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Brasil cai para 9º lugar no ranking de produção de carros

Anfavea diz que Brasil produz menos carros do que a Espanha e quer exportar mais para não depender do mercado interno

7 mai 2021 12h32
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Seat Tarraco eHybrid, um dos carros produzidos na Espanha.
Seat Tarraco eHybrid, um dos carros produzidos na Espanha.
Foto: Seat

A Espanha tem um mercado de apenas 1 milhão de carros, metade do volume de vendas do mercado brasileiro em 2020, mas ultrapassou o Brasil no ranking global de carros. O Brasil caiu para 9º lugar no ranking de produção de automóveis, embora tenha mantido o 7º lugar em vendas, com 2,1 milhões. Isso significa que 5% do mercado são veículos importados.

Os números foram mostrados nesta sexta (7) pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante a coletiva mensal virtual de apresentação dos números de abril. Apesar de o desempenho das exportações ter sido positivo no primeiro quadrimestre, com crescimento de 34,7%, a Anfavea quer mais. Ao todo foram embarcados 33,9 mil autoveículos em abril e 129,6 mil no ano. Os envios cresceram para a maioria dos mercados, em especial para a Colômbia.

Luiz Carlos Moraes diz que o Brasil utiliza mal a indústria automobilística. Ele citou vários exemplos. “A Coreia tem uma vocação de exportação, enquanto aqui no Brasil produzimos para nós mesmos”, disse. “Só temos a 26ª posição no ranking de exportações.”

Para o presidente da Anfavea, os exemplos da Espanha, da Coreia e do México deveriam motivar o governo brasileiro e o Congresso Nacional a criar melhores condições para exportações de veículos, pois isso geraria receitas importantes para o país. “O México, que vende metade do Brasil, exportou 80 bilhões de dólares em automóveis em 2019. O Brasil só exportou 5,8 bilhões”, disse Moraes. “Quem são os nossos competidores? Somos nós mesmos.”

Explica-se: segundo Moraes, o Brasil tem capacidade de produzir carros do mesmo nível do primeiro mundo, pois as fábricas são da mesma qualidade das que existem no México, na Coreia e na Espanha, por exemplo. “Defendemos muito as exportações, mas parece que sempre estamos falando sozinhos, pois ninguém dá importância.” Durante a apresentação, o presidente da Anfavea mostrou uma série de slides mostrando a falta de competitividade internacional do país. Veja algumas delas na galeria de fotos.

 

Vendas internas
As vendas internas também tiveram crescimento no quadrimestre, na comparação com produção e exportações. Foram licenciados 175,1 mil veículos em abril e 703 mil no acumulado, uma alta de 14,5% sobre os primeiros quatro meses de 2020. Caminhões e comerciais leves (picapes, principalmente) tiveram alta acima de 40% no total de emplacamentos de 2021, desempenho bem superior ao de ônibus (13,2% de crescimento) e de automóveis (7,7%).

Luiz Carlos Moraes: "Parece que sempre estamos falando sozinhos".
Luiz Carlos Moraes: "Parece que sempre estamos falando sozinhos".
Foto: Sergio Quintanilha / Reprodução

"Os números deste primeiro terço do ano indicam que nossas projeções feitas em janeiro são factíveis de serem atingidas, salvo alguma situação inesperada no segundo semestre", avaliou Moraes. A Anfavea estima para este ano crescimento de 15% nas vendas, 25% na produção e 9% nas exportações.

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