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Por que as montadoras não param de modificar os carros?

Cansado de trocar de carro e, após um ano, ver que ele ficou defasado? Bem, existe um motivo histórico para as coisas serem assim

22 jan 2022 08h00
| atualizado em 28/1/2022 às 11h57
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Evolução do VW Polo
Evolução do VW Polo
Foto: Divulgação

De uns tempos para cá, as mudanças nos automóveis se tornaram tão frequentes que muitos consumidores não conseguem acompanhar o ritmo das atualizações. E, assim, acabam se sentindo frustrados, pois o carro “novo” fica “velho” em pouco tempo. Mas, por que isso acontece? São vários motivos, tanto históricos quanto econômicos e comportamentais.

Evolução do Porsche 911
Evolução do Porsche 911
Foto: Divulgação

1. Essência do capitalismo
O automóvel não passa de uma mercadoria que precisa ser produzida e comercializada para gerar lucro aos fabricantes. A essência do capitalismo é fazer a economia girar o tempo todo. Por isso, os carros passam por atualizações frequentes e vão se tornando maiores, mais confortáveis e mais tecnológicos. Nesse processo, ao longo do tempo, os automóveis (ou seja, os produtos, as mercadorias) acabam subindo de categoria e ficam mais caros.

A morte de um determinado produto é fundamental para que esse giro econômico se mantenha ativo, pois é o fim de uma mercadoria que coloca outra em seu lugar. E cada novo produto - ou, no caso, novo modelo de automóvel - é uma oportunidade para ganhar novos clientes. Nesse ambiente competitivo, o fabricante que não faz mudanças tem mais dificuldades de manter ou expandir suas vendas.

Carro autônomo: antecipando o futuro
Carro autônomo: antecipando o futuro
Foto: Divulgação

2. Demandas sociais
Os automóveis mudam também porque a sociedade tem, de tempos em tempos, diferentes demandas. Houve uma época em que os consumidores queriam carros mais potentes, então a indústria criou veículos esportivos e novos motores. Em outro tempo, devido à crise do petróleo, os consumidores queriam carros mais econômicos, então a indústria criou carros mais compactos, mais leves e mais eficientes.

Há ocasiões em que a demanda social é por carros mais seguros, então a indústria aprimora os itens de segurança. Atualmente, a demanda social é por uma sociedade mais ecológica. Por causa disso, toda a indústria automobilística desenvolve tecnologias de propulsão híbrida e carros totalmente elétricos.

Evolução da Mercedes
Evolução da Mercedes
Foto: Divulgação

3. Mudanças de comportamento
A indústria automobilística afeta e também é afetada pelas mudanças comportamentais. Nos últimos anos, no Brasil, os consumidores de carros passaram a exigir veículos conectados, transmissão automática para rodar no trânsito das grandes cidades e equipamentos de conveniência - como assistente de partida em rampa, espelhamento de celular e sensores de estacionamento. Esses itens custam dinheiro e as montadoras aproveitam para introduzir uma ou outra mudança visual para que o preço simplesmente não suba sem um motivo aparente ao público.

Evolução do Toyota Corolla
Evolução do Toyota Corolla
Foto: Divulgação

4. Globalização da economia
Desde o final do século XX, a economia mundial está cada vez mais globalizada. Assim, ficou quase impossível para a indústria automobilística - que tem um caráter transnacional - desenvolver produtos específicos para determinados países. O tempo dos carros únicos para o mercado brasileiro simplesmente acabou. Hoje, queiram ou não os consumidores brasileiros, os carros oferecidos serão os mesmos que são produzidos em outras partes do mundo. E esse movimento também provoca mudanças nos automóveis.

Fiat Punto e a globalização
Fiat Punto e a globalização
Foto: Divulgação

5. Antecipação do futuro
Outra característica do capitalismo é a competição feroz, de forma que as montadoras precisam antecipar as preferências dos consumidores para não serem engolidas por um competidor mais ousado. Dessa forma, novas ideias vão sendo constantemente testadas nos carros. Muitas vezes, um modelo é escolhido para ser “cobaia” de um conceito que depois será introduzido em todos os carros daquela marca.

Novas tecnologias aceleram o tempo
Novas tecnologias aceleram o tempo
Foto: Divulgação

6. Aceleração do tempo
Outra característica da sociedade do século XXI é a aceleração do tempo. Há excesso de tudo, desde tipos de pães na prateleira do supermercado até canais de televisão sob demanda. Nesta modernidade líquida, na qual nada é sólido ou dura muito tempo, até os amores são passageiros - e a indústria automobilística não quis ser diferente. Tornou-se importante acelerar o tempo, ou seja, fazer com que o ciclo de vida de um produto seja o mais breve possível, por medo que o público se canse daquela mercadoria. Por isso, embora sejam feitos de material sólido, os carros também se tornaram líquidos, como o desejo dos consumidores. 

Evolução do Toyota Corolla
Evolução do Toyota Corolla
Foto: Divulgação

 

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