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Trump concorda com fim da paralisação sem dinheiro de muro

26 jan 2019
10h34
atualizado às 11h19
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou sob pressão cada vez maior em acabar com uma paralisação parcial do governo federal que durava 35 dias sem assegurar os 5,7 bilhões de dólares que havia pedido do Congresso para a construção de um muro de fronteira, numa vitória política para os democratas.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca 24/01/2019 REUTERS/Kevin Lamarque
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca 24/01/2019 REUTERS/Kevin Lamarque
Foto: Reuters

O acordo para três semanas de gastos alcançado com os líderes do Congresso -- que passou rapidamente e sem enfrentar oposição pelo Senado liderado pelos republicanos e pela Câmara dos Deputados controlada pelos democratas, para depois ser assinado por Trump -- abre o caminho para negociações difíceis com os parlamentares sobre como lidar com a segurança ao longo da fronteira dos Estados Unidos com o México.

O acordo do presidente republicano para acabar com a paralisação de cerca de um quarto do governo federal sem a garantia de dinheiro para o muro representou um surpreendente recuo e aconteceu três dias de Trump ter insistido na investida.

Mas Trump prometeu que a paralisação será retomada em 15 de fevereiro se ele estiver insatisfeito com os resultados das negociações de segurança fronteiriça por um comitê bipartidário, com membros das duas Casas do Congresso. Também indicou que poderá declarar emergência nacional para obter o dinheiro do muro sem a aprovação do Congresso.

O lapso no financiamento nos últimos dias fechou cerca de um quarto das agências federais, com cerca de 800.000 trabalhadores de folga ou obrigados a trabalhar sem remuneração. Muitos funcionários, bem como contratados, estavam recorrendo à assistência ao desemprego, a bancos de alimentos e a outros tipos de auxílio. Outros começaram a procurar novos empregos.

Com pesquisas mostrando que a maioria dos norte-americanos o culpou pela dolorosa paralisação -- a mais longa do gênero na história dos EUA --, Trump abraçou uma saída para a crise que a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, vinha pressionando há semanas.

A paralisação, que colocou Pelosi contra Trump, foi seu primeiro teste desde que assumiu o cargo há três semanas. Ela recebeu elogios de colegas democratas pela atuação.

Os democratas permaneceram inflexíveis em sua oposição ao muro, uma das promessas de campanha de Trump que eles consideram ineficaz, cara e imoral. Trump tem defendido que o muro é necessário para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas.

Questionada por repórteres se ela poderia garantir que não haveria outra paralisação do governo em três semanas, Pelosi disse: "Não posso garantir ao público nada do que o presidente fará, mas devo dizer que estou otimista".

Falando na véspera no Jardim das Rosas da Casa Branca em um dia frio de inverno, Trump disse que agiria para garantir que os trabalhadores federais recebessem seu salário "muito rapidamente, ou o mais rápido possível".

Trump já havia exigido a inclusão do dinheiro para financiar o muro em legislação para financiar agências do governo, mas os democratas haviam bloqueado essa saída.

Uma autoridade do governo, falando em condição de anonimato, disse que as histórias de policiais não sendo capazes de fazer seu trabalho em plena capacidade ajudaram a convencer Trump a concordar com uma solução de curto prazo para reabrir o governo.

O funcionário disse ainda que a Casa Branca aceitará um acordo com os parlamentares se ele incluir recursos para o muro, mesmo que isso signifique menos que os 5,7 bilhões de dólares.

"Nós realmente não temos escolha a não ser construir uma parede poderosa ou uma barreira de aço", disse Trump.

"Se não conseguirmos um acordo justo com o Congresso, o governo vai fechar de novo em 15 de fevereiro ou eu usarei os poderes que me são conferidos pelas leis e pela Constituição dos Estados Unidos para endereçar essa emergência", acrescentou.

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