso, a Mercedes também adotou a aleta introduzida pela Aston Martin na parte inicial do fundo do carro e ajudou a direcionar um pouco mais o ar para a parte de baixo do W13. Um outro motivo de melhoria foi a introdução da 2ª Unidade de Potência. Só pelo fato de ser nova, gera cerca de mais 20cv do que uma unidade mais usada.

Junte todos estes fatores com uma temperatura mais alta...a Mercedes melhorou. Já no TL1, a diferença de tempo para Ferrari era de menos de 1 segundo. E no TL2, Russell e Hamilton ficaram em 2º e 3º. Para deixar os mercedistas mais animados, ambos os pilotos conseguiram um ritmo melhor do que a Ferrari na simulação de corrida usando os pneus médios.

Eis a simulação do TL2: Mercedes mostrou-se melhor do que as Ferrari com os pneus médios
Eis a simulação do TL2: Mercedes mostrou-se melhor do que as Ferrari com os pneus médios
Foto: Toni Sokolov / formu1a.uno

A reza agora da Mercedes é que Miami não se repita e que o W13 consiga progredir no desempenho. Andrew Shovlin, o responsável pela engenharia, declarou que Red Bull e Ferrari usaram modos de motor mais “tranquilos”, o que permitiu que Russell e Hamilton pudessem andar mais à frente.

Porém, o mais importante: na avaliação do time, as mudanças funcionaram. Foi visível o carro mais próximo do chão e praticamente não quicando. Se a Mercedes conseguir consolidar estes ganhos, pode pensar sim em dias melhores e não jogar a toalha para o W13 este ano.

Quadro de dados entre Leclerc, Hamilton e Verstappen: Mercedes acaba se sobressaindo nas retas...
Quadro de dados entre Leclerc, Hamilton e Verstappen: Mercedes acaba se sobressaindo nas retas...
Foto: F1 Data Analisys / Twitter

Para o campeonato, seria interessante ver mais uma equipe brigando pelas vitórias. O público agradeceria.    

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