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Trump oferece proteção a imigrantes em troca de muro

Para encerrar impasse que paralisou parcialmente a máquina estatal, presidente promete três anos de proteção a jovens imigrantes ilegais

19 jan 2019
20h23
atualizado em 20/1/2019 às 10h42
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Numa tentativa de solucionar o impasse sobre o orçamento federal que paralisou parcialmente a máquina estatal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19/01) que pretende oferecer mais proteção aos imigrantes que moram no país em troca de verbas para a construção do muro na fronteira com o México.

Muro é uma das principais promessas de campanha de Trump
Muro é uma das principais promessas de campanha de Trump
Foto: DW / Deutsche Welle

A oferta foi direcionada aos democratas, que se recusam a aprovar recursos para a construção do muro, uma das principais promessas de campanha de Trump. A paralisação parcial do governo, também chamada de shutdown, é a mais longa da história americana e já dura 29 dias.

"Estou aqui para quebrar o impasse e fornecer ao Congresso um caminho para o fim do shutdown e resolver logo a crise ao longo da fronteira sul", disse Trump, durante um pronunciamento.

Entre as propostas, Trump disse que apoiará uma lei para prorrogar por três anos a proteção de jovens imigrantes ilegais que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças, conhecidos como "dreamers" (sonhadores), que são beneficiados pelo programa de Ação Diferida para Chegados na Infância (Daca).

O presidente ofereceu ainda uma medida similar para os afetados pelo cancelamento de outro amparo migratório, o Status de Proteção Temporário (TPS), que protege da deportação mais de 436 mil imigrantes nos EUA. Esses imigrantes deixaram seus países devido a desastres naturais ou violência.

Em troca, o presidente pediu a aprovação no orçamento de 5,7 bilhões de dólares para construção de um muro na fronteira com o México, que, segundo ele, ajudaria a frear a imigração ilegal. "Como candidato, prometi corrigir essa crise e pretendo corrigi-la de um jeito ou de outro", destacou.

Trump disse que estava oferecendo um "compromisso de bom senso" que deveria ser aceito por ambas as partes.

Antes do pronunciamento, Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara dos Representantes e figura-chave da oposição à agenda de Trump, disse que a proposta era uma compilação de iniciativas rejeitadas anteriores e afirmou que era inaceitável.

Pelosi acrescentou que a oferta não era um "esforço de boa-fé" para ajudar os imigrantes e não vai passar no Congresso.

Governo paralisado

Em 22 de dezembro, o governo americano deu início ao fechamento de cerca de um quarto de seus serviços, depois de republicanos e democratas não terem chegado a um acordo orçamentário no Congresso sobre as exigências de Trump para o financiamento de um controverso muro na fronteira com o México.

Embora dias antes os parlamentares tivessem concordado com um orçamento, o presidente se negou a assiná-lo, uma vez que o documento não incluía os mais de 5 bilhões de dólares que ele havia exigido para a construção do muro, levando assim à atual paralisação.

O shutdown atinge agências de dez departamentos do governo federal, incluindo Transporte e Justiça, assim como dezenas de parques nacionais.

Além disso, afeta cerca de 800 mil dos 2,1 milhões de funcionários do governo, que pararam de receber seus salários. Deles, 420 mil têm que comparecer ao trabalho, em serviços considerados "essenciais", enquanto o restante permanece em casa.

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