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Tribunal alemão condena ex-guarda nazista de 93 anos

23 jul 2020
08h20
atualizado às 09h32
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Bruno D. era acusado de cumplicidade no homicídio de 5.230 pessoas no campo de concentração em que trabalhou como vigia quando tinha 17 anos. Caso é provavelmente o último julgamento na Alemanha sobre o Holocausto.Um ex-guarda de campo de concentração nazista de 93 anos foi condenado nesta quinta-feira (23/07), por um tribunal de Hamburgo, no que é visto na Alemanha como provavelmente o último julgamento envolvendo uma pessoa que participou ativamente do Holocausto.

Idoso pediu desculpas às vítimas durante o julgamento
Idoso pediu desculpas às vítimas durante o julgamento
Foto: DW / Deutsche Welle

Bruno D. era acusado de cumplicidade no homicídio de 5.230 pessoas no campo de concentração e extermínio de Stutthof, nas proximidades da antiga Danzig (atualmente Gdansk). Ele serviu no local entre agosto de 1944 e abril de 1945.

O idoso recebeu uma pena suspensa de dois anos de prisão - ou seja, não precisará ir para uma penitenciária. Ele foi julgado por um tribunal juvenil, pois tinha apenas 17 anos quando começou a trabalhar como vigia no campo de concentração.

Setenta e cinco anos depois do fim do regime nazista, o tribunal declarou que qualquer um que estivesse na torre de vigia de um campo de concentração pode ser considerado cúmplice dos assassinatos.

O processo foi movido por cerca de 40 coautores, incluindo 35 sobreviventes do campo de concentração. Quatro deles testemunharam pessoalmente no tribunal e dois foram ouvidos por vídeo. Eles relataram maus-tratos diários, como espancamentos, execuções, fome e uma epidemia de tifo.

O réu pediu desculpas às vítimas durante a audiência na segunda-feira. "Hoje eu gostaria de pedir desculpas àqueles que passaram por esse inferno de loucura e a seus parentes - algo assim jamais deve se repetir", disse.

Ele acrescentou que jamais tivera a intenção de assumir tal cargo. "Gostaria de enfatizar mais uma vez que nunca teria me voluntariado para a SS [organização paramilitar ligada ao Partido Nazista] ou para qualquer outra unidade, muito menos para um campo de concentração", afirmou.

Segundo a defesa, o réu só tomou conhecimento da verdadeira extensão das atrocidades cometidas no campo depois de depoimentos de testemunhas. O advogado Stefan Waterkamp salientou que o cliente não teve escolha, dadas as circunstâncias da época. Ele afirmou também que o papel de Bruno D. não deveria ser julgado pelos padrões de hoje, pois o serviço num campo de concentração estatal, de acordo com a visão predominante na época, não era "nenhum crime".

Após a derrota do nazismo, Bruno D. passou um curto período num campo de prisioneiros e, depois, teve uma vida normal: casou, teve duas filhas e trabalhou como padeiro e motorista de caminhão.

O julgamento de Bruno D. é apenas um entre muitos que ocorreram nos últimos dez anos, em que guardas, burocratas e outros que trabalhavam com os nazistas tiveram que responder por suas ações no passado. Em 2011, o ucraniano John Demjanjuk, um ex-guarda do campo de extermínio em Sobibor, foi sentenciado a cinco anos de prisão.

O julgamento de Bruno D. também é considerado um dos últimos envolvendo crimes do nazismo. Outros casos semelhantes investigados nos últimos anos foram arquivados devido à incapacidade do réu de responder à Justiça por razões de idade ou saúde.

Inicialmente destinado a prisioneiros políticos poloneses, o campo de concentração de Stutthof foi o primeiro a ser construído fora da Alemanha, em 1939. No final da Segunda Guerra, o campo abrigava cerca de 115 mil deportados, muitos deles judeus. Cerca de 65 mil pessoas morreram no local.

LE/dpa,ap

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