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Indy Naíse canta o afeto em EP assinado por Rincon Sapiência

"Esse é Sobre Você" chega às plataformas com um videoclipe para cada faixa; veja capa com exclusividade

14 jun 2021 11h13
| atualizado às 11h45
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Indy Naise lança novo EP na sexta-feira
Indy Naise lança novo EP na sexta-feira
Foto: Divulgação

Cantora, compositora e empresária Indy Naíse se prepara para lançar nesta sexta (18) o EP visual "Esse é Sobre Você", que visita conceitos visuais e sonoros do R&B contemporâneo. Com produção musical de Rincon Sapiência, o projeto traz participações de Drik Barbosa e D'Ogum. 

"O EP aborda o afeto, fala sobre as fases de um relacionamento numa ordem cronológica. Eu digo que é do início ao recomeço, não do início ao fim, porque acho que é importante falar sobre autoamor, auto-suficiência, sobre a gente se reencontrar em si mesmo quando termina uma relação", explica. 

O sucessor de "É Questão de Cor" (2018) marca também a estreia do rapper Rincon Sapiência como produtor musical de um outro artista que não ele mesmo.

“Eu sempre falei muito pela perspectiva das minhas próprias feridas em todas as minhas outras obras, né? Pela perspectiva das violências que eu sofri enquanto um corpo preto, mas nunca sobre afeto. Então, Esse É Sobre Você é porque, pra mim, chegou o momento de eu falar sobre e dar atenção a isso. Reivindicar que não sou apenas as minhas feridas é uma necessidade e também um ato político”, relata Indy.

O novo projeto da artista Indy Naíse conta com a produção musical de Rincon Sapiência, que pela primeira vez atua como produtor musical de outro artista que não ele mesmo. 

“Tudo começou com a minha ideia, que surgiu após realizar alguns trabalhos autorais de produção em meus dois álbuns: Galanga Livre e Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps. A partir daí, passei a me dispor mais para produzir outros artistas, até que eu e a Indy fizemos uma sessão no estúdio de uma música autoral dela, o que foi interessante para que eu pudesse ampliar minha visão sobre o que ela cantava e produzia, que por ser um trabalho que puxa pro R&B, me levou para outro lugar criativo”, conta Rincon.

Capa do EP "Esse é Sobre Você"
Capa do EP "Esse é Sobre Você"
Foto: Vitor Manon

O EP visual chega com cinco videoclipes, um de cada faixa, produzidos pela produtora audiovisual Noyze.

A coluna conversou com Indy Naíse sobre o lançamento e mostra a capa, de Vitor Manon, em primeira mão. Leia abaixo:

Adriana de Barros: Nesse EP você canta o afeto e as fases de um relacionamento, dois temas urgentes, principalmente neste momento que vivemos. Você acha que o afeto tem o poder de transformar vidas? Como? Canta o afeto por enxergar a falta dele?
Indy Naíse: Sim, eu acho que o afeto tem o potencial de transformar vidas, através do diálogo, da empatia, de buscar entender o mundo do outro. Eu não canto afeto por sentir a falta dele, mas justamente. Nós pessoas pretas, quando falamos de afeto, é muito de um lugar político mesmo. A gente se permitir esse respiro e se dar esse abraço, é um carinho que a gente precisa. Principalmente indo pela lógica de  positivarmos nossa imagem, pro nosso povo que é sempre colocado em estigmas muito violentos por conta do racismo que a gente sofre.  

Como é a Indy na intimidade, tema retratado na capa do EP? Você fala em 'tudo que viveu' retratado nestas faixas. O que mais te motivou viver até hoje?
A Indy na intimidade é uma pessoa muito zelosa, muito carinhosa. Eu gosto de um dengo, adoro um chamego. Sou uma pessoa que gosto de cuidar das pessoas que eu amo. As vezes pode até ser considerado um defeito, por conta da coisa maternal, de querer saber se está tudo bem, e tudo mais, e algo que eu até tento dosar. Mas eu sou muito movida pelo afeto e pelo cuidado, com as pessoas que eu amo. O que mais me motivou viver até hoje o amor, foi entender que cada relação é uma, independente de ser romântica ou não, e levamos muito aprendizado de cada uma dessas relações. Somos passíveis ao erro também, então reconhecer também nas atitudes, já que não é apenas o outro que pode errar, mas você também pode errar com o outro. E aí você vai construindo uma relação com base no diálogo, no respeito. Tudo tem seus altos e baixos, e se relacionar com o outro traz complexidades, principalmente quando você se relaciona com pessoas pretas que trazem muitas feridas é um lugar muito delicado. Então sempre busco trazer o diálogo e respeito, e zelar pelas relações que construo.  

Como é ter o Rincon Sapiência produzindo seu trabalho? E como foram as participações de D'Ogum e Drik Barbosa?
Poxa, ter um trabalho produzido pelo Rincon Sapiencia é uma honra. Ele é um artista muito reconhecido na cena do rap nacional, e eu sempre fui fã do trabalho, temos uma amizade muito bonita. Sou muito honrada dele sugerir produzir meu trabalho, já que isso demonstra que ele admira meu trabalho, admira minha pessoa, então eu só consigo realmente agradecer a participação dele nesse trabalho, à disposição dele em produzir meu EP. As participações da Drik e do D’Ogum, são pessoas que eu admiro muito. A Drik é uma pessoa que eu acompanhei o trabalho dela realmente desde o início até sua ascensão, deste lugar de fã mesmo, de admiradora do trabalho dela. Depois de um tempo acabamos nos conhecendo, nos aproximando e nos conectando, principalmente por conta da amizade que tenho com o Fióti, da Laboratório Fantasma. E ela por ser uma artista do selo, fez com que ficássemos mais próximas, e eu não vejo como ser outra pessoa nesse trabalho que não a Drik. Ela é uma pessoa incrível, tem um discurso muito próximo do meu, do que eu acredito e principalmente pro tema que a gente traz pra música, que é de relações abusivas. O D’Ogum é meu companheiro, a gente já fez uma música juntos em 2019, e a gente tem um sintonia muito bonita para além da nossa relação, que é a sintonia da criação e artistica. Temos muitas coisa similares, a forma com que a gente cria, com que a gente zela pela nossa arte, pela nossa música, e é muito natural o processo. Então convidei ele, porque não tinha como não convidar, a gente estava ali naquele momento em que estávamos criando uma música sobre o que estávamos sentindo, da nossa relação, e é uma música tão bonita, que eu gosto tanto, que não tinha como não entrar no EP. E na verdade, ela foi o motivo pro me Rincon convidar para produzir o EP todo, já que a princípio, ele produziria apenas uma faixa, mas quando ele ouviu essa música que ele fez o convite. Então isso também reforça o quanto a participação dele nessa música é muito especial.

Como conheceu o Rincon? 
Eu conheci o Rincon por meados de 2012, 2013, frequentávamos os mesmos espaços, como por exemplo a Matilha Cultural. Mas a gente só veio se aproximar mesmo quando fizemos um evento juntos em 2017, em que nos apresentamos no TEDx São Paulo, e aí eu convidei ele para participar do meu primeiro disco, o "É Questão de Cor". Isso fez com que acabássemos ficando amigos, e conforme eu passei a começar a criar outros trabalhos, caminhando no sentindo do R&B, ele manifestou esse desejo de voltarmos a trabalhar juntos.

Aqui, trecho do papo com Rincon Sapiência

Adriana de Barros: Quais critérios você usou para produzir uma cantora?
Rincon Sapiência: No meu momento, talvez um dos principais critérios pra eu pensar e decidir contribuir pra um trabalho como produtor musical é muito de acordo com a proposta do artista. A ideia é trazer coisas que façam as pessoas curtirem, se amarrarem, mas é legal também trazer autenticidade na música e eu acho que dentro do que a Indy me propôs, do que me trouxe como referências, e o processo dela ter apresentado até então, um outro trabalho, mas estar afim de explorar um novo som, uma nova sonoridade, isso fez com que eu me permitisse abraçar a produção. Eu, particularmente, também tenho isso comigo, sobre trazer novos sons e direcionar artistas para outros lugares. Então ela já tinha um trabalho bem bonito, e eu acho que contribuí, com parte da formação musical dela produzindo um trabalho que a levasse para outros sons. 

Há muitas diferenças entre produzir um trabalho seu e de uma outra pessoa? Como faz pra não imprimir sua personalidade no projeto que não é de sua autoria como cantor?
Sim, tem algumas diferenças, muitas vezes você gosta muito de uma proposta, mas eu acho que o produtor precisa ter esse foco de entender que a função dele é fazer o trabalho da artista virar o melhor produto musical, não só no que diz respeito a ser vendável, mas como algo legal e gostoso pras pessoas apreciarem. Então pra alcançar esse resultado é necessário você ter esse ok da artista. Você pode sim propor novas coisas, mas a decisão é do artista e por várias vezes eu gostava de algumas coisas, mas entendendo que ela tem um outro foco, outras referências, eu precisei respeitar aquilo. Também tive ajuda da Yasmin Olí, na parte dos arranjos vocais, então isso influenciou muito na parte instrumental, e tudo isso resultou num trabalho tranquilo de se fazer.

Na última quinta (10), a cantora lançou no Twitter a pergunta: O que é afeto pra você? A hashtag #afetopramimé chegou a figurar o top trends com respostas de anônimos e nomes importantes do rap como Emicida, Drik Barbosa, Tássia Reis e outros.

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