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Depois da renovação, o que esperar de Lewis Hamilton

Após meses de especulações, chegou ao fim a novela entre Hamilton e Mercedes, mas o futuro do supercampeão a partir de 2022 ainda é incerto

11 fev 2021
13h35
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Heptacampeão em 2020, Hamilton renova com a Mercedes e vai em busca do oitavo título.
Heptacampeão em 2020, Hamilton renova com a Mercedes e vai em busca do oitavo título.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Depois de meses de expectativa, a novela entre Lewis Hamilton e Mercedes finalmente chegou ao fim. Anunciada oficialmente na última segunda (8), a renovação do companheiro de Valtteri Bottas inclui um contrato de curta duração, válido apenas para a temporada de 2021. E se as especulações para esse ano foram encerradas, o mesmo não pode ser dito para 2022 em diante.

No ano passado, Lewis optou por adiar as negociações sobre um novo contrato para se concentrar na disputa pelo heptacampeonato -- que foi conquistado pelo piloto inglês. Em todo caso, tanto Hamilton quanto a Mercedes afirmavam que um novo acordo era uma simples formalidade. No entanto, a falta de uma posição oficial foi o suficiente para que uma série de especulações fossem criadas.

Dentre elas, a mais forte seria a de que a Mercedes escolheria o jovem George Russell -- hoje na Williams, como o companheiro do finlandês Valtteri Bottas. Vale lembrar que o piloto inglês de 22 anos faz parte do programa de desenvolvimento de pilotos da Mercedes e chegou a substituir Hamilton no GP de Sakhir de 2020, quando o heptacampeão ficou afastado após contrair Covid-19.

O desempenho de Russell chamou a atenção tanto do público quanto da Mercedes. Mesmo terminando a corrida em nono lugar, o George chegou a liderar grande parte da corrida, com um ritmo melhor até do que o de Bottas, que disputou toda a temporada pela Mercedes, e em tese, conheceria melhor o carro. 

Piloto inglês é conhecido pelo engajamento em causas sociais e ambientais. Foto
Piloto inglês é conhecido pelo engajamento em causas sociais e ambientais. Foto
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Em uma temporada marcada pelo engajamento de Hamilton em prol da igualdade racial, a Mercedes decidiu apoiar o piloto de forma ativa, chegando até a mudar a pintura do carro, que deixou de lado a cor prata e adotou um layout preto. Esse fator inclusive foi uma das solicitações do piloto, que queria que o novo contrato também tivesse foco em pautas sobre diversidade e preservação ambiental.

"Estou igualmente determinado a continuar a jornada que começamos para tornar o automobilismo mais diversificado para as gerações futuras e estou grato que a Mercedes tenha apoiado o meu chamado para resolver este problema", afirmou Hamilton.

Mesmo que a renovação por mais alguns anos seja do interesse de ambas as partes, o fato do novo contrato ter a duração de apenas uma temporada, torna o futuro do piloto uma incógnita. Seja pilotando pela Mercedes, ou até mesmo a aposentadoria, confira algumas das possibilidades para o piloto a partir de 2022:

Renovação com a Mercedes para 2022

A temporada 2021 será a nona de Lewis Hamilton na Mercedes. O piloto inglês chegou à atual equipe em 2013, quando ainda tinha somente um título da Fórmula 1, conquistado em 2008 pela McLaren. Desde então, Hamilton enfileirou mais seis títulos quase que de forma consecutiva -- ele só não conquistou o caneco na temporada de 2016, quando foi vice para o então companheiro de equipe, o alemão Nico Rosberg.

Junto com as conquistas, Hamilton também liquidou quase todos os recordes da categoria. Com 95 vitórias, Lewis superou o alemão Michael Schumacher, que mantinha o antigo recorde de 91 vitórias desde 2006. Além disso, o piloto inglês também é recordista de pole positions, figurando 97 vezes na primeira posição do grid de largada.

Para apoiar a luta de Hamilton contra o racismo, a Mercedes deixou de lado a pintura prata e adotou a cor preta em 2020.
Para apoiar a luta de Hamilton contra o racismo, a Mercedes deixou de lado a pintura prata e adotou a cor preta em 2020.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Como se não bastasse, na última temporada, Hamilton alcançou um recorde que parecia quase impossível de se igualar. O heptacampeonato de Michael Schumacher, que foi conquistado em 2004. Com 36 anos de idade e mais um ano de contrato, Hamilton é o grande favorito para ganhar mais um título. Esse fato o tornaria o novo recordista da F1, com oito conquistas.

Buscando manter a hegemonia, ambas as partes têm interesse em renovar a parceria. Também conta a favor da Mercedes o fato da equipe apoiar as iniciativas promovidas por Hamilton. Com discursos alinhados, ambos contam com o plano de iniciar um projeto de longo prazo para confirmar o compromisso de promover a diversidade na Fórmula 1.

Já pelo lado de Hamilton, a identificação do piloto com a marca e os resultados conquistados na pista formam uma sintonia rara de acontecer na Fórmula 1. Fazendo história dentro e fora das pistas, a parceria entre os dois lados é a possibilidade mais real de acontecer.

Além da Mercedes, Lewis Hamilton também correu pela McLaren entre 2007 e 2012.
Além da Mercedes, Lewis Hamilton também correu pela McLaren entre 2007 e 2012.
Foto: Twitter

Mudança de equipe

Além da Mercedes, Hamilton já correu pela McLaren, de 2007 até 2012. Durante esse período, conquistou um título, em 2008. Logicamente, ser representada por um piloto como Hamilton, é um sonho para qualquer uma das equipes da Fórmula 1. Por outro lado, é praticamente utópico acreditar que o piloto inglês deixaria o melhor carro do grid para apostar em outra equipe.

Outro fato que pesa para que Hamilton troque a Mercedes por outra equipe, é o alto salário do piloto. Lewis receberá em 2021 cerca de £40 milhões (R$ 300 milhões), enquanto o segundo piloto mais bem pago do campeonato, o holandês Max Verstappen, recebe em torno de £18,2 milhões (R$ 135 milhões).

Vale ainda lembrar que a partir dessa temporada entra em vigor o teto orçamentário, com um valor inicial de US$ 145 milhões (cerca de R$785 milhões). Com isso, há uma limitação da quantia que pode ser gasta por temporada, o que coloca toda a categoria em uma nova realidade, principalmente após os impactos da pandemia.

Além da Fórmula 1, a Mercedes também conta com uma equipe na Fórmula E, competição de monopostos elétricos.
Além da Fórmula 1, a Mercedes também conta com uma equipe na Fórmula E, competição de monopostos elétricos.
Foto: Mercedes-AMG / Twitter

Mudança para outras categorias do automobilismo

Outra possibilidade para Hamilton seria correr em outra categoria do automobilismo. Seguindo o exemplo de outros ex-pilotos da categoria, uma das opções seria a Fórmula E. A categoria de monopostos elétricos conta com nomes conhecidos da Fórmula 1, como os brasileiros Felipe Massa e Lucas Di Grassi, e tem o fator ecológico como principal atrativo para Lewis. Outro facilitador seria o fato de que a própria Mercedes conta com uma equipe na categoria, representada pelos pilotos Stoffel Vandoorne (ex-F1) e Nyck De Vries.

Hamilton poderia ainda optar pelo rali. Em setembro de 2020, o piloto inglês anunciou a criação da X44, sua própria equipe de corrida, que estreará em 2021 no Extreme E, categoria de carros elétricos off-road. Nela, os carros vão competir em locais que foram afetados ou danificados por condições climáticas e ambientais. A competição tem como objetivo alertar sobre os impactos das mudanças climáticas e a interferência humana na natureza.

Fundada por Hamilton em setembro de 2020, a equipe X44 disputará o Extreme E, competição de rali que conta somente com carros elétricos.
Fundada por Hamilton em setembro de 2020, a equipe X44 disputará o Extreme E, competição de rali que conta somente com carros elétricos.
Foto: Divulgação

Aposentadoria

Depois de superar quase todos os recordes possíveis da F1, uma das possibilidades para Hamilton seria se aposentar. Sem novas aspirações para a categoria, o piloto inglês poderia se afastar das pistas e abrir espaço para novos pilotos.

Engajado em causas sociais e ambientais, Hamilton poderia se dedicar mais às pautas que defende. Por exemplo, o piloto já adota uma dieta vegana há alguns anos, e afirma utilizar apenas carros elétricos no dia a dia. "É difícil para mim ser um ambientalista, porque as pessoas respondem aos meus apelos com as palavras: 'Vamos lá, você queima gasolina na Fórmula 1 todo fim de semana", explicou.

"Tudo o que tenho a fazer é dar o exemplo fora das pistas. Portanto, na vida cotidiana, parei de dirigir meus carros com motores de combustão interna. Hoje eu só dirijo meu EQC", finalizou o inglês.

No entanto, essa possibilidade também parece distante. Em coletiva, o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff, explicou que ambas as partes têm interesse em manter a parceria. "Chegamos juntos ao acordo de um ano. Teremos uma mudança substancial de regulamento em 2022. Queremos ver também como fica a situação mundial e a empresa".

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