0

Anfavea projeta 2,25 milhões de carros vendidos em 2021

Associação das montadoras prevê vendas de 1,85 milhão para automóveis de passeio e de 400 mil para comerciais leves

8 jan 2021
12h07
atualizado em 9/1/2021 às 07h03
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: previsão cautelosa para as vendas de 2021.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: previsão cautelosa para as vendas de 2021.
Foto: Sergio Quintanilha / Reprodução / YouTube

O mercado brasileiro de veículos leves deve crescer 15% em 2021, apesar do dólar a R$ 5,00 e dos desafios impostos pela pandemia de coronavírus. A projeção foi feita nesta sexta-feira (8) pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, na primeira entrevista coletiva da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. O volume previsto é de 2,25 milhões.

Veículos leves são os automóveis de passeio e os comerciais leves. Segundo a Anfavea, a venda de automóveis de passeio deve passar de 1,616 milhão para 1,850 milhão (+14%) e o de comerciais leves deve ir de 399 mil para 400 mil unidades (+18%). No ano passado, o setor vendeu 1,955 milhão de carros.

No total da indústria automobilística, incluindo veículos pesados (caminhões e ônibus), a previsão é de 2,367 milhões de unidades, um crescimento de 15% em relação aos 2,058 milhões vendidos em 2020. Apesar da previsão de crescimento, a Anfavea acredita que “a neblina ainda continua no horizonte”. Veja no quadro abaixo as previsões da Anfavea.

PROJEÇÃO ANFAVEA VENDAS
2020
(x1.000)
VENDAS
2021
(x1.000)
DIF.
TOTAL DE AUTOVEÍCULOS 2.058  2.367 +15%
VEÍCULOS LEVES 1.955 2.250 +15%
   Automóveis de passeio 1.616 1.850 +14%
   Comerciais leves 339 400 +18%
VEÍCULOS PESADOS 104 117 +13%
   Caminhões 90 101 +13%
   Ônibus 14 16 +13%
EXPORTAÇÕES 307 333 +8%
PRODUÇÃO TOTAL 2.014 2.520 +25%

A média diária de vendas prevista pela Anfavea é menor do que a média registrada em dezembro, que fechou com 243.967 veículos, um crescimento de 8,4% em relação ao mês anterior. Luiz Carlos Moraes justificou a previsão conservadora dizendo que os 15% equivalem a três vezes a previsão de crescimento do PIB, que é de 5%.

Moraes também criticou duramente o governo do Estado de São Paulo – maior mercado do país – por ter aumentado o ICMS para carros usados e carros zero km a partir de abril. Para carros zero km, o ICMS subiu de 12% para 13,5% agora e passará a 14,5% em abril. “O Brasil não aguenta mais o sistema tributário”, reclamou.

No caso de carros usados, a alíquota de 18% (aplicada sobre 10% do valor de venda) passa a ser de 30,7%. Segundo o site Automotive Business, “em um exemplo de um carro vendido por R$ 60 mil, o total a pagar de ICMS passa de R$ 1.080 para R$ 3.315,60”.

O sistema tributário foi uma das principais razões para a previsão de crescimento de 15%. “Não temos nenhum problema em revisar esses números se daqui a três meses o cenário estiver melhor, lembrando ainda que a pandemia existe”, disse Luiz Carlos Moraes. “Nunca enfrentei uma crise dessa dimensão, que é uma crise na economia e uma crise de saúde, uma crise mundial.”

Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo foram os estados com maior queda nas vendas.
Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo foram os estados com maior queda nas vendas.
Foto: Anfavea / Reprodução / YouTube

Em 2020, a queda na venda de veículos leves foi de -26,7%. Mas a queda de automóveis foi ainda maior (-28,6%), perdendo apenas para queda nas vendas de ônibus (-33,4%). Já os comerciais leves tiveram uma queda mais leve (-16,0%). Como país, entretanto, as quedas foram diferentes, em termos de regiões.

Segundo um mapa de vendas divulgado pela Anfavea, os estados do Rio de Janeiro (-38%), Minas Gerais (-33%) e São Paulo (-30%) tiveram as maiores quedas de venda, superando a média do Brasil.

Apesar da queda de vendas em 2020, o Brasil manteve o 6º lugar no ranking mundial dos maiores mercados automotivos. De acordo com a Anfavea, o país está atrás de China, EUA, Japão, Alemanha e Índia, superando França, Reino Unido, Itália e Canadá no ranking top 10. Até 2014, o Brasil era o 4º colocado, caindo nos anos seguintes até o 8º lugar. Em produção, a indústria automobilística brasileira caiu para 9º lugar, sendo superada pela indústria espanhola.

Brasil manteve o 6º lugar no ranking mundial de vendas de carros: está difícil voltar ao 4º lugar.
Brasil manteve o 6º lugar no ranking mundial de vendas de carros: está difícil voltar ao 4º lugar.
Foto: Anfavea / Reprodução / YouTube

Moraes voltou a citar os problemas estruturais do Brasil como um empecilho para a indústria automobilística, citando o fechamento da fábrica de carros da Mercedes-Benz em Itirapina (SP) como exemplo da busca mundial por produções menos complexas em termos burocráticos e menos custosas em termos tributários.

Veja também:

Mercedes GLB 200, um SUV de 7 lugares com motor 1.3
Guia do Carro
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade